Sábado, 08 de Dezembro de 2012

 

 

Um dia, não há muitas semanas atrás, passeávamos nós pelas ruas da Baixa, quando nos cruzámos com o Professor Adelino Marques, Ministro da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, que amavelmente nos convidou a visitar as obras de restauro dos painéis de azulejos do claustro da Igreja do Carmo, na rua da Sofia. Claro que não recusámos o convite e, ontem, realizámos a nossa visita. Fomos recebidos pela Dr.ª Ana Rodrigues, técnica da Signinum, empresa responsável pela condução dos trabalhos de recuperação e conservação.

 

 

 

Em 1541, fundaram-se na rua da Sofia os dois primeiros colégios destinados ao ensino universitário: o Colégio do Espírito Santo, por iniciativa do Cardeal D. Henrique, e o Colégio da Conceição que, poucos anos depois, passaria para a Ordem do Carmo. Este Colégio, fundado por D. Baltazar Limpo, bispo do Porto, foi entregue à Ordem dos Carmelitas Descalços. Numa fase inicial, as obras foram da responsabilidade de Diogo de Castilho. No entanto, o claustro só ficou concluído nos finais do século, quando o célebre Frei Amador Arrais, recolhido neste convento, dirigiu os mestres responsáveis pela conclusão das obras, seguindo o provável traçado de Castilho.

 

  

 

Nos meados do séc. XIX, na sequência da extinção das ordens religiosas e da nacionalização dos seus bens, o colégio foi cedido à Ordem Terceira, que procedeu à adaptação do edifício para instalar um hospital. Atualmente, funciona aqui um lar de idosos.

O claustro tem dois andares, tendo o piso térreo arcadas com colunas jónicas e o andar superior colunas mais pequenas de ordem toscana. As galerias das arcadas inferiores têm as paredes revestidas por painéis alusivos à vida de Elias, o profeta bíblico inspirador do modelo de vida dos que professavam nesta ordem.


 


Ao longo dos anos, pelo passar do tempo e pelo desprezo a que foi votado o edifício, os azulejos foram-se degradando, ao ponto de ficarem em risco. Chegou então um momento em que os responsáveis da Ordem Terceira assumiram a responsabilidade de mandar restaurar este valiosíssimo património artístico. A Dr.ª Ana explicou-nos, em linhas gerais, as diversas fases do trabalho dos técnicos de conservação. Começando por fotografar os painéis, identificam-se as fraturas e defeitos na fixação. Os trabalhos de intervenção são devidamente documentados com o objetivo de se elaborar um dossiê para que, futuramente, se consultem e conheçam todos os trabalhos desenvolvidos.


  


Identificados os danos e estabelecido o plano de intervenção, é altura dos técnicos, altamente especializados e com uma minúcia e paciência inexcedíveis, passarem a uma nova etapa do trabalho. Estudam-se os motivos originais, as cores e o tipo de pincelada, produzindo-se depois réplicas que são cuidadosamente colocadas no painel. Nas fotografias acima publicadas, podemos observar a Andreia e o Filipe a aplicarem as cópias nos painéis, procedendo depois ao enchimento das juntas e aos retoques finais.


 


Concluídos os trabalhos, os pombos passam a ser o principal inimigo dos painéis! Na verdade, os dejetos largados por esta passarada obrigam os técnicos a cobrirem os azulejos com plásticos. Na atualidade, em alguns monumentos urbanos já se instalam dispositivos elétricos com o objetivo de manter afastados os pombos e preservar as obras de arte. No entanto, tudo isto custa dinheiro e o momento atual não consente este tipo de despesas.


 


Finalmente, e após todas estas explicações, subimos ao piso superior onde, sob a orientação da Ana e da Andreia, experimentámos pintar uns azulejos, cujos motivos foram selecionados a partir dos painéis existentes nos corredores do edifício. Foi muito divertido, pois apercebemo-nos do talento, da técnica, do treino e da concentração necessários para a execução destes trabalhos. Aguardamos agora ansiosamente as nossas obras. Para já, agradecemos reconhecidos à Dr.ª Ana Rodrigues e à sua equipa, bem como ao professor Adelino Marques, a oportunidade que nos deram de conhecer o claustro e o colégio e de passar uma tarde muito agradável. 



publicado por CP às 11:59
Sábado, 01 de Dezembro de 2012

 

 

"Motel Coimbra" é o título da exposição que está em exibição no Colégio das Artes até ao dia 7 de dezembro. As obras expostas resultam do trabalho dos alunos finalistas do curso de doutoramento em Arte Contemporânea. A mostra é comissariada pelo pintor António Olaio, que é simultaneamente diretor e responsável académico do curso, e conta com a participação de diversos artistas plásticos com percursos muito distintos. O título dado à exposição, "Motel Coimbra", pretende refletir o modo como o Colégio das Artes acolheu estes estudantes. Isto é, tal como um motel é um local de estadias passageiras durante uma viagem, também este curso pretende ser uma etapa, importante é certo mas breve, do percurso artístico destes criadores aqui reunidos.

