Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

O Eduardinho e o Bernardão

 

Hoje, tenho o prazer de vos apresentar dois dos mais simpáticos e divertidos sócios do clube: o Eduardo e o Bernardo. Como podem ver, as parecenças são muitas: são ambos simpáticos, divertidos e muito bem dispostos.

 

Tínhamos agendada uma deslocação ao Seminário Maior de Coimbra, visitar o belo e quase desconhecido edifício barroco. No entanto, por motivos de última hora, tivemos que alterar os nossos planos. Aproveitámos o belo dia de sol e fomos então passear para o Parque da Cidade.

 

 

Pode parecer uma grande vergonha, mas é verdade: ninguém sabia quem foi este Dr. Manuel Braga que deu nome a este belo jardim da nossa cidade. Fica prometida uma pesquisa, pois não é justo que o nome de uma personalidade tão importante, que até deu nome a um parque, caia assim no esquecimento. Para já, apresentamos uma fotografia do busto do Dr. Manuel Braga.

 

 

O jardim tem mais alguns bustos de poetas, como Antero de Quental e Manuel Alegre. Destacamos um monumento de homenagem à grande poetisa Florbela Espanca (1894 - 1930), da autoria do escultor galego Armando Martinez. Florbela Espanca foi uma grande poetisa, com uma vida muito infeliz e sofredora. Natural de Vila Viçosa, celebrizou-se pelos seus poemas de amor muito intensos e arrebatadores que reflectem bem a sua vida muito agitada e que teve um fim trágico, pois Florbela suicidou-se. Quando o corpo foi trasladado, de Matosinhos, onde morreu, para a sua terra natal, procedeu-se a uma homenagem da cidade de Coimbra à poetisa neste parque da cidade. Daí a razão para erigir este monumento que foi inaugurado em 1994.

As suas poesias são muito conhecidas e talvez que a versão mais famosa seja a do poema que foi musicado pelos «Trovante», em 1987:

 

 

Antes de visitarmos o Museu da Água, tivémos ainda oportunidade de contemplar alguns belos canteiros deste parque, bem como o coreto, onde tirámos esta fotografia de grupo, escutando atentamente as explicações da Drª Conceição sobre o traçado da muralha medieval.

 

 

O Museu da Água resultou do aproveitamento  da antiga Estação de Captação de Água, de 1922. O edifício é muito discreto e interessante. No interior, visitámos uma exposição de pinturas infantis alusivas ao tema da água.

 

Novamente na rua, dirigimo-nos para o Parque Verde do Mondego, construído na continuidade do Parque Dr. Manuel Braga e inaugurado em 2004. O objectivo foi criar um espaço dedicado ao lazer, aproximando a cidade do rio.

 

 

Já que é um parque de recreio e lazer, fomos correr, saltar e brincar com o famoso Urso. Apresentamos algumas fotografias deste momento de brincadeira e correria.

Pobre urso....

 

 

 

 

Finalmente, decidimos dar sossego ao urso e fomos até à extremidade do parque, caminhando pela beira do rio. Fotografámos ainda a ponte pedonal Pedro e Inês que, infelizmente, apresenta já claros sinais de vandalismo: vidros partidos e grafitis pintados. Esta ponte celebra os amores de D. Pedro e D. Inês de Castro. Foi inaugurada em 2006 e projectada pelos engenheiros Cecil Balmond e Adão da Fonseca.

 

 

Concluímos a nossa visita no Pavilhão Centro de Portugal. Esta obra de arquitectura deve-se a Siza Vieira e Souto de Moura, os dois representantes mais importantes da designada escola de arquitectura do Porto.

 

Este pavilhão foi concebido para a Expo 2000 Hannover, na Alemanha. O edifício é desmontável e, por isso, uma vez concluída essa exposição internacional, foi remontado aqui em Coimbra, servindo agora de sede à Orquestra Clássica do Centro.

 

 

O edifício utiliza materiais tipicamente portugueses, como o revestimento exterior em cortiça, o mármore de Estremoz ou os azulejos.

 

Infelizmente, e mais uma vez, no que parece ser um triste hábito da nossa cidade, o edifício apresenta já claros sinais de degradação, vandalismo e falta de obras de conservação. Os espaços ajardinados estão por cuidar, os azulejos caem e não são recolocados, a sujidade acumula-se por toda a parte. Esperemos que, futuramente, haja mais cuidado e respeito pelo património da nossa cidade.



publicado por CP às 10:21
Sábado, 19 de Fevereiro de 2011

Hoje, tivemos mais uma vez a concorrência do futebol. Os rapazes preferiram ir jogar à bola, pelo que tivemos menos sócios. O que vale é que ganharam por 9-1 e, por isso, estão perdoados. Em contrapartida, temos uma nova sócia: a Joana. Podem vê-la no pequeno video que publico com a sua «madrinha», a Ana Beatriz. Eu tentei tirar uma fotografia, só que enganei-me e carreguei no botão errado e, em vez de uma fotografia, fiz um pequeno filme.

A Ana Beatriz e a Joana

 

Cumpridas as apresentações e as boas-vindas, partimos para uma visita ao laboratório Dryas Octopetala. Trata-se de uma empresa que desenvolve o seu trabalho na área da arqueologia e de outras ciências auxiliares. Realizam prospecções, sondagens e escavações, para além de todo o trabalho de laboratório de preservação, estudo e divulgação dos vestígios recolhidos. Fomos recebidos pelo Dr. Miguel Almeida, responsável pelo desenvolvimento do projecto, que nos apresentou a sua equipa.

 

 

A visita começou por uma pequena apresentação oral no auditório que nós seguimos com muita atenção. O Dr. Miguel Almeida falou-nos do trabalho dos arqueólogos, o objectivo da arqueologia, as tecnologias usadas, desfazendo algumas ideias erradas. Muito importante foi termos reparado que um arqueólogo trabalha em equipa com outros especialistas. Trata-se de um trabalho de grupo que é necessário planificar e coordenar com muito cuidado.

 

 

A arqueologia visa reconstituir as culturas do passado através do estudo criterioso dos vestígios desse passado que estão enterrados no subsolo. Todos os objectos que as culturas passadas produziram interessam ao arqueólogo que tem um trabalho um bocado parecido com o dos detectives. Só que enquanto estes investigam um crime e procuram descobrir o criminoso, o arqueólogo procura descobrir o passado, compreendê-lo e reconstituir as culturas perdidas.

 

 

Após estas explicações, viemos para a rua, onde conhecemos o Pedro que nos apresentou uma geringonça muito engraçada: um geo-radar!

 

 

O Pedro é geofísico e só por aqui se demonstra a natureza do trabalho interdisciplinar na produção do conhecimento científico. Isto afinal é como o futebol: para se jogar bem é preciso jogar em equipa, não basta ser bom. Ficámos maravilhados com a maquineta do Pedro e claro que fomos experimentá-la para a rua.

 

Este aparelhómetro muito engraçado, que parece directamente saído de um episódio do CSI Miami (não é verdade, Bernardo?), emite ondas para o subsolo, recolhendo depois o eco dessas emissões. Medindo e tratando essas informações é possível detectar, com alguma garantia, a existência de estruturas ou objectos enterrados que justifiquem uma escavação arqueológica. Espectáculo! Alguns de nós pensaram mesmo em comprar uma maquineta destas, pois que ficámos logo a imaginar aventuras extraordinárias em busca de tesouros perdidos!

 

Regressados ao laboratório, dividimo-nos em três grupos. Alternadamente, percorremos três salas do laboratório, conduzidos por três simpáticas arqueólogas. Numa primeira sala, a Lília mostrou-nos uma série de objectos provenientes de escavações, como lâminas de silex e cacos de cerâmica. Tudo devidamente limpo, catalogado, desenhado, estudado e guardado.

 

 

Depois, encontrámos novamente o Pedro, agora sentado defronte de um computador portátil. Introduzidos os dados captados pelo geo-radar, e recorrendo a programas informáticos especializados, o Pedro tratou a informação e projectou no computador representações gráficas do subsolo, permitindo visualizar o que estava enterrado e que a geringonça sondou.

 

 

A terceira sala foi a Sala dos Esqueletos! Brrrr! Parecia que estávamos a entrar num filme de terror, pois em cima da mesa jaziam as ossadas de um senhor com mais de 400 anos.

 

 

A verdade é que não tivemos medo nenhum, pois o ambiente científico ajudou-nos a racionalizar a realidade e até ficámos muito curiosos e fascinados. A arqueóloga que nos guiou nesta sala (não me recordo do nome, alguém sabe?) explicou-nos que eram ossadas descobertas em escavações realizadas em Serpa, no Alentejo, e em Lagos, no Algarve. Um desses crânios pertencera a um escravo negro, proveniente de África e enterrado numa sepultura colectiva. Os arqueólogos procederam ao enquadramento histórico destes achados no tempo do Infante D. Henrique e da chegada dos primeiros escravos africanos a Portugal.

 

 

Aprendemos ainda que, no laboratório, estes cientistas conseguem recolher muitas informações úteis a partir da análise destas ossadas. Estudam a dentição, o tamanho dos ossos, as medidas, as lesões e ferimentos, entre muitas outras coisas, o que lhes permite reconstituir um pouco não apenas quem eram mas o tempo em que viveram. Todos os vestígios, incluindo os ossos, têm uma história escondida que é preciso descobrir e não há dois esqueletos iguais, tal e qual como não há duas pessoas iguais, nem duas histórias iguais.

 

 

Por último, antes de irmos embora, ainda descemos ao auditório, agora para ficarmos a par dos trabalhos que os técnicos da Dryas desenvolveram na Baixa de Coimbra e na rua da Sofia.

 

 

Quando olhámos para o relógio, vimos que o tempo tinha passado num instante e estava na hora de regressar à escola. Resta-nos agradecer ao Dr. Miguel e a toda a simpática equipa Dryas: muito obrigado, vocês não são nada "chatos"!



publicado por CP às 09:34
Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Eduardinho em acção. Objectivo: 400 fotografias!

 

Hoje, tivemos menos membros do Clube, pois houve um torneio de basquetebol na escola. No entanto, há a registar a entrada de um novo sócio: o Eduardo. Podem vê-lo na fotografia empenhado em atingir o seu objectivo de tirar 400 fotografias! O Eduardo tira fotografias a tudo: pedras, paredes, pessoas, paisagens, ruas, autocarros, ....

 

Iniciámos a nossa visita de hoje na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Este edifício é conhecido por Colégio Novo, Colégio da Sapiência ou Colégio de Santo Agostinho. Foi fundado pelos frades de Santa Cruz, nos finais do séc. XVI, com o objectivo de instalarem na parte alta da cidade os cursos de noviciado. Extintas as ordens religiosas, aqui se instalou um orfanato, em 1842, administrado pela Santa Casa da Misericórdia. Por isso é que o edifício é ainda conhecido por Antigo Colégio dos Órfãos. Só em 1985 é que a Faculdade de Psicologia ocupou estas instalações.

 

Admirámos o belíssimo claustro da autoria de Filipe Terzi. Trata-se de um belíssimo exemplar da melhor arquitectura maneirista com claras afinidades com o claustro principal do Convento de Cristo, em Tomar, de Diogo de Torralva, edificado durante o período filipino.

Notámos os pares de colunas dóricas ladeando aberturas secundárias que alternam com belos arcos.

 

 

Seguimos depois até à Torre de Anto, assim chamada por aqui ter vivido o grande poeta António Nobre , enquanto estudante em Coimbra. O poeta designou a Torre, inscrita na linha das muralhas medievais, a partir da abreviatura inglesa do seu nome: Anthony. António Nobre morreu muito novo e celebrizou-se pelo seu livro de poemas, , do qual transcrevo o seguinte excerto:

 

1

Tristezas têm-nas os montes,
Tristezas têm-nas o céu,
Tristezas têm-nas as fontes,
Tristezas tenho-as eu!


2

Ó choupo magro e velhinho,
Corcundinha, todo aos nós:
És tal qual meu avozinho,
Falta-te apenas a voz.

 

3

Minha capa vos acoite
Que é p'ra vos agasalhar:
Se por fora é cor da noite,
Por dentro é cor do luar...

4

Ó sinos de Santa Clara,
Por quem dobrais, quem morreu?
Ah, foi-se a mais linda cara
Que houve debaixo do céu!

5

A sereia é muito arisca,

Pescador, que estás ao sol:

Não cai, tolinho, a essa isca...

Só pondo uma flor no anzol!


6
A Lua é a hóstia branquinha,

Onde está Nosso Senhor:

É d'uma certa farinha

Que não apanha bolor!

 

7

Vou a encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu'é da tua água?
Qu'é dos prantos que eu chorei?

8

A cabra da velha Torre,

Meu amor, chama por mim:
Quando um estudante morre,
Os sinos chamam, assim.

9

- E só porque o mundo zomba
Que pões luto? Importa lá!
Antes te vistas de pomba...
- Pombas pretas também há!

10

Terezinhas! Ursulinas!
Tardes de novena, adeus!
Os corações às batinas
Que diriam? Sabe-o Deus...

 

11

Ó boca dos meus desejos,

onde o padre não pôs sal,

São morangos os teus beijos,

Melhores que os do Choupal!

 

12

Manuel no Pio repousa:
Todos as tardes, lá vou
Ver se quer alguma cousa,
Perguntar como passou.

13

Agora, são tudo amores
A roda de mim, no Cais,
E, mal se apanham doutores,
Partem e não voltam mais...

14

Aos olhos da minha fronte
Vinde os cântaros encher:
Não há, assim, segunda fonte
Com duas bicas a correr!

15

Os teus peitos são dois ninhos
Muito brancos, muito novos

Meus beijos os passarinhos

Mortinhos por porem ovos.

 

16

Nossa Senhora faz meia

Com linha branca de luz:

O novelo é a Lua-Cheia,

As meias são p’ra Jesus


17

Meu violão é um cortiço,
Tem por abelhas os sons
Que fabricam, valha-me isso,
Fadinhos de mel, tão bons...

18

Ó Fogueiras, ó cantigas,
Saudades! Recordações!
Bailai, bailai, raparigas!
Batei, batei, corações!

 

 

Seguimos depois para o Paço de Sub-Ripas. Trata-se de um palácio do século XVI, construído junto à a muralha medieval, onde hoje está instalado o Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras. Destaca-se o corpo da torre e, principalmente, a exuberante decoração manuelina do portal. Os dois corpos estão ligados por um arco, sob o qual nos abrigámos quando começou a chover. Não tivemos remédio, pois a chuva não parou, e viemos a pé até à paragem do autocarro. Que grande molha!

 



publicado por CP às 16:57
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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