Domingo, 30 de Setembro de 2012

 

 

Cá estamos para mais um ano! No dia 28, iniciámos as nossas atividades com uma visita ao edifício do Chiado, do Museu Municipal. Já somos uns clientes habituais. Desta vez, fomos conhecer uma exposição de pintura de Balbina Mendes, intitulada Máscaras Rituais do Douro e Trás-os-Montes, que está patente neste museu até aos finais do mês de outubro. Notámos a falta de alguns amigos que, ou porque mudaram de escola ou porque não têm horário disponível, não podem frequentar o clube este ano. Temos pois algumas vagas e, em breve, apresentaremos alguns novos sócios.

 

 

Balbina Mendes é uma pintora transmontana nascida em 1955, em Malhadas, próximo de Miranda do Douro. Expôs pela primeira vez em 1989, no Porto e, desde então, tem exibido os seus quadros em diversos locais, estando representada em muitas coleções. Esta exposição remete-nos para as tradições da sua região de Trás-os-Montes. Os caretos, segundo nos ensinou a professora Fernanda, são umas figuras de rapazes mascarados que, usando fatos às riscas coloridas e transportando guizos e chocalhos barulhentos, em certas alturas do ano, nomeadamente no Carnaval, correm pelas aldeias do nordeste fazendo muito ruído, batendo violentamente nas portas das habitações, num ritual cujas origens se perdem no tempo.

 

 

 

Na verdade, julga-se que esta tradição remonta aos tempos célticos, sendo um ritual pagão que resistiu à passagem do tempo e chegou aos nossos dias. Normalmente, são os rapazes das aldeias que se mascaram e correm pelas ruas. No entanto, hoje em dia, por trás das máscaras já há muitas raparigas. Estas aldeias transmontanas vão-se desertificando e os costumes vão-se adaptando aos novos tempos.

 

 

As máscaras são muito coloridas, feitas de diversos materiais, desde a palha, à cortiça, madeira e fibras têxteis. Os mascarados permanecem irreconhecíveis, pelo que raramente falam a não ser através de urros e guinchos. Por vezes, distorcendo a voz, fazem acusações às figuras mais conhecidas da aldeia, lançam críticas e parodiam algumas situações da vida comunitária. Chegam a usar uma linguagem imprópria em situações sociais normais, levantam as saias às raparigas e expõem aos ouvidos de toda a gente os segredos mais íntimos e os boatos que, ao longo do ano, foram surgindo na aldeia.

 

 

 

Durante estas arruadas, os caretos podem dizer tudo o que lhes apetece e as ofensas são desvalorizadas, gozando os rapazes, escondidos atrás das máscaras, da impunidade que lhes dá a liberdade de gritarem e proferirem todas as insinuações que bem entenderem. São uns verdadeiros diabos à solta que espalham o ruído e a algazarra por toda a aldeia, perturbando a ordem, o sossego e a rotina que caracteriza a  vida da comunidade ao longo do ano.

 

 

Estas festividades assinalam então uma alteração na vida destes espaços rurais transmontanos, determinando o fim de um ciclo e o eterno reiniciar de mais um ciclo agrícola. O Carnaval corresponde, no quotidiano agrícola, ao fim dos tempos invernosos e ao anúncio do despertar da primavera. Por outro lado, é também o tempo que precede a Quaresma, tempo de recolhimento e preparação para a Páscoa. Estes rituais marcam então simbolicamente os ritmos da vida destas comunidades transmontanas e, vindos desde tempos imemoriais, mantém o seu carácter pagão, ainda que se tendo adaptado ao calendário cristão.

 

 

 

No final, ainda tivémos tempo para assistir a uma projeção de um pequeno video que nos deu a conhecer a realidade deste mundo das aldeias de Trás-os-Montes. Antes de regressarmos à escola, passeámos pela Baixa da cidade na esperança, não concretizada, de encontrarmos uma vendedora de castanhas. Mas não tivemos sorte, ainda é cedo, pelo que apanhámos o autocarro a pensar nos magustos que, lá para os finais de outubro, nos farão recordar novamente as terras do nordeste, também famosas pelas suas castanhas.



publicado por CP às 08:04
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