Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

 

 

Em 1326, a rainha D. Isabel adquiriu ao mosteiro de Santa Cruz duas fontes para abastecer de água o mosteiro de Santa Clara.  A quinta aqui extistente era então chamada do Pombal e só a partir de meados do séc. XVIII começou a denominar-se Quinta das Lágrimas.

 

 

 

Ao que parece, terá sido Luís de Camões quem inventou a lenda dos amores de D. Pedro e D. Inês de Castro neste local. De igual modo se fundou a lenda de que aqui terá ocorrido o assassinato de D. Inês. Esta crença popular justificava-se com a existência de uma lápide de pedra, mandada gravar em 1810 por um coronel inglês chamado Nicholas Trant, quando aqui esteve acompanhando Arthur Wellesley nas guerras peninsulares e que seria depois nomeado governador da cidade de Coimbra. 

 

 

 Essa lápide recorda os conhecidos versos de Camões n' Os Lusíadas, evocando o episódio de Inês de Castro:

 

As filhas do Mondego a morte escura

Longo tempo chorando memoraram,

E, por memória eterna, em fonte pura

As lágrimas choradas transformaram.

O nome lhe puseram, que inda dura,

Dos amores de Inês, que ali passaram.

Vede que fresca fonte rega as flores,

Que lágrimas são a água e o nome Amores.

 

 

 

A verdade é que a morte de Inês de Castro, no dia 7 de Junho de 1355, ocorreu nos antigos paços régios junto ao mosteiro de Santa Clara, do qual só já restam alguns vestígios. No entanto, a lenda permanece mais forte do que a força dos factos, e os turistas continuam a visitar a Fonte das Lágrimas, a ler os versos de Camões e a comover-se com a memória do sangue derramado e a lenda das algas vermelhas a assinalarem o triste fim da amante de D. Pedro. Não há nada a fazer, lendas são lendas!

 

 

 

No século XIV, este espaço era ocupado por uns moinhos pertencentes ao mosteiro de Santa Cruz. Só em 1650 é que foi construído o grande lago que acolhe as águas da fonte e as encaminhava, através de um canal, para mover as pesadas mós de um lagar de azeite situado um pouco abaixo, no local onde hoje estão as dependências do hotel.

 

 

A lenda tornou-se então mais forte do que as evidências históricas e inúmeros têm sido os artistas que colhem aqui inspiração. Os amores de Pedro e Inês tornaram-se famosos não apenas no nosso país. O romantismo literário, principalmente no séc. XIX, fez destes episódios lendários um dos temas preferidos de escritores e poetas. Mas também os pintores se deixaram comover e inspirar por estes amores trágicos e por este lugar misterioso. Deixo-vos dois exemplos:

 

 Cristino da Silva: Fonte dos Amores, Quinta das lágrimas; 1871; Museu do Chiado; Lisboa

 

 

 Francisco Metrass: Inês de Castro Pressentindo os Assassinos; 1855; Museu do Chiado; Lisboa

 

O general Arthur Wellesley, comandante das tropas luso-britânicas que combateram os invasores franceses nos inícios do séc. XIX,  foi um dos mais célebres hóspedes da Quinta e terá mesmo mandado plantar algumas sequóias gigantes que hoje são uma das atrações do jardim. Foi ainda no século XIX, por volta de 1850, que foram edificados uma porta e um arco neogóticos.

 

 

Os jardins são muito bonitos e foram recentemente requalificados e acrescentados. Neste arranjo paisagístico, merece destaque o anfiteatro Colina de Camões, da autoria de Cristina Castelo Branco, que foi premiado em 2008. Daqui podemos usufruir de umas vistas magníficas e desfrutar dos encantos deste espaço único.

 

 

Claro que a rapaziada quando descobriu que no lago havia lagostins, logo se desinteressou do Camões e da Inês mais o seu namorado, esqueceram-se do Wellesley e das sequóias e dedicaram-se todos à árdua tarefa de caçar um lagostim com um pau, chapinhando na água e na lama.

  

 

Para terminar, percorremos os trilhos do jardim, subindo e descendo as colinas em correrias desenfreadas, para gastar as energias acumuladas. E assim nos despedimos da Quinta das Lágrimas. Para a semana visitaremos a galeria botânica do Museu da Ciência. Até lá!



publicado por CP às 07:47
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

O Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) é uma associação cultural sem fins lucrativos, fundada em 1958, que pretende sensibilizar o público para a Arte Contemporânea. Faz parte da Academia, ainda que mantenha autonomia administrativa e financeira.

 



As instalações do CAPC situam-se no piso térreo da Casa Municipal da Cultural, entrando-se pelo Jardim da Sereia. Por isso, aproveitámos para ver as esculturas de Rui Chafes, escultor já nosso conhecido desde que visitámos o Centro de Artes Visuais (CAV), no Pátio da Inquisição, e aí admirámos uma obra sua. No Jardim da Sereia encontramos outras obras deste autor com nomes bem curiosos. Os títulos dos seus trabalhos são sempre muito sugestivos e inspiradores: A Linguagem dos Pássaros (I, II e III), Ter Medo do Medo ou O Mundo Fica em Silêncio.

 

 

Rui Chafes é um dos mais famosos escultores portugueses contemporâneos. Nasceu em 1966, em Lisboa, tendo-se aí formado na Escola Superior de Belas Artes. Concluída a sua formação, seguiu para a Alemanha, sendo profundamente marcado pela cultura deste país.

 

 

O ferro é o material preferido de Rui Chafes. Os seus objetos escultóricos são frequentemente concebidos para serem pendurados, por vezes em lugares surpreendentes e estranhos. A relação com a paisagem e o cenário envolvente é outra das características dos trabalhos deste artista. Outras vezes, as suas esculturas são colocadas no chão de um modo algo misterioso que deixa no olhar do observador uma sensação de inquietude que convida à reflexão. Ou à brincadeira....

 

 

 

Chafes está representado em importantes coleções nacionais e estrangeiras, com destaque para a coleção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

 

 

 

 

Já nas instalações do CAPC encontrámos a Carla que nos acolheu com toda a simpatia. Neste momento, está patente uma exposição do artista Diogo Pimentão.

 

 

Diogo Pimentão nasceu em Lisboa, em 1973. Após ter completado o curso de artes plásticas na escola de arte Ar.Co, em Lisboa, fez um curso de escultura na Suécia. De volta a Portugal, foi assistente de Julião Sarmento e de Fernando Calhau. Em 2003, recebeuma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e parte para Paris, cidade onde vive e trabalha ainda hoje.

 


 

Um dos nossos objetivos ao visitar esta exposição do CAPC foi aprender a dialogar com a arte contemporânea. É muito fácil rejeitar as propostas dos artistas contemporâneos com o argumento de que nada daquilo que produzem é bonito. Ora, aprendemos que uma das grandes novidades da arte contemporânea consiste precisamente no desafio que os artistas lançam ao olhar dos espectadores. O público deve procurar o diálogo com os artistas e não ficar passivamente a olhar.

 

 

Os artistas contemporâneos recusaram, já há muito, o belo como condição da arte. Quer dizer, um objeto pode ser arte sem que seja necessariamente bonito! Por outro lado, o mesmo se pode dizer da execução técnica. Isto é, um objeto pode ser artístico mesmo que não seja muito difícil de executar tecnicamente. Há desenhos muito difíceis de fazer e que podem não ser considerados arte, pois não é a dificuldade que faz a arte.

 

 

Os artistas contemporâneos rejeitam ainda a figuração ou a ideia de arte como imitação da realidade. A arte contemporânea é conceptual, ou seja, transporta um conceito. Compete-nos dialogar com o artista a propósito deste conceito. Para isso, não podemos fechar-nos ao diálogo e virar as costas, devendo manter o espírito aberto à comunicação e à formação estética.

 

 

Vimos ainda como o Diogo Pimentão, à semelhança de outros artistas, recorre a muitas técnicas e meios para melhor se expressar. Vimos um exemplo da utilização do video e achámos muita piada, tanto mais que depois nos apercebemos do local onde o artista realizou o seu trabalho e também nós formos "armar" em artistas.

 

 

Por fim, deixo-vos com um video do Diogo Pimentão numa performance artística numa galeria de Paris, há exatamente dois anos atrás, em fevereiro de 2010:

 

 

 

 

 

http://www.ci.uc.pt/prospecto/academia/oa_capccac.html

Rui Chafes. span> Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-02-10].

http://www.marz.biz/artistas/representado/12

 



publicado por CP às 23:58
Sábado, 04 de Fevereiro de 2012

 

 

 

Ontem não saímos aqui do nosso bairro. Na verdade, continuamos as nossas visitas preparatórias com o objetivo de criarmos uma rádio escolar, aproveitando o entusiasmo criado com a visita aos estúdios da RTP. Desta vez, foi o João Tiago que organizou a visita aos estúdios da ESECTV. Agradecemos desde já à mãe do João que leciona na ESEC e que nos acolheu prontamente.

 

Na Escola Superior de Educação de Coimbra lecionam-se vários cursos de licenciatura e mestrado em diversos campos académicos e profissionais. Um desses cursos é o de Comunicação Social. O estúdio da esectv é um estúdio de televisão e rádio que tem como objetivo enquadrar a formação dos estudantes desta licenciatura. 

 

 

 

 

Fomos recebidos e guiados pelo João (na foto), pelo Pedro e pela Carina que nos prestaram todos os esclarecimentos e informações sobre o trabalho num estúdio de rádio, desde a fase de pesquisa e produção até às questões técnicas e orçamentais. A nossa ideia era criar um mini-estúdio de rádio na nossa escola e por isso estávamos particularmente interessados em ouvir os conselhos que nos pudessem dar. No entanto, logo tomámos consciência das dificuldades e limitações do projeto. Depois de ouvirmos os nossos amigos da ESEC, uma ideia surgiu: estamos a pensar estabelecer uma cooperação entre a nossa escola e a ESECTV, de modo a frequentarmos estas instalações e lançar o nosso projeto em parceria com a ESEC.

 

 

Da rádio passámos para a televisão e para o Luís, um dos responsáveis pela produção deste estúdio. O Luís deu-nos uma lição sobre o modo como funciona um estúdio de televisão: falou-nos das luzes quentes e das luzes frias, do trabalho de produção e preparação, das questões técnicas e cativou a nossa atenção e interesse. Tenho a suspeita de que poderão ter nascido aqui algumas futuras vocações na área da comunicação, quem sabe....

 

 

 

Depois da parte teórica, passámos à parte prática e simulámos uma emissão em direto. Improvisámos alguns cameramen que logo se agarraram às cameras como se tivessem anos de experiência. Foi a parte que gostámos mais, como podem ver pelas fotografias.

 

 

A Júlia cameragirl

 

 

O David e o Duarte à espera das instruções da régie

 

Na nossa emissão especial, a Eva representou o papel de entrevistadora, enquanto a Xana e a Bárbara eram as entrevistadas. Deve dizer-se que a entrevista não correu lá muito bem, pois o nervosismo do estúdio afetou as entrevistadas que não conseguiram parar de rir.

 

 

 

 

 

 

O David e o Tomás também ensaiaram uma entrevista. Apesar do ar mais sério e compenetrado, não se pode dizer que tenha sido uma grande entrevista como se pode avaliar pelo início da conversa:

 

David: Boa noite, como se chama?

Tomás: Chamo-me Tomás.

David: Vamos falar de quê?

Tomás: Sei lá, tu é que és o entrevistador!

David: Pois é. Praticas algum desporto?

Tomás: Râguebi.

David: Ok.

 

(.....)

 

 

Entretanto, na sala da régie  e sob a direção técnica do Luís, os nossos aprendizes de realizadores iam tomando conta da emissão. Davam ordens aos cameramen, enquadravam os planos, ajustavam o som e dirigiam os trabalhos.

 

 

 

No final, porque já se faziam horas para regressar, agradecemos aos nossos amigos da esectv e prometemos regressar, já não como visitantes curiosos mas como aprendizes do ofício, pois vamos mesmo avançar com uma colaboração com a ESEC e até, quem sabe um dia, alguns de nós poderão estudar comunicação social nesta escola. Obrigado a todos pela excelente tarde que nos proporcionaram!



publicado por CP às 12:59
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
mais sobre mim
Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24

26
27
28
29


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO