Sábado, 24 de Março de 2012

 

 

O Arquivo da Universidade de Coimbra localiza-se na Alta da cidade, na rua de S. Pedro, próximo da Biblioteca Geral. Este arquivo, além da guarda dos documentos que testemunham a antiquíssima história da Universidade, cumpre igualmente as funções de Arquivo Distrital. Nesta nossa visita, contámos com a presença da Sara, uma professora estagiária que nos acompanhou ao longo desta tarde muito bem passada.

 

 

 

Fomos recebidos pela Drª. Ludovina e pela D. Ana, na sala D. João III. Esta sala tem o nome do rei que, em 1537, fixou a Universidade em Coimbra. A Drª. Ludovina contou-nos a história da fundação dos Estudos Gerais no tempo do rei D. Dinis, em 1290, bem como as peripécias ocorridas até se instalar definitivamente em Coimbra. O documento fundador do tempo do rei Lavrador é uma das preciosidades guardadas neste arquivo. Como é muito valioso e muito antigo não o pudemos ver, mas contentámo-nos com uma reprodução.

 

 

 

Estes documentos antigos são muito sensíveis, pois têm centenas de anos. O mais antigo documento aqui guardado é um pergaminho da Colegiada de Guimarães, datado de 983! Estas preciosidades são conservadas em condições especiais com controlo de luminosidade, temperatura e humidade. Mesmo para os manusear são necessários cuidados muito especiais. As mãos transportam micro-organismos que podem sujar os documentos, mesmo de forma invisível, e assim contribuir para a sua deterioração. Por isso, os arquivistas manuseiam os documentos mais antigos utilizando luvas brancas.

 

 

 

Estes cuidados não foram necessários para folhear o livro de registos de batismo de S. Bartolomeu de Coimbra relativo ao ano de 1869. Nesse ano, mais exatamente no dia 21 de abril, pelas 4 horas da tarde, foi batizado um indivíduo do sexo masculino, de nome Eugénio, nascido a 4 de março, pelas 10:00 da noite, na rua da Calçada, da freguesia de S. Bartolomeu, filho legítimo do Dr. Luiz da Costa e Almeida e de D. Ermelinda de Castro Freire da Costa e Almeida. Trata-se, como já devem ter adivinhado, do registo de batismo do poeta Eugénio de Castro, professor da Faculdade de Letras da Universidade e patrono da nossa escola! Foi esta surpresa que a Drª. Ludovina nos tinha preparado. No registo, mencionam-se ainda os padrinhos da criança, além do nome dos avós paternos e maternos. A consulta destes registos é um dos serviços mais requisitados neste arquivo, quer por investigadores históricos, quer por simples curiosos interessados em reconstituir a sua genealogia familiar.

 

 

 

Uma das coisas mais interessantes que aprendemos foi sobre a evolução dos suportes da escrita, destacando o pergaminho e o papel. Vimos, por exemplo, um livro de matrículas das primeiras décadas dos séc. XVI, bem como os estatutos da Universidade de 1503, do tempo do rei D. Manuel, escritos sobre pergaminho, e vimos depois os estatutos filipinos, do tempo de D. Filipe II, já escritos em papel. Interessante também foi a história da evolução dos instrumentos de escrita, desde as penas de ganso até as atuais esferográficas.

 

 

 

Na fotografia acima publicada podemos observar o desenrolar de um pergaminho. Os livros não eram a única maneira de guardar a escrita, se é que assim podemos dizer. Os pergaminhos enrolados eram outro processo de conservar os textos manuscritos. A ciência que se dedica ao estudo destes documentos é a Diplomática, enquanto a Paleografia se dedica ao estudo da escrita e da sua evolução. São duas disciplinas indispensáveis aos candidatos a arquivistas. A Faculdade de Letras disponibiliza, desde há uns anos, um curso de licenciatura em Ciência da Informação Arquivística e Biblioteconómica.

 

 

 

Nas vitrinas em redor da sala estão expostos outros documentos muito interessantes, destacando-se uma Breve do Papa Paulo IV, datada de 1559, dando autorização para a criação de uma universidade em Évora. Vimos depois muitos documentos antigos e interessantes, como um foral manuelino ou um livro de registos de um mosteiro medieval com milhares de páginas escritas com uma letra muito miudinha e cuidadosa, que muito nos impressionou. 

 

 

 

Após esta palestra inicial, visitámos as instalações do Arquivo. Esta instituição está localizada neste edifício desde 1948, quando se realizaram as obras da Cidade Universitária, no tempo do Estado Novo. Foram as primeiras instalações construídas no nosso país para serem um arquivo, e estavam dotadas com os mais modernos equipamentos e condições de segurança, nomedamente os corta-fogos, que são dispositivos que isolam as diferentes secções do edifício, para evitar a propagação de incêndios, na eventualidade de um acidente.

 

 

 

Dos depósitos passámos à sala de leitura, onde se observa um rigoroso silêncio, quase conventual. Aqui, os professore, estudantes e investigadores universitários, para além do público em geral, consultam os documentos que requisitaram previamente.

 

 

 

A sala das certidões e do catálogo guarda um enorme ficheiro onde é possível pesquisar a localização de diversa documentação antiga, como escrituras a outros documentos notariais, importantes quer para as investigações históricas, quer para outros assuntos do quotidiano. O Arquivo disponibiliza a consulta e a cópia dessa documentação e organiza toda a informação neste catálogo de pesquisa, caso contrário seria absolutamente impossível aceder aos documentos.

 

 

 

A nossa visita concluiu-se no piso superior do Arquivo, onde está guardada uma arca que foi, verdadeiramente, o primeiro Arquivo da Universidade de Coimbra. Foi mandada fazer pelo rei D. João III em 1540, no reitorado de D. Agostinho Ribeiro e aqui se guardava o espólio documental da Universidade quando foi transferida para Coimbra em 1537. O tampo é pesadíssimo e só com muito esforço as nossas guias o conseguiram erguer momentanemanete para que espreitássemos o seu interior, agora vazio.

 


 

Antes do regresso à escola e dos agradecimentos devidos à Drª. Ludovina pela sua amabilidade e hospitalidade, assinámos o livro de visitas, para que no futuro distante, quem sabe daqui a 400 ou 500 anos, as nossas assinaturas constem neste arquivo como testemunho da nossa visita ao Arquivo da Universidade de Coimbra:

 

 

 



publicado por CP às 10:45
Sábado, 10 de Março de 2012

 

O Clube do Património continua com as visitas preparatórias com vista à criação de um clube de rádio na nossa escola, aproveitando o entusiasmo de alguns sócios. Desta vez, deslocámo-nos ao edifício da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra para visitarmos os estúdios da Rádio Universidade de Coimbra, a RUC. Contámos com a participação de dois convidados especiais: a profª. Ana Caetano, docente de Fisíca e Química do 7ºE, que nos prepara uma visita aos Laboratórios da FCTUC lá para o 3º período, e o prof. António Couceiro, o nosso diretor, que se responsabilizou pela filmagem do passeio [1 - 2]. Obrigado a ambos pela vossa participação e boa disposição!

 

 

 

Fomos recebidos e guiados pelo Gonçalo, que nos levou pelas minúsculas salas onde os estudantes da RUC lançam todos os dias a emissão. A RUC está no ar, há 26 anos, na frequência 107.9 FM. O Gonçalo disse-nos que a cobertura desportiva das equipas da AAC, nomeadamente da secção de futebol, é o programa onde esta rádio universitária é mais reconhecida pelos habitantes da cidade. No entanto, a RUC produz um serviço noticioso, além de um variadíssimo programa musical, bem como entrevistas em estúdio e outros trabalhos de reportagem no exterior. A RUC apoia e difunde muitos outros acontecimentos culturais da cidade, nomeadamente os relacionados com os estudantes e a Academia, como é natural.

