Domingo, 10 de Junho de 2012

 

 

Para assinalar o encerramento das atividades do clube este ano letivo, decidimos rumar ao Parque Verde da cidade para passar uma tarde de brincadeira e descontração.

 

 

 

Foi um ano cheio de aventuras e passeios. Para os que entraram este ano na nossa escola e agora se aprestam para transitar para o 6º ano, foi o dobrar de uma etapa importante das vossas vidas que podemos, desde já, dar por ultrapassada com sucesso. Para os outros, foi a confirmação de um caminho que ainda reserva alguns desafios que, estamos certos também, serão igualmente superados com alegria e determinação.

 

 

 

Na hora final do balanço deste ano letivo, é indiscutível que os aspetos positivos e as alegrias que vivemos fazem esquecer as pequenas dificuldades e problemas com que nos defrontámos. É hora de celebrar a amizade e o espírito de grupo que desenvolvemos no nosso clube.

 

  

 

Tenho a certeza que, pela vossa vida fora, recordarão os bons momentos que passámos na nossa escola e no nosso clube. Celebremos então estes momentos.

 

 

 

Os sócios mais "velhos", aqueles que se aprontam para entrar no 8º ano, podem já considerar-se como "veteranos" do clube e testemunham bem um trajeto que nós pretendemos repetir com os mais novos. É por isso que, para o ano, que é já em setembro, contamos com todos para recebermos os novos sócios, integrando-os neste espírito de camaradagem e alegria.

 

 

 

Para a próxima semana, ficaremos na escola. Quem quiser  ficar com as fotografias das diversas visitas que realizámos ao longo do ano, deve levar uma pen drive. Depois, a partir das 17:00, será a festa de encerramento do ano letivo. Contamos com a presença de todos vós, bem como dos vossos familiares, para, todos em conjunto, festejarmos este ano que agora finda.

 

 

 

Restam-nos pois as despedidas. Os professores do clube do Património desejam a todos os sócios, familiares e amigos umas excelentes férias cheias de saúde, diversão e muitas visitas a museus e monumentos. Em setembro, cá vos esperamos para mais um ano cheio de alegria, aventura e amizade.

 



publicado por CP às 10:53
Domingo, 03 de Junho de 2012

 

© Prof.ª Ana



publicado por CP às 19:49
Domingo, 03 de Junho de 2012

  

Este ano, a viagem final na companhia dos familiares e amigos do clube foi a Viseu. Pretendíamos conhecer o Museu Grão Vasco, visitar a exposição comemorativa dos 850 anos do falecimento de S. Teotónio, patrono da diocese e da cidade, bem como passear pelas ruas do centro histórico, acabando com um piquenique na mata do Fontelo. O grupo era excelente e a organização coube à Dr.ª Conceição, também ela oriunda desta cidade. 

 

 

 

O Museu Grão Vasco localiza-se em pleno centro medieval, num antigo palácio dos finais do séc. XVI, anexo à sé. O edifício é construído no típico granito beirão, o que lhe dá uma peculiar imagem de robustez e monumentalidade. O museu foi fundado em 1916, embora só em 1938 se tenha instalado no atual prédio, tendo desde logo como principal atrativo as obras do célebre pintor renascentista Vasco Fernandes (c. 1475-1542), mais conhecido por Grão Vasco. Em 2003, ficaram concluídas as obras de remodelação da responsabilidade do consagrado arquiteto Eduardo de Souto Moura. À chegada, fomos recebidos por uma simpática senhora dos serviços educativos que nos guiou pelas várias salas do museu.

 

Como dentro do museu não estão autorizadas fotografias, remetemos os nossos leitores para a visita virtual. Começámos o circuito na sala dedicada à liturgia e devoção na Idade Média, onde se destacam algumas esculturas em pedra de Ançã e madeira, bem como alguma alfaia religiosa e uma casula. A sala designada Diáspora é dedicada aos Descobrimentos, bem como à difusão da arte, cultura e religião europeias nos territórios ultramarinos. De entre as peças expostas, merece menção uma magnífica píxide em marfim, destinada a guardar as hóstias sagradas, produzida na costa ocidental africana. Esta peça está classificada como monumento nacional. 

 

  

 

 

Percorremos depois o restante circuito museológico, atravessando as salas consagradas à cerâmica e ourivesaria, a sala dos relicários e a sala da pintura portuguesa. Ao longo de todo o caminho fomos apreciando uma exposição do artista plástico contemporâneo Rui Macedo, intitulada «Caleidoscópio», cujas peças dialogavam num contraste provocador com as da coleção do museu.

 

 

 

No piso superior, encontramos então a atração principal: as obras de Vasco Fernandes, bem como dos seus colaboradores e contemporâneos. Grão Vasco é o mais celebrado dos pintores nacionais, nada se sabendo sobre as suas origens familiares e formação artística. A sua fama foi tão grande que lhe foram sendo atribuídas muitas obras ao longo dos séculos. No entanto, sabemos hoje que a sua produção, embora vasta, não ultrapassará muito a centena de trabalhos. Protegido de vários bispos beirões, entre os quais o famoso D. Miguel da Silva, manteve ativa uma oficina de pintura em Viseu durante cerca de quatro décadas.

 

 

 

A nossa guia centrou-nos especialmente na contemplação e análise do antigo retábulo da Sé de Viseu. São 14 tábuas, restantes de um total original de 18, obra provável de Francisco Henriques (1500-1506) que marca o início da oficina de Viseu. Assim se terá iniciado Vasco Fernandes.

As tábuas contam a vida de Cristo como se fosse uma banda desenhada. Lendo da esquerda para a direita e começando da fileira inferior, começamos pela cena da Anunciação, terminando no Pentecostes, no canto superior direito.

 

 

 

O S. Pedro é o trabalho mais famoso de Grão Vasco e constitui, podemos dizer, o centro do museu. Para entender o valor excecional deste trabalho, cito as palavras de Dalila Rodrigues, estudiosa deste pintor e antiga diretora do Museu: «A poderosa rotundidade escultórica do volume da figura, a eloquência do gesto e do olhar, ambos dirigidos ao espaço infinito do espectador, a par de outras inteligentes estratégias de representação, fazem do S. Pedro o chefe espiritual da Cristandade», de acordo com as doutrinas políticas do encomendante desta obra, o bispo D. Miguel da Silva.

 

 

 

A exposição dedicada a S. Teotónio, patente na sala de exibições temporárias, evoca o papel desta personagem nos tempos da fundação do reino. Teotónio foi um dos fundadores do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e desempenhou papel de primordial importância no processo de independência de Portugal. Esta exposição segue a narração biográfica de uma obra escrita por um discípulo do santo intitulada Vita beatissimi domni Theotonii.

 

 

 

Concluída a visita e feitos os agradecimentos, reunimo-nos no exterior, em torno do cruzeiro, para escutarmos a Dr.ª Conceição a contar a história dos edifícios envolventes, com destaque para a Sé e para a igreja da Misericórdia. De seguida, rumámos ao claustro renascentista da Sé.

 

 

 

Foi então ocasião para conversarmos um pouco mais demoradamente sobre a notável figura do já mencionado D. Miguel da Silva. Natural de Évora, figura ímpar do humanismo renascentista em Portugal, era um homem viajado e tinha sólida cultura erudita. Foi embaixador do rei D. Manuel na corte papal, escrivão de D. João III, cardeal e bispo de Viseu a partir de 1526, após ter regressado de Roma, onde permanecera desde 1514, privando nos  círculos cultos da cidade.

 

 

 

Uma vez regressado e instalado na cidade beirã, exerceu uma importante ação mecenática, favorecendo a carreira do pintor Vasco Fernandes. Consigo trouxe um arquiteto privativo, chamado Francesco de Cremona, que trabalhara nas obras da catedral de S. Pedro, no Vaticano. É a este arquiteto que se deve o traçado deste magnífico claustro, o mais belo exemplar da arquitetura renascentista no nosso país.

 

 

 

Nas palavras de Rafael Moreira, esta obra demonstra uma conceção espacial tão avançada que bem se pode afirmar como «um pedaço da Roma clássica transportado para a paisagem beirã», muito distante dos modelos manuelinos anteriores. Aqui, não há lugar para a exuberância decorativa e propagandística da arte de D. Manuel. Pelo contrário, domina o sentido da racionalidade, do equilíbrio e da harmonia contida em modelos reinterpretados a partir da antiguidade clássica.

 

 

 

Com a barriga cheia de arte e arquitetura, chegou a hora de nos pormos a andar, pois a manhã já ia longa e estávamos a precisar de outras substâncias mais nutritivas. Antes porém, deixámo-nos guiar pelas ruelas do centro histórico, aproveitando uns rochedos que alicerçam o edifício da Sé para cabriolar um pouco. Não há como resistir a este chamamento do instinto: se há pedras para trepar, a malta trepa!

 

  

 

A caminho do Fontelo, ainda houve tempo e atenção para sentir o ambiente da rua Direita, a rua das Tendas medieval, centro da atividade comercial da cidade deste os tempos de S. Teotónio! Vimos o arruamento onde foi antes a antiga judiaria, vimos os restos da antiga basílica paleocristã, admirámos algumas belíssimas janelas manuelinas e, já esfomeados, chegámos por fim à bonita mata do Fontelo. Fizémos uma pausa no Património, abancámos e partilhámos os nossos farnéis.

 

 

 

A mata do Fontelo ocupa uma vasta área da cidade, estando integrada na antiga Quinta do Paço dos Bispos, que conheceu o seu momento áureo no tempo de D. Miguel da Silva. Neste parque abundam muitas árvores, nomeadamente castanheiros e carvalhos, por onde se passeiam alguns exuberantes pavões. Hoje, esta mata constitui a principal zona verde de Viseu e está equipada com muitas infraestruturas para a prática desportiva e para o lazer.

 

  

 

O Paço do Fontelo, recentemente restaurado, é um edifício de planta rectangular de dois pisos, cuja construção remonta ao século XV. D. Miguel da Silva fez deste Paço uma corte de eruditos, tal como aprendera na Itália renascentista. Não pudemos visitar o interior, pois estava encerrado, mas sabemos que foi decorado com pinturas do século XVI que estão hoje no Museu Grão Vasco. No exterior, D. Miguel construiu jardins à maneira das villae italianas, com pequenos lagos e vegetação luxuriante. Após a implantação da República, o Paço foi usado para fins militares, sendo recentemente reabilitado como Solar do Vinho do Dão.

 

 

 

E eis que, já com alguns chuviscos a ameaçar, chegámos ao fim do nosso passeio. Resta-nos agradecer a presença de todos os familiares dos sócios do clube, dos professores e da D. Fátima, já que aos sócios não se agradece. Pela mesma razão, também não devíamos agradecer à professora Conceição, mas como o dia foi tão agradável e a ela o devemos, temos que deixar aqui expressa a nossa gratidão: obrigado!

 



publicado por CP às 10:29
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
mais sobre mim
Junho 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO