Sábado, 15 de Janeiro de 2011

 

 

Iniciámos este ano de 2011 com um passeio pelos colégios da rua da Sofia. Esta rua, apesar de muito adulterada e com muitos edifícios degradadados, é uma das mais importantes da nossa cidade e, sem exagero, do nosso país. O nome - rua da Sofia - indica a sua origem, pois em grego sophia significava «saber, ciência». A rua foi aberta no primeiro quartel do século XVI, segundo parece, sob a orientação e projecto de frei Brás de Braga, reformador do mosteiro de Santa Cruz e colaborador do rei D. João III, em cujo reinado se fixou definitivamente a Universidade em Coimbra e se introduziram os ideais humanistas e o gosto renascentista. Estes factos contribuiram para que se fixassem na cidade, que então conheceu um importante impulso, muitos colégios universitários pertencentes às mais diversas ordens religiosas.

A rua, com a sua largueza e traçado rectilíneo, foi uma enorme novidade urbanística, sinal claro de modernidade que marcava bem a diferença com a labirintuosa malha das estreitas ruelas medievais da Baixa Velha que nós já visitámos.

 

Começámos a nossa visita pelo antigo colégio de S. Tomás, actual Palácio da Justiça, não deixando de avistar ao fundo, já na encosta da Conchada, a igreja de Santa Justa. Fica prometida uma visita. Logo na fachada principal, que dá para a rua da Sofia, notámos os magníficos portões de ferro forjado, da autoria dos grandes mestres conimbricenses Daniel Rodrigues e Albertino Marques. A nossa cidade já foi célebre pela excelência dos seus artesãos no trabalho do ferro, da pedra, da cerâmica ou da encadernação. É uma pena que todos esses ofícios tenham desaparecido. Ficam as obras e a nossa homenagem aos artesãos do ferro. Ora admirem lá as fotografias:

 

Estes portões de ferro ocupam o espaço onde inicialmente estava um portal renascentista com a figura do patrono do colégio - S. Tomás - que foi transportado para a fachada lateral do Museu Machado de Castro, que dá para o largo da igreja de S. Salvador, onde ainda hoje pode ser apreciado.

 

Nota: o Telmo não é de ferro forjado só foi apanhado na fotografia

 

No interior, deliciámo-nos com os lindíssimos azulejos do grande mestre ceramista Jorge Colaço, representando episódios e personagens ligados à história da cidade:

Batalha de Alvalade com o Vítor e a sua boina no canto inferior direito.

 

Painel alusivo à coroação de Inês de Castro com o João Tiago e o seu boné francês (Oh lala!)

 

Conquista de Coimbra por Fernando Magno (com o cocuruto da prof.ª Conceição no canto inferior esquerdo. Sem boina!

 

O colégio de S. Tomás foi projectado pelo arquitecto Diogo de Castilho, restando apenas, do edifício original do séc. XVI, o claustro com um tanque ao centro. Após a extinção das ordens religiosas e a nacionalização dos seus bens, em 1834, o imóvel seria adquirido pelo Conde do Ameal, já nos finais do século XIX e depois de aí ter funcionado um armazém de madeiras! O conde encomendou ao arquitecto Silva Pinto o trabalho de converter e adaptar o edifício a palácio.

 

O palácio seria depois novamente vendido a uma empresa comercial, vindo finalmente a ser adquirido pelo Ministério da Justiça que aqui instalou, em 1928, o Tribunal da Relação de Coimbra, assim como outros serviços.

Painel alusivo ao Trabalho e à Justiça (com a cabeça do Bernardo!)

 

O Claustro é então o que resta da construção original, com as arcadas do piso inferior seguindo os modelos jónicos enquanto a arquitrave do andar superior utiliza colunas dóricas.

 

continua......



publicado por CP às 21:59
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
mais sobre mim
Janeiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14

16
18
20
22

23
25
27
28

30
31


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO