Sábado, 25 de Maio de 2013

 

Esta semana, o nosso passeio foi especial. O objetivo era conhecer o património geológico da região, mais precisamente o sinclinal do Buçaco e a Livraria do Mondego. Para isso, tivémos o privilégio de ter um guia muito especial, o Professor Doutor Gama Pereira, geólogo e professor catedrático do Departamento de Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.



Viajámos na carrinha do Caspae pelo IP3 e contámos com a companhia das professoras estagiárias da Escola Superior de Educação de Coimbra. Saímos pontualmente da escola e seguimos caminho, aproveitando o magnífico dia primaveril. A nossa primeira paragem foi no pequeno parque de merendas junto a Penacova. Aí, o professor Gama Pereira começou por nos explicar o que faz um geólogo.




Um geólogo é um cientista que estuda a superfície terrestre e o seu processo de formação ao longo do tempo. Para isso, além de muito estudo e investigação, os geólogos devem conhecer muito bem o terreno, pelo que saem frequentemente para o campo. Nessas saídas, devem munir-se de uma série de objetos indispensáveis ao seu trabalho, como por exemplo, uma bússola, uma carta geológica, um martelo, uma lupa, adesivo e caneta para etiquetar as amostras recolhidas, sacos de plástico para as guardar, máquina fotográfica, um caderno de apontamentos, um canivete e uma fita métrica, entre outras coisas. O importante é que o geólogo, leve o que levar, tenha as mãos livres, por isso usa normalmente um colete com muitos bolsos e bolsinhos para guardar tudo isto, mantendo sempre as mãos desocupadas.


 


Claro que estudar a história da Terra não é bem a mesma coisa do que estudar a história das sociedades e civilizações. Desde logo porque a escala do tempo é muuuuito diferente. Enquanto um historiador se debruça sobre a evolução das comunidades e sociedades utilizando uma medida temporal que se mede na ordem das centenas e milhares de anos, o geólogo reporta-se a fenómenos naturais ocorridos há milhões, dezenas de milhões e centenas de milhões de anos atrás! Alguém consegue imaginar o que são 400 ou 500 milhões de anos? Não é fácil.



Pois este foi o nosso primeiro desafio, isto é, tentar perceber o que são 500 milhões de anos. Quando o professor Gama Pereira nos interrogou sobre esta questão, o Eduardo até se engasgou com a quantidade de zeros necessários para representar um número tão grande, ele que tem apenas 10 anos. Foi mesmo necessário escrever aqueles zeros todos numa folha de papel para que percebêssemos melhor o horizonte temporal dos fenómenos geológicos.



«Há 500 milhões de anos a região do Buçaco, bem como toda a Beira Baixa, Beira Alta e região duriense, esteve coberta pela água de um mar que já desapareceu há muito e a que os geólogos chamam de Rheique. Na verdade cobria quase toda a Península Ibérica e era um mar raso de areias brancas, camada sobre camada, em águas transparentes com algumas zonas um pouco mais profundas e algumas ilhas não muito elevadas. Os areais extensos e os fundões mais lamacentos ou pedregosos perdiam-se de vista. (...) Quando estes fundos foram apertados pela colisão de dois grandes continentes então existentes, começaram a ficar arqueados até serem completamente enrugados como as dobras de uma concertina. Contudo os fechos dessas dobras eram mais redondos tal como grandes caleiras ou como se estivéssemos a ver o ondulado de um velho telhado feito com telha lusitana.» Foi precisamente este fenómeno ocorrido há 500 milhões de anos atrás nesta região que o professor Gama Pereira nos exemplifica com uma folha de papel.



«Uma dessas grandes caleiras, a que os geólogos chamam sinclinais, constitui a Serra do Buçaco. Os dois bordos do sinclinal, por serem constituídos por aquelas areias endurecidas (quartzitos) ficam salientes no relevo, resistindo ao desgaste da chuva e do vento (erosão) e preservando o perfil da Serra, desde há muitos anos. O lado poente do sinclinal está mais partido e retalhado do que o lado nascente. No lado poente, desde o Penedo do Castro até aos Moinhos de Gavinhas e daí até Ponte da Mata, o alcantilado está muito segmentado. No lado nascente, desde o Luso, Cruz Alta, Moinhos da Portela da Oliveira até ao Mondego e daí até muito mais a sudeste, os quartzitos resistem e fazem um caminho quase contínuo. No fundo do sinclinal que se percorre por estrada antiga, pode descer-se desde Sazes passando pela Espinheira, Galiano até Penacova.»



Para melhor admirarmos o sinclinal subimos até ao Penedo do Castro, no cimo da vila de Penacova. Aí chegados, através de uma estrada muito íngreme e estreita, pudemos admirar o panorama deslumbrante que se nos abriu ao olhar. Na verdade, as vistas são magníficas, avistando-se as serras todas em redor e, no fundo, o rio Mondego a serpentear entre os vales e as margens férteis com terrenos agricultados. Deste miradouro, avistamos claramente um dos bordos do sinclinal, sendo que estamos exatamente sobre o outro bordo. Aqui esutámos as explicações do Professor Gama Pereira, nomeadamente quando se referiu aos geólogos que, há sensivelmente um século, percorreram estas paragens, elaborando as primeiras cartas geológicas, ainda hoje utilizadas com grande benefício.


 


Do Penedo do Castro descemos então até à designada Livraria do Mondego. «Nas fragas que o Mondego atravessa, os quartzitos estão cortados e mostram em qualquer das suas margens, mas especialmente na margem norte, as camadas de quartzitos verticais, como fiadas de prateleiras de livros da velha biblioteca da Universidade de Coimbra. Aqui, o espectáculo das antigas areias postas ao alto, hoje quartzitos, mereceram a designação de Livrarias do Mondego, pela sua beleza e pela posição particular em que se encontram, constituindo um património geológico e turístico que deve ser divulgado e preservado e não deve deixar de ser visitado.»



E assim terminou a nossa visita. Resta-nos agradecer ao Professor Gama Pereira a sua simpatia e disponibilidade em nos guiar neste passeio. A melhor maneira de o fazer é lembrar a resposta do Dany quando lhe perguntaram se gostou do passeio e ele respondeu: «Eu não gostei, adorei!»



As partes deste texto colocadas entre aspas são da autoria do Professor Doutor Gama Pereira e constam de um texto de divulgação e promoção deste sinclinal e da Livraria do Mondego retirado da página eletrónica da Câmara Municipal de Penacova no dia 23 de maio de 2013 (www.cm-penacova.pt/admin/include/download.php?id_ficheiro=1593‎)



publicado por CP às 06:28
Sábado, 18 de Maio de 2013

 

 

Desta vez, o nosso passeio semanal tinha um duplo objetivo. Por um lado desejávamos conhecer a pequena capela de Santa Comba, praticamente ignorada pelos conimbricenses e desprezada pelas autoridades. Por outro lado, pretendíamos conhecer os modernos edifícios do Polo III da Universidade, na sequência da visita recente que fizemos ao polo II, da Faculdade de Ciências e Tecnologia.

 

 

 

Quando visitámos o Museu Machado de Castro, certamente que os mais atentos se recordam de uma lápide do último quartel do século XIII, colocada no início do circuito expositivo da coleção de escultura e que representa uma cena do Calvário com Cristo crucificado a ser coroado por dois anjos enquanto, a seus pés, Nossa Senhora e S. João Evangelista permanecem em oração. Ao lado, na outra cena, surge a Virgem com o Menino, tendo à sua frente Santo Ildefonso, bispo de Toledo do séc. VII que foi o primeiro a defender a virgindade da mãe de Cristo. Pois bem, esta lápide é proveniente da capela de Santa Comba de Coimbra.

 

   

 

Esta capela é muito antiga e localiza-se em pleno Polo III, junto aos Hospitais da Universidade. A memória da sua fundação perde-se nos tempos, havendo notícias desde meados do século XV, sendo certo que aqui já se prestava culto a Santa Comba desde tempos muito anteriores. No século XVII, fizeram-se obras de reconstrução, posteriormente muito adulteradas, acrescentadas e danificadas até se chegar ao abandono a que atualmente a capela está votada.

 

 

 

Trata-se de um edifício pequeno e muito simples com um portal de arco de volta inteira, ostentando a inscrição «VIRGINIS ET MARTI», isto é «Virgem e Mártir», referindo-se a Santa Comba. No mundo cristão da Alta Idade Média existem muitas lendas relativas a Santa Comba, ou Santa Colomba, que significa pomba, todas elas fazendo o elogio da castidade e da virgindade desta mártir, cuja existência histórica é incerta. Esta lenda de Santa Comba de Celas tem em comum com todas as outras lendas de Santa Comba uma donzela, lindíssima, nascida no seio de uma rica e nobre família, que recusa casar com um noivo de boa condição social que lhe é prometido, argumentando estar destinada a Deus, não podendo macular-se na vida conjugal. A virgindade era um valor tão alto que preferia sacrificar a vida a casar-se.

 

 

 A lenda conta que, para evitar o casamento, a jovem fugiu do pai e da cidade, escondendo-se no meio de uma mata, onde depois foi construída esta capela. O noivo despeitado, ao saber que a jovem estava escondida na floresta, mandou atear fogo ao mato, prendendo a  rapariga, matando-a depois de a castigar severamente. Assim morreu Santa Comba, segundo a tradição, nos inícios do séc. X, nascendo aí um culto que chegou à atualidade, pois que quando visitámos a capelinha, apesar de abandonada, ainda ostentava uma coroa de flores na porta. Recordemos que é nesta altura primaveril que a população comemora a festa das Maias, sempre relacionadas com o culto da Virgem e a celebração dos valores da virgindade e castidade.

 

No Museu Machado de Castro existe uma escultura desta Santa Comba de Coimbra, proveniente da oficina de Mestre Pero, e ao que parece oriunda desra capela.

 

Não conseguimos visitar o interior, pois a porta está fechada a cadeado e desconhecemos quem seja o responsável à guarda de quem está depositada a chave. Visitámos a sala contígua, completamente abandonada e arruinada, testemunhando o desprezo a que está condenada esta ermida. Uma pesquisa na internet, no entanto, permitiu encontrar o video que acima se reproduz que exibe algumas fotografias do interior da capela.

 

 

 

O Polo III, ou polo das Ciências da Saúde, inclui as Faculdades de Farmácia e Medicina, além de outras Unidades de Investigação como o IBILI (Instituto Biomédico de Investigação de Luz e Imagem), ou o ICNAS (Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde). Este polo universitário inclui igualmente uma biblioteca, uma cantina e uma residência universitária. 

 
Faculdade de Farmácia

O projeto do Polo III foi lançado pela Universidade de Coimbra nos finais da década de 80 do século passado e é da responsabilidade do arquiteto Rebello de Andrade. Os planos iniciais foram adaptados posteriormente, sendo lançados concursos públicos para a conceção dos edifícios, o que deu oportunidade a que jovens arquitetos pudessem concretizar as suas ideias, contrariamente ao que sucedeu no Polo II, onde os edifícios foram planeados por arquitetos já consagrados, convidados para elaborarem os projetos. Após esta fase, os primeiros edifícios são construídos em 2001, prosseguindo ainda os trabalhos de construção.
 
Biblioteca das Ciências da Saúde (esquerda) e edifício do ICNAS (Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde)


publicado por CP às 12:11
Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

 

 

A Casa da Escrita, tradicionalmente conhecida como Casa do Arco, situa-se no coração da Alta de Coimbra, na rua Doutor João Jacinto. A casa foi adquirida em 1883 aos Viscondes do Espinhal, cujo brasão ainda permanece na fachada principal, justamente pelo professor João Jacinto da Silva Correia, lente da Faculdade de Medicina. O famoso poeta João José Cochofel (1912 - 1982), bisneto do comprador, foi o último morador da Casa que foi adquirida pela Câmara Municipal em 2003.

