Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

Eduardinho em acção. Objectivo: 400 fotografias!

 

Hoje, tivemos menos membros do Clube, pois houve um torneio de basquetebol na escola. No entanto, há a registar a entrada de um novo sócio: o Eduardo. Podem vê-lo na fotografia empenhado em atingir o seu objectivo de tirar 400 fotografias! O Eduardo tira fotografias a tudo: pedras, paredes, pessoas, paisagens, ruas, autocarros, ....

 

Iniciámos a nossa visita de hoje na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra. Este edifício é conhecido por Colégio Novo, Colégio da Sapiência ou Colégio de Santo Agostinho. Foi fundado pelos frades de Santa Cruz, nos finais do séc. XVI, com o objectivo de instalarem na parte alta da cidade os cursos de noviciado. Extintas as ordens religiosas, aqui se instalou um orfanato, em 1842, administrado pela Santa Casa da Misericórdia. Por isso é que o edifício é ainda conhecido por Antigo Colégio dos Órfãos. Só em 1985 é que a Faculdade de Psicologia ocupou estas instalações.

 

Admirámos o belíssimo claustro da autoria de Filipe Terzi. Trata-se de um belíssimo exemplar da melhor arquitectura maneirista com claras afinidades com o claustro principal do Convento de Cristo, em Tomar, de Diogo de Torralva, edificado durante o período filipino.

Notámos os pares de colunas dóricas ladeando aberturas secundárias que alternam com belos arcos.

 

 

Seguimos depois até à Torre de Anto, assim chamada por aqui ter vivido o grande poeta António Nobre , enquanto estudante em Coimbra. O poeta designou a Torre, inscrita na linha das muralhas medievais, a partir da abreviatura inglesa do seu nome: Anthony. António Nobre morreu muito novo e celebrizou-se pelo seu livro de poemas, , do qual transcrevo o seguinte excerto:

 

1

Tristezas têm-nas os montes,
Tristezas têm-nas o céu,
Tristezas têm-nas as fontes,
Tristezas tenho-as eu!


2

Ó choupo magro e velhinho,
Corcundinha, todo aos nós:
És tal qual meu avozinho,
Falta-te apenas a voz.

 

3

Minha capa vos acoite
Que é p'ra vos agasalhar:
Se por fora é cor da noite,
Por dentro é cor do luar...

4

Ó sinos de Santa Clara,
Por quem dobrais, quem morreu?
Ah, foi-se a mais linda cara
Que houve debaixo do céu!

5

A sereia é muito arisca,

Pescador, que estás ao sol:

Não cai, tolinho, a essa isca...

Só pondo uma flor no anzol!


6
A Lua é a hóstia branquinha,

Onde está Nosso Senhor:

É d'uma certa farinha

Que não apanha bolor!

 

7

Vou a encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu'é da tua água?
Qu'é dos prantos que eu chorei?

8

A cabra da velha Torre,

Meu amor, chama por mim:
Quando um estudante morre,
Os sinos chamam, assim.

9

- E só porque o mundo zomba
Que pões luto? Importa lá!
Antes te vistas de pomba...
- Pombas pretas também há!

10

Terezinhas! Ursulinas!
Tardes de novena, adeus!
Os corações às batinas
Que diriam? Sabe-o Deus...

 

11

Ó boca dos meus desejos,

onde o padre não pôs sal,

São morangos os teus beijos,

Melhores que os do Choupal!

 

12

Manuel no Pio repousa:
Todos as tardes, lá vou
Ver se quer alguma cousa,
Perguntar como passou.

13

Agora, são tudo amores
A roda de mim, no Cais,
E, mal se apanham doutores,
Partem e não voltam mais...

14

Aos olhos da minha fronte
Vinde os cântaros encher:
Não há, assim, segunda fonte
Com duas bicas a correr!

15

Os teus peitos são dois ninhos
Muito brancos, muito novos

Meus beijos os passarinhos

Mortinhos por porem ovos.

 

16

Nossa Senhora faz meia

Com linha branca de luz:

O novelo é a Lua-Cheia,

As meias são p’ra Jesus


17

Meu violão é um cortiço,
Tem por abelhas os sons
Que fabricam, valha-me isso,
Fadinhos de mel, tão bons...

18

Ó Fogueiras, ó cantigas,
Saudades! Recordações!
Bailai, bailai, raparigas!
Batei, batei, corações!

 

 

Seguimos depois para o Paço de Sub-Ripas. Trata-se de um palácio do século XVI, construído junto à a muralha medieval, onde hoje está instalado o Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras. Destaca-se o corpo da torre e, principalmente, a exuberante decoração manuelina do portal. Os dois corpos estão ligados por um arco, sob o qual nos abrigámos quando começou a chover. Não tivemos remédio, pois a chuva não parou, e viemos a pé até à paragem do autocarro. Que grande molha!

 



publicado por CP às 16:57
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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