 

 

 

A RUC promove todos os anos cursos de formação nas diferentes áreas da produção radiofónica: locução e realização, informação e técnica de radiodifusão. Estes cursos estão vocacionados para o público estudantil, mas estão igualmente abertos a todos os interessados em aprender a trabalhar nesta área, incluindo os estudantes do ensino básico e secundário. Alguns amigos do nosso clube ficaram muito entusiasmados com esta oportunidade e adivinha-se já que, lá para setembro, surjam aqui alguns candidatos à frequência destes cursos. Basta estarem atentos à página da internet da RUC onde estas iniciativas serão divulgadas.

 

 

 

O Miguel (no lado direito da fotografia com o pescoço esticado a olhar para o computador) é um jovem estudante de Medicina que concilia os seus estudos com o apoio técnico à emissão da RUC. Esta foi uma das lições mais importantes que aprendemos com o Miguel e com os estudantes da RUC: é que é possível conciliar os estudos universitários com outras atividades culturais e recreativas. A frequência de uma escola e de uma universidade não se pode limitar ao estudo e aos exames, a formação dos jovens deve ser alargada a outros domínios e enriquecida com atividades diversas e úteis à comunidade. 

 

 

 

Passámos depois ao estúdio onde decorria uma emissão musical. Este é o estúdio 1, pois a RUC possui dois estúdios. Por um lado, para garantir a emissão na eventualidade de um impedimento qualquer afetar um dos estúdios, por outro lado, permite-se a gravação de entrevistas e outros trabalhos que serão transmitidos em diferido, enquanto o outro estúdio assegura a emissão. No momento em que visitámos o estúdio 1, estava no ar uma seleção musical da responsabilidade de um colaborador, cujo nome não fixei. Foi aqui que alguns dos nossos sócios sentiram o bichinho da rádio a morder e mal contiveram a vontade de assumir o controlo da emissão.

 

 

 

Como rádio universitária que é, as emissões da RUC destinam-se a um público jovem, cultivando por isso aquele que é o traço principal da imagem da emissora: o humor e a irreverência. Na verdade, reina em todo o ambiente um ar de informalidade e descontração e a boa disposição transparece em todo o lado. Isso mesmo pudemos constatar quando visitamos uma minúscula sala, como todas as outras, onde dois produtores musicais preparavam as emissões e procediam à seleção dos CD entre as centenas e centenas de discos que se acumulavam por todas as estantes!

 

 

 

Finalmente, concluímos a nossa visita com uma passagem pela sala da redação da informação. Aqui, os redatores da RUC preparavam o noticiário das 17:00, recorrendo aos serviços das agências noticiosas, bem como aos jornais do dia, além de outras notícias da cidade e da academia preparadas pelos próprios. Como estavam muito atarefados defronte dos seus computadores, não nos demoramos muito e despedimo-nos agradecidos por nos terem dado esta oportunidade. Não esqueçam, sintonizem a RUC em 107.9 FM!

 



publicado por CP às 08:13
Sábado, 03 de Março de 2012

 

 

O Museu Botânico da Universidade de Coimbra está instalado nos espaços do antigo colégio de S. Bento, junto aos Arcos do Jardim, estando hoje incluído no Museu da Ciência. Este edifício, que acolhe ainda na outra ala o Museu de Antropologia, começou a ser construído no último quartel do séc. XVI. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, aqui passou a funcionar um Liceu masculino e, posteriormente, o Liceu feminino. Existia uma bela igreja, anexa ao antigo colégio religioso, que, no entanto, foi demolida já no séc. XX.

 

 

 

Este museu é o complemento natural do Jardim Botânico. A sua fundação remonta, tal como os outros museus da Universidade, aos tempos da reforma pombalina de 1772. Os estudos científicos levaram à criação de um museu dedicado ao ensino da Botânica, objetivo que se concretizou em 1863. A iniciativa coube aos professores Júlio Henriques e António Vidal. Inicialmente, o Museu não estava aqui instalado, o que só aconteceu em 1911. Nos anos 40 do séc. XX, as instalações foram remodeladas e o museu passou a dispor da enorme sala que hoje abriga as coleções botânicas que nós visitámos.

 

 

 

Fomos recebidos pela Alexandra, uma jovem e simpática estudante de Biologia, que nos guiou pelas diversas secções e mostruários que constituem a atual exposição permanente intitulada «As plantas e nós». O objetivo deste percurso é «despertar nos visitantes o gosto pelas plantas, bem como chamar a atenção para a importância que elas têm na nossa vida.» Assim, ficámos a saber mais sobre as plantas e a biodiversidade, bem como os usos que fazemos das plantas nos mais variados domínios, desde a alimentação e saúde à indústria e atividades transformadoras.

 


 

Começámos por destacar, naturalmente, a importância das plantas na nossa alimentação. A Alexandra lembrou mesmo que a nossa dieta deveria incluir muitos vegetais, o que não agradou lá muito aos nossos sócios. Falámos dos cereais, das leguminosas, dos tubérculos, frutos e outras plantas comestíveis. Lembrámos ainda que muitos dos frutos e vegetais que hoje constituem a base da nossa alimentação quotidiana não eram conhecidos na Europa antes da descoberta das Américas, como é o caso da batata.

 

 

 

Falámos depois das plantas estimulantes como o café ou o chá, bem como as especiarias. Vimos amostras das mais variadas especiarias como o açafrão, a canela, a pimenta ou o cravinho. A Alexandra mostrou-nos uma amostra de cravinho, salientando as suas capacidades desinfetantes.

 

 

 

Debruçámo-nos seguidamente sobre os usos das plantas na atividade transformadora. Desde o linho ao algodão, da madeira, à cortiça e às resinas, são inúmeras as aplicações industriais das matérias-primas fornecidas pelas plantas. A nossa atenção centrou-se na borracha e, principalmente, na cortiça, dado que é um recurso abundante em Portugal. 

 

 

 

Os usos medicinais das plantas são muito antigos. As plantas possuem capacidades curativas para as mais diversas doenças e maleitas que, desde sempre, têm afetado o Homem. São imensas as suas aplicações. A Alexandra falou-nos do ópio, sintetizado a partir da papoila e que tem aplicações medicinais muito diversas, bem como da quinina, utilizada principalmente no combate à malária.

 

 

A coleção integra ainda modelos de plantas de diversas origens, elaborados para fins didáticos e que têm grande valor museológico. Ficámos particularmente fascinados com os modelos das plantas carnívoras, bem como uma pinha que pesava sensivelmente 5 quilogramas!

 

 

 

De entre as peças mais exóticas, a nossa atenção centrou-se na raiz de uma welwitschia mirabilis, uma enorme planta do deserto de Moçâmedes e da Namíbia, no sul de Angola. Vimos ainda uma secção de enorme tronco onde são visíveis os diversos anéis de crescimento de uma árvore com mais de 200 anos de vida. É possível, a partir da análise dos anéis, proceder a estudos de datação e até climatológicos. Esta ciência chama-se a dendrocronologia.

 

 

No entanto, a curiosidade mais interessante foi o rabo que a Alexandra nos mostrou. Bom, quer dizer, a nossa monitora mostrou-nos foi um exemplar do chamado coco-do-mar ou coco das Maldivas. Trata-se do fruto de um coqueiro que cresce nas ilhas do oceano Índico e que aparenta a forma de umas nádegas pelo que é vulgarmente designado coco-das-nadegas. Parece que os marinheiros portugueses se divertiam muito quando encontravam estes cocos a flutuar nas águas oceânicas e Luís de Camões cita mesmo o fruto no canto X d' Os Lusíadas. Despeço-me então com o rabo do coco. Até para a semana!

 

 

 

 



publicado por CP às 08:23
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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