 

 

João José Cochofel nasceu e estudou em Coimbra, concluindo os seus estudos na Faculdade de Letras. Destacou-se na vida literária como importante vulto do chamado movimento neo-realista, fundando várias revistas, especialmente a Vértice. Colaborou ainda em muitas outras publicações periódicas, escrevendo igualmente muitos ensaios, críticas literárias, textos de intervenção, além de, claro está, muitos e bons poemas.


Na parede podem ver-se caricaturas e retratos de João José Cochofel. À direita, numa vitrina, a borla e o capelo do bisavô do poeta

 

Dois anos após a aquisição pela Câmara, a reabilitação do imóvel foi entregue ao arquiteto João Mendes Ribeiro. Em novembro de 2010, a Casa foi finalmente inaugurada pela ministra da Educação à época, Isabel Alçada, recebendo agora uma série de iniciativas ligadas à escrita, como por exemplo, o acolhimento de escritores, lançamento de livros, ações de formação, colóquios, sessões de poesia, etc.

 

 

 

Esta Casa já era conhecida como Casa do Arco em 1810, e as referências mais antigas remontam ao século XVI. Na verdade, não é só uma casa, mas um conjunto de três casas associadas, sendo ainda visíveis vestígios quinhentistas, como um arco apontado no piso inferior ou uma bela janela manuelina que se pode apreciar na fotografia.

 

 

Hoje, o edifício exibe uma bela fachada apalaçada virada para a rua, destacando-se  as varandas de ferro forjado e a balaustrada interrompida ao centro com um frontão triangular contendo o já referido brasão de armas.

 

 

Esta Casa do Arco é sem dúvida um marco do património cultural da cidade, pois é um testemunho importantíssimo de uma fase especialmente marcante da cultura coimbrã. Na verdade, o poeta João José Cochofel recebeu aqui, em animadas tertúlias, um vasto grupo de amigos que foram figuras marcantes das artes, das letras, da cultura, da vida académica e da política.

 

A biblioteca onde o poeta se reunia com os seus amigos

 

Por aqui passaram muitos intelectuais e artistas, como Joaquim Namorado, Paulo Quintela, Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Fernando Lopes Graça, Michael Giacometti, Eugénio de Andrade, Jorge de Sena, Alves Redol, Bissaya Barreto, ou Mário Soares, apenas para citar alguns.

 

 

A sala de jantar onde, entre animadas conversas, se serviram boas refeições

 

 Na nossa visita, fomos amavelmente recebidos pelo programador e animador cultural deste espaço, o Filipe Carvalho, acompanhado por dois jovens e simpáticos estagiários que nos prepararam algumas agradáveis surpresas. A visita começou no átrio da casa, onde tivemos oportunidade de conhecer a história do edifício, incluindo algumas curiosidades, como por exemplo que no rés-do-chão funcionou um consultório de veterinária durante muitos anos.

 

 

No primeiro andar, deslumbrámo-nos com a excelência do trabalho do arquiteto Mendes Ribeiro que, no enorme e belíssimo salão que agora serve de auditório, rasgou na parede do topo uma janela com uma vista panorâmica para o jardim da casa que cria um ambiente muito bonito e repousante que se conjuga muito bem com a brancura imaculada das paredes e dos tetos ornamentados com os estuques originais.

 

 

 

 

Durante a visita, claro que não deixámos de reparar no mobiliário moderno espalhado pelas divisões. São móveis de design moderno e minimalista, da autoria dos arquitetos Mendes Ribeiro e Siza Vieira. É, sem dúvida, mais um motivo de atração e interesse.

 

 

O projeto de reabilitação da casa recebeu o prémio municipal de arquitetura Diogo de Castilho, em 2011. Do arquiteto Mendes Ribeiro já nós admirámos o seu trabalho na reabilitação do Pátio da Inquisição, incluindo o Centro de Artes Visuais, bem como o edifício da Casa das Caldeiras. Os sócios mais antigos do clube recordam certamente essas visitas, enquanto os mais jovens fixarão o nome deste arquiteto conimbricense, um dos mais importantes nomes da arquitetura contemporânea e que marcou já, com a sua obra, a nossa cidade. 

 

 

A cozinha (cima) e uma lindíssima clarabóia que o arquiteto abriu no telhado

 

Após um rápido percurso pelo interior da casa, escutando sempre as palavras cativantes do Filipe, saímos depois para o jardim. O espaço é muito agradável e está muito bem recuperado. Da rua, ninguém imagina que nas traseiras do prédio existe este recanto tão bonito e sossegado. Ficam todos a saber que está aberto ao público todos os dias úteis. Podem vir para aqui ler, estudar, escrever ou simplesmente descansar.

 

 

 

Foi aqui que nos reservaram uma surpresa. Por todo o espaço exterior, esconderam-nos  vinte papéis enrolados contendo poemas de João José Cochofel, lançando-nos um desafio: tínhamos dez minutos para os encontrar. Cada um de nós devia depois decorar o seu poema e reescrevê-lo numa outra folha. No final, acabámos com um recital de poesia no jardim da Casa da Escrita. Nada mais adequado a tão belo cenário!

 

 

  

 

A hora do regresso à escola aproximava-se, mas o Filipe insistiu que visitássemos o sótão da casa. Não deixou mesmo que nos ausentássemos sem subir ao último andar. Em boa hora o fez, pois este é um dos espaços emblemáticos da casa. É aqui, neste enorme, belo e iluminado salão, que a casa se abre a todos os visitantes que queiram vir estudar, ler ou trabalhar, podendo trazer os seus computadores portáteis, pois a casa dispõe de uma rede de internet sem fios gratuita.

 

 

Fica então o convite: venham à Casa da Escrita, tragam os vossos pais, os vossos familiares e os vossos amigos. Tragam livros e leiam, tragam papel e caneta e escrevam, tragam o computador e naveguem, tragam um amigo e conversem no jardim, mas não deixem de conhecer este espaço e usá-lo, pois é um dos mais convidativos e acolhedores da nossa cidade.

 

 

 

 



publicado por CP às 22:16
Sábado, 04 de Maio de 2013

 

 

Nos finais do século passado, o ensino e investigação universitários na área das ciências e tecnologias obrigou a Universidade de Coimbra a conceber um plano de expansão das suas instalações, criando um novo polo dedicado aos diversos ramos da engenharia. Para esse efeito, foi adquirido um vasto terreno junto ao rio Mondego, numa zona da cidade conhecida como Pinhal de Marrocos. O espaço é amplo, com boa exposição solar e com acessibilidades fáceis. Este Polo II foi construído para alojar os departamentos de engenharia informática, eletrotécnica, mecânica, química e civil, além de duas residências de estudantes e uma cantina.

 

 

 

O plano geral de urbanização é da autoria dos arquitetos Camilo Cortesão e Mercês Vieira, tendo sido selecionado, em 2000, pela Fundação Mies Van der Rohe, para o Prémio da Arquitetura Contemporânea da União Europeia.  Os trabalhos de construção começaram na década de 90, tendo sido convidados para a conceção dos vários edifícios alguns dos nomes mais importantes da arquitetura portuguesa contemporânea. As obras ainda não estão concluídas, estando previstos outros edifícios. Para já, este espaço ainda não tem vida própria, pois falta-lhe a vivência que só uma ocupação habitacional confere ao espaço urbano, apesar de, nas proximidades, se terem construído algumas habitações familiares, além, claro está, das residências universitárias.

 

Residência de Estudantes [Aires Mateus; 1999]

 

 

 

 

 

Esta residência, uma das duas instaladas neste polo, foi projetada pelo gabinete de arquitetura de Aires Mateus. A obra foi concluída em agosto de 1999 e aloja mais de uma centena de estudantes. Este projeto tem sido muito elogiado e obteve vários prémios de arquitetura. O mesmo arquiteto projetou igualmente a cantina que foi inaugurada alguns anos antes da residência, em 1996 e que podemos ver na foto publicada abaixo.

 

 

 

 



Serviços Centrais [Aires Mateus; 2004]

 

 

 

Neste edifício funcionam os serviços administrativos do Polo II, num conjunto arquitetónico formado por três cubos brancos virados para sul, assentes num corpo alongado e rematado, a norte, por um corpo pintado a negro que assenta diretamente sobre o terreno. Os volumes brancos são ocupados pelas salas de aula, laboratórios e gabinetes e o volume negro corresponde ao auditório principal.

 

 

 

 

 

 

Departamento de Engenharia Informática [Gonçalo Byrne; 1994]

 

 

 

 

Gonçalo Byrne é um dos mais renomados arquitetos portugueses, com trabalhos espalhados por todo o país e no estrangeiro. Nós já conhecemos este arquiteto, pois o novo e brilhante edifício do Museu Machado de Castro é da sua autoria. Conhecemos igualmente o edifício novo do hotel da Quinta das Lágrimas, que já visitámos o ano passado, e que tem igualmente a sua assinatura.

 

 

 

 

 

Byrne é igualmente responsável pelo projeto do edifício do departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, em parceria com Manuel Mateus. Este é o maior de todos os edifícios do Polo II. O edifício tem uma longa frente, estando erguido num declive muito acentuado, dividindo-se em dois módulos, abrindo-se ao meio uma escadaria muito grande que permite descer para o nível inferior, virado para o rio. Os dois blocos são todos brancos com janelas muito grandes encimadas por palas que produzem um interessante jogo de sombras sobre a fachada. Os interiores são amplos, espaçosos e muito bem iluminados.

 

 

 

 

O Departamento de Química foi projetado pelo arquiteto conimbricense Vasco Cunha, em 1998 e foi um dos primeiros a ser concluído. Uma grande faixa azul distingue o edifício dos restantes, marcando a paisagem visual de toda a urbanização. Vimo-lo apenas ao longe, pois não realizámos o circuito por todos os arruamentos da urbanização.

 

 

 

Departamento de Engenharia Civil [Fernando Távora; 1999]

 

 

 

O importante departamento de engenharia civil é da autoria de um dos nomes mais importantes da arquitetura portuguesa do século XX, Fernando Távora. Este autor, falecido em 2005, distinguiu-se como professor na Faculdade de Belas-Artes do Porto, bem como no lançamento do curso de Arquitetura em Coimbra. Na nossa cidade, distinguiu-se pelo trabalho de reordenamento da Praça 8 de maio, frente ao mosteiro de Santa Cruz, na sequência do trabalho de recuperação do centro histórico de Guimarães. Foi ainda no seu ateliê que estagiou o famoso arquiteto Siza Vieira.

 

 

 

 

Departamento de Engenharia Mecânica [Manuel Tainha; 1994-95]

 

 

 

Manuel Tainha é outra figura incontornável da arquitetura portuguesa contemporânea. Falecido em 2012, deixou uma vasta obra, sendo a Pousada de Santa Bárbara, em Oliveira do Hospital, uma das primeiras e mais reconhecidas. Este departamento, o primeiro a ser inaugurado neste polo, é uma das obras mais relevantes deste autor que, no entanto, tem sido objeto de acesas polémicas dado o seu estado de degradação, consequência de uma construção deficiente que compromete o projeto original de Tainha, de grande modernidade e depuração de formas.

 

 

 

 

 

Para a redação deste texto servi-me da informação facultado no seguinte sítio eletrónico: http://arquiteturaportuguesa.blogspot.pt

 



publicado por CP às 07:45
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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