Sexta-feira, 25 de Março de 2011

 

A visita de hoje foi ao Seminário Maior de Coimbra. Trata-se de uma obra barroca, ao gosto italiano, edificada entre 1748 e 1765, por iniciativa do bispo D. Miguel da Anunciação. Aqui estudaram, e ainda estudam, os jovens que desejam dedicar-se à vida religiosa.

 

 

Os edifícios laterais datam do século XIX, enquanto o largo central, que inclui um lago atravessado por uma ponte de pedra, data já do século XX, ainda que respeitando a traça barroca do conjunto. A direcção das obras esteve inicialmente a cargo do arquitecto italiano Francesco Tamossi, que faleceria em 1755 e seria substituído por outro italiano, Giacomo Azzollini.

 

 

Fomos recebidos pelo Padre Pedro que nos conduziu numa visita ao interior do Seminário. Explicou-nos que a decisão de construir este seminário resultou da vontade do bispo de formar os membros do clero fora da influência e da autoridade do Marquês de Pombal que, como era próprio de um ministro de um rei absoluto, pretendia submeter a hierarquia eclesiástica ao poder do rei, fazendo dos membros do clero uma espécie de funcionários da coroa.

 

Depois de admirarmos a bela fachada do edifício central, com destaque para o brasão do bispo colocado sobre o varandim, entrámos pela porta principal e deparámo-nos logo com uma bela porta em madeiras exóticas com vários incrustações que dá acesso à capela. No entanto, apreciámos apenas a porta e deixámos a capela para o fim da nossa visita.

 

 

Percorremos depois os enormes corredores do edifício e o Pe. Pedro deu-nos autorização para correr. Afinal, não é para correr que servem os corredores?

 

Ao fundo deste corredor existe um fresco na parede que dá a ilusão de que a galeria continua por uma escada. Trata-se de uma ilusão de óptica sugerida pela pintura. Esta técnica, muito ao gosto barroco, designa-se trompe l'oeil, expressão francesa que significa, literalmente, engana o olho. O Pe. Pedro disse-nos que os seminaristas contam a história de um gato que deu com a cabeça na parede quando tentou subir as escadas! Mas que gato mais distraído!

 

 

Uma das salas mais importantes do seminário é a chamada Sala dos Grandes Actos que, à maneira da sala do capítulo que existe em todos os conventos, era a sala onde se reunia a comunidade académica para discutir as provas dos estudantes, tal como a Sala dos Capelos da Universidade. É uma divisão solene revestida com belos azulejos das oficinas conimbricenses, vendo-se ao fundo o púlpito central onde se sentava o reitor durante as discussões e provas académicas.

 

 

Seguidamente, passámos ao piso superior através de uma magnífica escada de caracol. O professor entrou em parafuso com medo que algum dos sócios do Clube caísse pelo poço das escadas, pois o gradeamento não foi pensado para proteger crianças tão pequenas e ariscas. Por isso, por entre o nervosismo e os berros dos nossos professores, lá subimos e descemos os degraus agarradinhos à parede! O Pe. Pedro explicou-nos que esta escadaria tem uma particularidade muito especial, e até já mereceu a atenção de estudiosos da engenharia, pois os degraus não se prendem através de um eixo central, mas sim sobrepostos e comprimidos contra os muros laterais.

 

 

 

 

No piso superior, apreciámos as belas vistas que se desfrutam da varanda das traseiras.

 

 

Visitámos mais algumas divisões, como o refeitório, as salas de aula e uma pequena capela, regressando depois ao piso inferior para admirar a capela principal. Trata-se de um pequeno mas belo templo com planta octogonal com um corpo rectangular na cabeceira, onde se situa o altar-mor. A pintura deste altar central representa Jesus entre os Doutores.

 

 

Pasquale Parente foi o pintor italiano a quem se deve igualmente o magnífico fresco da cúpula central, datada de 1760. O tema é a coroação de Nossa Senhora, exibindo excelente qualidade técnica e de composição o que, segundo o professor Pedro Dias, faz com que se possa considerar uma das melhores obras deste género em Portugal.

 

 

Claro que nos pusemos todos a olhar para o ar:

 

 

O destaque porém, vai direitinho para o pequeno mas belíssimo órgão, datado de 1763 e construído pelo espanhol Juan Fontana Maqueixe.  Está lindamente decorado e ainda hoje está operacional, sendo até comum a realização de concertos. Para nossa surpresa, o Pe. Pedro brindou-nos com uma pequena exibição, pelo que tivemos oportunidade de sentir o som cheio e melodioso do órgão.

 

 

Chegámos assim ao fim de mais uma visita, pelo que nos resta deixar um agradecimento ao Pe. Pedro, bem como ao Pe. Aníbal, actual reitor do Seminário, que nos autorizou a visita e com quem contactámos inicialmente. Muito obrigado, em nome de todos os sócios do Clube do Património da Escola Eugénio de Castro!



publicado por CP às 23:00
Sexta-feira, 18 de Março de 2011

A Primavera está muito próxima, por isso fomos passear ao Jardim Botânico.  Estávamos já cansados do tempo frio e chuvoso e decidimos aproveitar a tarde magnífica de Sol para saltar e correr em contacto com a Natureza.

 

 

Este lindo jardim foi concebido e executado no tempo do Marquês de Pombal, na sequência da reforma da Universidade de 1772. No ano seguinte, veio para Coimbra o engenheiro inglês Guilherme Elsden que, juntamente com Domingos Vandelli e Giovanni António Dalla-Bella, escolheram o terreno para a localização deste horto destinado ao estudo das espécies botânicas exóticas.

 

 

O Bernardo e o Tomás leram-nos um texto preparado pela Dr.ª Conceição sobre a história do Jardim Botânico. A verdade é que, apesar dos esforços dos nossos amigos, poucos foram os que mantiveram a atenção suficiente para responder à adivinha colocada no final da leitura: «Qual é a coisa qual é ela que preto é, Galinha o fez?

 

 

Os nossos distraídos sócios do Clube do Património pensaram e matutaram mas não conseguiram achar a resposta. Trata-se do Mestre Galinha, o autor do magnífico portão em ferro forjado com aplicações de bronze.

 


 

Defronte, admirámos uma estátua de Félix de Avelar Brotero (1744-1828), da autoria do célebre escultor Soares dos Reis. Brotero foi um distinto cientista da Universidade de Coimbra que, depois de estudar com sucesso em França, foi nomeado, em 1791, lente da Universidade, distinguindo-se nos estudos botânicos. Dedicou-se ainda à actividade política, tendo sido eleito deputado às Cortes Constituintes em 1820. Suicidou-se em 1828 e em 1887 a Universidade decidiu homenageá-lo com a inauguração desta estátua.

 

Soares dos Reis (1847 - 1899) foi o mais famoso escultor português do séc. XIX. Adquiriu grande fama e revelou-se um artista muito talentoso. Foi vítima de muitas injustiças e falsas acusações, vindo a suicidar-se quando contava apenas 42 anos. O Museu do Porto tem o seu nome.

 

 

Um pouco adiante, observámos a estátua, também em trajes académicos, do professor Júlio Henriques (1838 - 1928), catedrático de Botânica e antigo director deste Jardim. A estátua deve-se ao escultor Barata Feyo (1899 - 1990) e foi inaugurada em 1951.

 

Fotografia de grupo nas escadarias da alameda principal

 

A estufa

 

Brincando com a «terrível» figueira estranguladora

 

O David armado em anjinho

 

O David Lourenço decidiu refrescar as patoilas

 


O Eduardo perdeu a carteira e lá andámos todos de rabo para o ar à procura

 

Uma bela vista do Jardim

 

 

Antes de regressarmos à escola, e a caminho da paragem do autocarro, ainda tivemos tempo para uma vista de olhos ao edifício do jardim-escola João de Deus. Foi inaugurado em 1911 e é o mais antigo estabelecimento escolar deste nível de ensino em Portugal. O desenho do projecto deve-se ao arquitecto Raúl Lino e insere-se no esforço para nacionalizar e aportuguesar a arquitectura do nosso país que moveu este famoso arquitecto.



publicado por CP às 21:42
Quarta-feira, 16 de Março de 2011

 

Manuel Braga nasceu no Rio Grande do Sul, no Brasil, em 1868, e faleceu em Coimbra, em 1945. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e desempenhou funções no que seria a futura Comissão de Turismo de Coimbra.

 

Em 21 de Abril de 1955, em sessão de Câmara, delibera-se homenagear o Dr. Manuel Braga dando o seu nome ao Parque da Cidade, justificando-se a homenagem por ser grande impulsionador de obras na cidade de Coimbra, como a criação e valorização de espaços verdes, entre estes a Mata de Vale de Canas, Avenida Sá da Bandeira e a transformação, na década de 1920, da antiga Ínsua dos Bentos em jardim público, encarregando o paisagista floricultor Jacinto de Matos para a execução do projecto.

 

No final da década de 1950, foi erigido o monumento ao Dr. Manuel Braga, no parque que já tinha o seu nome. O busto tem inscrita a data de 25/04/1957 com a assinatura do escultor Cabral Antunes e terá sido executado no ano de 1957, enquanto a inauguração do monumento só terá decorrido a 23 de Março de 1958, correspondendo à data inscrita no pedestal.

 

 



publicado por CP às 14:26
Sexta-feira, 11 de Março de 2011

Hoje apresentamos uma selecção de fotografias do Eduardo tiradas na passada sexta-feira durante a visita de estudo do 5º ano às grutas de Santo António e à vila de Óbidos:

Chegada às grutas

 

Painel de azulejos com fotografias e uma planta das grutas

 

O interior com o primeiro lago

 

O largo principal da vila de Óbidos com uma convenção de palhaços

 

O pelourinho

 

A muralha



publicado por CP às 15:09
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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