 

 

 

Muitos foram os trabalhos que nos detiveram e chamaram a atenção durante a nossa visita. Na impossibilidade de nos referirmos a todos, convidamos os nossos leitores a deslocarem-se ao Colégio das Artes, no próximo dia 7 de dezembro, dia em que a artista e performer Susana Mendes Silva fará a apresentação e montagem de um cubo que constitui o seu contibuto para esta exposição.

 

 

 

Uma das obras de que mais gostámos foi o trabalho de Ana Pérez-Quiroga intitulado day by day #B. Trata-se de um quadrado de 2 m x 2 m constituído por 16 quadrados coloridos feitos de seda e unidos através de fechos de correr, também eles multicoloridos. Segundo a artista, a seda é a matéria que evoca o Oriente, sendo o objetivo deste trabalho suscitar a união com o Ocidente. Os quadrados podem refazer-se livremente, sendo possível reordenar a sequência cromática de várias maneiras. É até possível vender a obra separadamente! Desta forma, cada uma das pessoas que vier a adquirir um dos 16 quadrados de seda ficará ligado aos restantes, ainda que fisicamente distantes, através da criatividade da autora.

 

 

 

Alice Geirinhas (Évora, 1964) é mais conhecida pelo seu trabalho como ilustradora e apresenta aqui uma tela acrílica de grandes dimensões (2 m x 3 m) representando-se com as suas duas filhas estiradas num sofá, daí o título Alice, Camila e Clara. Este trabalho integra-se num conjunto de seis obras realizadas a partir de fotografias de guerra, pelo que devemos imaginar um cenário de horror e sofrimento que contrasta com a imagem de conforto, união e amor. Só através do olhar do auto-retrato da autora podemos descortinar a crueldade das imagens da guerra. Defronte da tela, Alice Geirinhas colocou uma vitrine contendo objetos que foi recolhendo durante o período que durou o seu doutoramente no Colégio das Artes, essencialmente livros, agendas, revistas aludindo às memórias da sua infância e juventude que remetem para um universo feminino e para a condição da mulher no período do Estado Novo.

 

 

  

O projeto Empty Cube, da autoria de João Silvério, é aqui apresentado por uma maqueta da estrutura que constiutui a proposta do artista, cujo desenvolvimento podemos ver num vídeo que acompanha o modelo, bem como numa série de documentos e textos onde o autor fundamenta as suas opções estéticas.

 

 

João Bicker é um conceituado designer gráfico, já premiado internacionalmente em diversos ocasiões e que apresenta aqui o seu trabalho na conceção de capas de livros, utilizando apenas duas cores - o preto e o vermelho - sobre um fundo branco.

 

 

José Maçãs de Carvalho, artista que tem na fotografia e no video as suas principais formas de expressão, apresenta um filme de 5 minutos, intitulado Arquivo e Nostalgia, que é afinal um conjunto de fotografias da cidade de Hong Kong, acompanhado por sons que evocam a infância. As imagens fixas de alta definição sucedem-se mostrando o movimento dos barcos, captando as diversas horas do dia e as mudanças de luminosidade, tal como o reflexo da luz, natural e artificial, no espelho de água.

 

 

 

Muitas outras obras captaram a nossa curiosidade, como podemos avaliar pela imagem que mostra a Carolina e o Eduardo concentrados numa espécie de diálogo com os objetos de uma instalação. É esta a atitude que pretendemos promover, ou seja, abrirmo-nos ao universo simbólico dos artistas, tentando penetrar nesta linguagem estética e neste mundo da arte. Se assim fizermos, ficaremos sempre mais enriquecidos e capazes de entender melhor o Mundo em toda a sua diversidade e complexidade, graças à criatividade dos autores que nos convidam sempre a participar na contemplação e interação com as suas criações artísticas.

 

 

Luísa Bebiano Correia: projeto de arquitetura para o interior de uma clínica de estética (fotografia e maqueta)

 

 

 

O Dani e o José Afonso diante de uma composição musical composta e interpretada por José Valente 

e reproduzida em video realizado pelo próprio. Trabalho intitulado «Um velho na montanha».



publicado por CP às 11:35
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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