Sábado, 29 de Outubro de 2011

 

Na sexta-feira, dia 28, visitámos a delegação da Radio e Televisão de Portugal (RTP) em Coimbra. Até 2004, existiam duas empresas, a RDP (Radiodifusão Portuguesa) e a RTP (Radiotelevisão Portuguesa). Nesse ano, as duas empresas públicas foram fundidas numa só: a Rádio e Televisão de Portugal.

 

 

Fomos recebidos por um dos diretores da delegação da RTP que nos explicou estas coisas todas. Desta vez, o nosso objetivo não era conhecer a história nem o património artístico, mas sim visitar os estúdios de rádio e televisão e ver como é a atividade dos jornalistas, repórteres e outros profissionais da comunicação social. Devemos lembrar, no entanto, que o atual conceito de património cultural não se limita a considerar monumentos e obras de arte. Pelo contrário, o conceito é muito alargado e a legislação considera o património audiovisual e fonográfico entre os vários bens merecedores de proteção legal. Não pensem pois que o património é só castelos, igrejas e museus.

 

 

À chegada, e após uma breve receção, fomos divididos em dois grupos: uns seguiram com o Pedro, um jornalista-repórter  de imagem, outros seguiram com outro senhor muito simpático, cujo nome não recordo, e que nos conduziu pelos estúdios da rádio.

 

 

O Pedro e a sua câmara de 8 kg!

 

Estivemos com muita atenção às explicações do nosso anfitrião. Entrámos no estúdio de rádio, e reparámos logo das paredes revestidas com diversas camadas de materiais especiais para isolar acusticamente o estúdio. Aqui são emitidos alguns programas dos vários canais da rádio: antena 1, antena 2, antena 3, RDP Internacional, RDP África, RDP Açores e RDP Madeira.

 

 

A rádio é muito importante para as comunidades de emigrantes portugueses espalhadas pelo Mundo. Alguns programas são emitidos nos estúdios de Coimbra, embora a maioria seja produzida em Lisboa. A rádio atinge ainda outros públicos muito especiais como os idosos, os caminonistas e os marinheiros. Tomámos consciência da importância da rádio para um vasto número de pessoas que, por diversas razões, não tem acesso aos jornais, televisão e à internet.

 

O Tomás, um radialista no ar!

 

Seguidamente, já orientados pelo Pedro, visitámos o estúdio de televisão. Adorámos! Deixamos aqui um conjunto de imagens que ilustram bem o nosso entusiasmo:

 

O David armado em "José Rodrigues dos Santos" a ler o teleponto e a apresentar o telejornal

 

Macacada em direto dos estúdios de Coimbra

 

O fascínio das câmaras

 

Depois do estúdio, demos um salto à sala da realização. Como podem ver, o Dany ficou espantado com aquelas maquinetas cheias de botões:

 

 

Antes da despedida, fomos às "ilhas", no piso superior das instalações. São umas pequenas salas, completamente isoladas, onde os jornalistas procedem à seleção e montagem das imagens. Cortam as imagens mais interessantes, montam as peças, juntando-lhes o som ambiente, a locução e outros grafismos, como legendas, por exemplo.

 

 

Foi aqui que encontrámos o Claudio Calhau, um repórter de guerra acabadinho de chegar da Líbia, onde cobriu os acontecimentos neste país africano. O Claudio montava uma peça para o telejornal que não tinha nada a ver com a Líbia e nós ficámos a apreciar a destreza com que manipulava aqueles monitores e aqueles botões.

 

 

Assim chegámos ao fim de mais uma visita. Na próxima sexta-feira, vamos ao «Diário de Coimbra». Até lá, boa semana de trabalho a todos os sócios, familiares e amigos do Clube do Património.



publicado por CP às 19:08
Sábado, 22 de Outubro de 2011

 

 

Aproxima-se o dia de Finados e, por isso, decidimos visitar o cemitério da Conchada. O objetivo era conhecer algumas das realizações mais importantes dos canteiros conimbricenses dos finais do séc. XIX e das primeiras décadas do séc. XX. Para isso, tivemos que vencer alguns medos e receios. Pretendemos ainda conhecer alguns aspetos históricos associados ao culto dos mortos em Portugal, nomeadamente na época contemporânea quando, nos meados do séc. XIX, por razões higiénicas e não só, foi proibido enterrar os mortos no interior das igrejas. Datam dessa época os cemitérios construídos em todas as freguesias do país.

 

 

Antes disso, temos que dar as boas vindas à Júlia, a nova sócia do Clube do Património. Estamos agora com a lotação completa.

 

 

Logo à entrada, vemos um portão encimado por um magnífico trabalho de ferro forjado onde se destaca um imponente anjo a lembrar que nos aprestamos a entrar num espaço de culto aos mortos onde o respeito e o silêncio são exigidos a todos os visitantes. Os membros do Clube do Património perceberam logo que, embora o motivo da visita fosse de ordem artística e cultural, o cemitério é um espaço de culto, pelo que souberam manter uma atitude exemplar.

 

 

O cemitério de Coimbra foi implantado na antiga Quinta da Conchada e inaugurado a 1 de Outubro de 1860 pelo Presidente da Câmara da época, Venâncio Rodrigues. A partir das décadas de 70 e 80 do séc. XIX, as famílias mais ricas e importantes da cidade começaram a interessar-se pela aquisição e construção de jazigos que transformaram em verdadeiras obras de arte com magníficas demonstrações da excelência dos afamados canteiros conimbricenses. 

 

 

Nas palavras do professor Fernando Catroga, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra que dedica boa parte do seu trabalho ao estudo das atitudes perante a morte na época contemporânea, «todo e qualquer cemitério, e particularmente o cemitério oitocentista, deve ser visto como um lugar por excelência de reprodução simbólica do universo social». Na verdade, as diferenças sociais existentes no mundo dos vivos são refletidas no cemitério contemporâneo que é afinal a cidade dos mortos. Desta forma, os ricos possuem ricos jazigos e os pobres são enterrados em campas rasas. Isto é, a cidade dos mortos prolonga as desigualdades da cidade dos vivos, o que não deixa de ser um bocadinho disparatado, já que a morte tudo nivela e a todos atinge de igual modo.


 


 

Desde as origens, os cristãos sempre inumaram os seus corpos, isto é, procedem ao enterramento dos cadáveres em recintos sagrados, aguardando a ressurreição dos corpos e o dia do Juízo Final. A inumação era aliás tradição comum a judeus e muçulmanos, contrariamente a outros povos e culturas que incineram os corpos, e apesar de se verificar hoje em dia uma tendência cada vez mais visível para  a cremação. Porém, o hábito do enterramento está ainda muito enraízado entre nós.

 

 

Até ao séc. XIX, os enterramentos processavam-se no interior das igrejas, sendo que os mais poderosos eram sepultados próximo do altar e os mais desfavorecidos nas zonas mais afastadas. Quando esgotado o espaço interior, enterravam-se os mortos nos adros exteriores das igrejas, recinto que ainda era considerado sagrado, mesmo que afastado do capela mor.

 

 

Por decreto de 28 de setembro de 1844 assinado pelo ministro António Bernardo da Costa Cabral, e no âmbito de um plano reformista para modernizar os hábitos do país e promover a saúde pública, foram proibidos os enterramentos no interior das igrejas. Tal medida foi considerada  ultrajante pelas populações rurais, principalmente no norte do país, pois acreditavam que, desta forma, enterrando os corpos em terrenos não sagrados, se quebrava uma tradição secular e as almas se veriam impedidas de encontrar o caminho do céu! Sucederam-se violentas revoltas populares que alastraram a várias zonas do país.

 

 

Passados esses tempos de agitação, as populações aceitaram com normalidade a construção dos cemitérios públicos, ainda que outros momentos de violência se tenham vivido com o advento da República, quando verdadeiras batalhas cemiteriais se travaram em todo o país. É que os católicos não queriam que os seus mortos partilhassem o mesmo espaço com os mortos dos ateus. Ergueram, por isso, muros separadores que logo eram derrubados pelos adversários. Viveram-se, mais uma vez, momentos agitados e um bocadinho caricatos.

 

 

O mais imponente e monumental jazigo do cemitério da Conchada é o dos condes do Ameal. Ocupa o lugar central para onde convergem as ruelas mais importantes do cemitério. Tem uma planta poligonal, cujo traçado e trabalho de escultura se devem ao famoso canteiro conimbricense João Machado, célebre artista que se destacou, entre muitas outras obras, pela excelência e exuberância da pedra trabalhada no hotel do Buçaco. O desenho é em estilo revivalista neogótico, muito ao gosto da época onde se recuperaram os gostos artísticos da Idade Média e Renascença, dando a origem a novas correntes ditas revivalistas, pois faziam reviver estilos artísticos antigos. Fala-se então, relativamente ao séc. XIX, em correntes neogóticas, neoromânicas, neomanuelinas, neorenascença ou neomouriscas.

 

 

Admirámos o monumento e os pormenores e ouvimos as explicações do senhor José, trabalhador do cemitério, que nos informou que o jazigo possui uns pisos subterrâneos muito fundos para onde são transportadas as urnas dos membros falecidos desta família.

 

 

Já com os medos e receios iniciais vencidos, explorámos as ruas do cemitério e encontrámos o jazigo do poeta Eugénio de Castro. Claro que prestámos uma sentida e reconhecida homenagem ao patrono da nossa escola:

 

 

Antes de regressarmos à escola, ainda visitámos o talhão dos combatentes. Trata-se de um recinto exclusivo onde são enterrados os soldados portugueses que, ao logo do século XX, combateram nas diversas guerras em que o nosso país esteve envolvido, nomeadamente a primeira guerra mundial e a guerra colonial. Mais uma vez, prestámos a nossa homenagem.

 

 

Para a redação deste texto, consultei as seguintes obras:

Fernando Catroga: «O Céu da Memória»; Coimbra; Edições Minerva; 1999

Vítor Manuel Lopes Dias: «Cemitérios, Jazigos e Sepulturas. Estudo histórico, artístico, sanitario e jurídico»; sem local e sem data; edição do autor.



publicado por CP às 19:35
Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

 

 

No primeiro piso da torre funcionou outrora, até ao séc. XIX, a sala da audiência do tribunal de Coimbra. Hoje está aí instalada uma maqueta que respresenta esquematicamente o perímetro muralhado da cidade nas primeiras décadas do séc. XIII. Trata-se de um projeto elaborado no Centro de Estudos de Arquitetura da Universidade de Coimbra sob a orientação do prof. Walter Rossa e com a colaboração dos arquitetos Sandra Pinto e Nuno Salgueiro.

 

 

Nesta sala, com a ajuda da maqueta e de um painel audiovisual, podemos reconstituir o curso da muralha com as suas diversas portas e torres defensivas, bem como identificar os edifícios mais importantes da malha urbana da cidade medieval: a medina, onde depois seria o paço régio e onde se situa o Pátio das Escolas da Universidade; o antigo forum romano, atual Museu Machado de Castro; o castelo, ao cimo das atuais escadarias monumentais, onde chegava o aqueduto; a ponte que atravessava o rio até à Portagem; a Sé  e outras igrejas da cidade, ou ainda o mosteiro de Santa Cruz com a sua cerca.

 

 

A muralha medieval de Coimbra possuía uma barbacã que acompanhava o curso da atual rua Ferreira Borges. A barbacã era uma segunda muralha, mais baixa do que a principal e que a antecedia, que era um primeiro obstáculo posto aos invasores, criando um fosso entre muros muito difícil de transpor em caso de ataque. O arco da barbacã, fotografado acima, é o que resta dessa antiga linha muralhada.

 

 

Subimos depois ao piso superior onde antigamente se reunia a vereação da cidade. Parámos um momento na varanda para apreciar as belas vistas que daí se usufruem, bem como ouvir as explicações do nosso guia. Gostámos particularmente do sino da torre que era tocado para anunciar as reuniões da vereação, mas também para assinalar sonoramente a passagem das horas, a abertura e encerramento das portas da cidade, ou ainda, nos casos de emergência, tocava a rebate avisando as pessoas dos casos de peste ou outras tragédias. Claro que demos um novo uso ao sino, fazendo soar umas badaladas a anunciar à cidade a presença do Clube do Património!

 

 

Visitámos depois uma exposição, onde as palavras do sr. Fernando foram ilustradas por um conjunto de painéis com desenhos sobre os «Cenários Urbanos de Coimbra», da autoria de José Luís Madeira.

 

 

 

Por fim, fomos convidados pela Dr.ª Andreia a participar num ateliê. A ideia era construir um castelo em miniatura. Para o efeito, dividimo-nos em dois grupos e lançámos, autenticamente, mãos à obra!

 

 

Fizémos argamassa, assentámos tijolos, telhas e pedras, discutimos projetos, dividimos tarefas e erguemos as muralhas. Apreciem então o resultado final:

 

 

 

 



publicado por CP às 12:38
Sábado, 08 de Outubro de 2011

O dia 7 de outubro é o dia nacional dos castelos e, por isso, decidimos assinalá-lo com uma visita à torre de Almedina para conhecer o que resta do castelo e da muralha medievais de Coimbra. No entanto, lembremos em primeiro lugar a chegada de um novo sócio: o João Aveiro.

 

Antes de relatarmos a nossa visita, convidamos os nossos visitantes a verem um pequeno video realizado pela esectv sobre este centro interpretativo da cidade muralhada:

Fomos recebidos pelo senhor Fernando Vasconcelos que nos contou, com grande entusiasmo, a história da cidade de Coimbra desde o tempo dos romanos até à atualidade. Agradecemos ao nosso guia e anfitrião a amabilidade com que nos recebeu e os muitos ensinamentos que nos transmitiu. Ficámos a saber mais sobre a cidade.
O castelo e as muralhas de Coimbra constituiram um sistema defensivo que, sendo iniciado por D. Afonso Henriques aproveitando traçados e estruturas anteriores, ficou praticamente terminado no tempo do seu filho e sucessor D. Sancho I. O esquema abaixo, retirado de um panfleto interpretativo que nos foi oferecido, mostra o traçado medieval da muralha de Coimbra.
Coimbra foi, nesses tempos iniciais da nacionalidade, a capital política do reino. Durante séculos, a muralha e o castelo não sofreram intervenções significativas. As transformações profundas começaram no tempo do Marquês de Pombal que, em 1772, ordenou a demolição de alguns troços da muralha, bem como do castelo, localizado próximo do atual edifício das Matemáticas. O objetivo era edificar um observatório astronómico, projeto que nunca chegou a concretizar-se. No séc. XX, no tempo do Estado Novo, uma nova fase reformadora levou a uma intervenção profunda no núcleo histórico da Alta e à destruição de muitos edifícios para a construção da moderna cidade universitária.
A torre de Almedina foi, até ao século XIX, a sede da vereação municipal e do tribunal de Coimbra. Por isso, era frequentemente designada como  torre da relação, torre da vereação ou torre da câmara, por aqui ter funcionado a câmara municipal até à construção do atual edifício junto ao mosteiro de Santa Cruz.
Ao passarmos sob a torre de Almedina, olhando para cima, avistamos duas aberturas. São os matacães, através dos quais se lançavam sobre os atacantes pedras ou líquidos a ferver, tentando assim impedir que se aproximassem das portas.
Matacães (vista exterior)
Matacães (vista do interior da torre)
(continua)


publicado por CP às 09:25
Sábado, 01 de Outubro de 2011

A Arquitetura ou Fortaleza, Diógenes e a Ásia: três estátuas do séc. XIX colocadas num muro à entrada da Quinta das Canas

 

 

Hoje foi um dia muito especial! Recebemos um sócio novo, o José Afonso, visitámos a bela Quinta das Canas nos arredores da cidade, na margem esquerda do Mondego, e tivémos um momento muito especial. Leiam o texto até ao fim se quiserem saber tudo.

 

 

A Quinta das Canas, onde se situa a Lapa dos Esteios, foi uma quinta senhorial durante muitos séculos. No séc. XIX destacou-se a condessa de Canas, D. Maria Isabel de Melo Freire de Bulhões que transformou o lugar num retiro de poetas e artistas, tornando este espaço um palco do romantismo nacional. Atualmente, a quinta pertence à GNR, ainda que esteja aberta a visitas públicas, mediante autorização do comando. Agradecemos ao comandante Elísio Pinto a autorização concedida e ao cabo Miguel Sousa o acolhimento e a visita guiada.

 

 

 

Claro que a malta do Clube está pouco preocupada com essas coisas do Romantismo e da Condessa. Logo à entrada o que nos entusiasmou mesmo foram os canhões para espreitar e a água para chapinhar!

 

 

No entanto, não podemos deixar de assinalar a existência de uma lápide de homenagem a António Feliciano de Castilho (1800 - 1875) um dos mais famosos poetas do Romantismo do séc. XIX, protegido da Condessa de Canas e que, nesta quinta, instituiu a festa da primavera. Castilho era cego desde a infância e distinguiu-se não apenas na literatura, mas também enquanto pedagogo, tendo criado um método de iniciação à leitura muito divulgado. Foi o símbolo máximo do romantismo, contra quem se revoltou a geração de Antero de Quental, numa polémica que ficou conhecida como a Questão Coimbrã.

 

 

Junto à fonte encontramos um conjunto de quatro esculturas do séc. XVII, já um tanto danificadas, representando a  Fé, a Esperança, a Caridade e a Morte. A Kika e o David (em cima) e a Ana (em baixo) não são de pedra, nem do séc. XVII!

 

 

Percorremos as alamedas e os recantos da quinta, sempre acompanhados pelo cabo Sousa que nos foi prestando algumas informações muito úteis. Fotografámos tudo o que havia para fotografar, corremos e saltámos, rumo às belas margens do Mondego.

 

 

Foram inúmeros os poetas que cantaram a beleza das margens do rio Mondego, mas não podemos deixar de destacar Luís de Camões. A professora Clara Sá, que nos fez a surpresa de aparecer a meio da visita, ofereceu-nos uma cópia de um poema para ser lido na ocasião. Acontece que eu me esqueci do poema na escola e por isso transcrevo-o agora:

 

 

Vão as serenas águas
do Mondego descendo
mansamente, que até o mar não param;
por onde minhas mágoas
pouco a pouco crescendo,
para nunca acabar se começaram.
Ali se juntaram neste lugar ameno,
aonde agora morro, testa de nove e ouro,
riso brando, suave, olhar sereno,
um gesto delicado,
que sempre n'alma m'estará pintado.
Nesta florida terra,
leda, fresca e serena,
ledo e contente para mim vivia,
em paz com minha guerra,
contente com a pena
que de tão belos olhos procedia.
Um dia noutro dia
o esperar m'enganava;
longo tempo passei,
com a vida folguei, só
porque em bem tamanho me empregava.
Mas que me presta já,
que tão formosos olhos não os há?
Ó quem me ali dissera
que de amor tão profundo
o fim pudesse ver ind'algmaa hora!
Ó quem cuidar pudera
que houvesse aí no mundo
apartar-m'eu de vós, minha Senhora,
para que desde agora
perdesse a esperança,
e o vão pensamento,
desfeito em um momento,
sem me poder ficar mais que a lembrança,
que sempre estará firme
até o derradeiro despedir-me.
Mas a maior alegria
que daqui levar posso,
com a qual defender-me triste espero,
é que nunca sentia
no tempo que fui vosso
quereres-me vós quanto vos eu quero;
porque o tormento fero
de vosso apartamento
não vos dará tal pena
como a que me condena:
que mais sentirei vosso sentimento,
que o que minh'alma sente.
Morra eu, Senhora, e vós ficai contente!
Canção, tu estarás
aqui acompanhando
estes campos e estas claras águas,
e por mim ficarás chorando
e suspirando,
e ao mundo mostrando tantas mágoas,
que de tão larga história
minhas lágrimas fiquem por memória.

 

Vale a pena ainda recordar um belo fado em que José Afonso canta as saudades de Coimbra, evocando a paisagem que vai do Choupal até à Lapa, referindo-se justamente a esta Lapa dos Esteios:

 

É verdade que as margens do Mondego já estão muito estragadas pelo abandono dos campos e dos laranjais e pela construção de prédios muito feios que desfiguram a paisagem. No entanto, aqui na Lapa dos Esteios ainda é possível usufruir da paisagem e entender como Camões, José Afonso e tantos outros artistas se deixaram emocionar com a beleza da nossa cidade. Ora apreciem lá as fotografias:
Por fim, dirigimo-nos à Lapa dos Esteios propriamente dita. Trata-se de um rochedo sobranceiro ao rio, com um pequeno ancoradouro e umas vistas idílicas, onde os poetas vinham para se inspirarem, aqui deixando umas lápides marcando a sua passagem.
Destaque para uma lápide que assinala a visita do Imperador D. Pedro II do Brasil que aqui esteve em 1872 e que, segundo parece, terá levado umas folhas de hera para o seu país, num gesto simbólico e emotivo, tão ao gosto da sensibilidade romântica do séc. XIX.
Foi precisamente neste local muito especial que decidimos prestar uma homenagem especial a uma pessoa especial num dia especial! A professora Conceição Fernandes reformou-se e este foi o seu último dia! Claro que a Dr.ª Conceição não nos vai deixar, pois vai continuar a dinamizar o nosso Clube, e por isso não fizemos uma cerimónia lamechas. Mas não pudemos deixar de prestar a nossa homenagem neste momento, expressando a nossa admiração e amizade pela nossa amiga e professora, agradecendo todo o esforço e dedicação ao longo da sua carreira. Ficam as imagens deste momento comovente:
Por fim, resta lembrar que o Clube passou a contar este ano com mais uma professora colaboradora. Além da professora Conceição, contamos agora com a professora Fernanda Santos, pelo que só temos motivos para festejar:


publicado por CP às 11:09
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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