Domingo, 21 de Novembro de 2010

Na semana passada fizemos um passeio pela cidade com o objectivo de identificarmos alguns vestígios dos domínios do mosteiro de Santa Cruz. Começámos nos Arcos do Jardim ou, para ser mais correcto, no Aqueduto de S. Sebastião. Este aqueduto foi edificado no reinado de D. Sebastião pelo arquitecto italiano Filippo Terzi. Este arquitecto combateu com o malogrado rei em Alcácer Quibir, sendo depois nomeado, já no reinado de Filipe II, mestre das ordens do Convento de Cristo em Tomar. Ora, quando da reconstrução do Aqueduto sobre as ruínas do antigo aqueduto romano,  foi igualmente construído o Colégio de Tomar, assim chamado por pertencer ao Convento da Ordem de Cristo de Tomar.

O nosso amigo Duarte contou-nos que um seu antepassado viveu numa quinta situada nas imediações.

 

Na fotografia, podemos observar uma escultura do mártir S. Sebastião. Diz a lenda, contada pela Dr.ª Conceição, que a estátua estava trespassada por flechas de prata, simbolizando o martírio deste Santo, até que os estudantes as roubaram por razões «piedosas», deixando pendurado ao pescoço do Santo um cartaz onde se lia: «Basta de tanto sofrimento!»

 

 

Seguimos depois pela rua de Tomar. Onde antes era o colégio de Tomar é agora o estabelecimento prisional de Coimbra. A cerca desse colégio confrontava com a Quinta de Santa Cruz e parece que as relações de vizinhança não eram muito amistosas, pois discutiam frequentemente por causa da água e dos caminhos.

 

Entrámos no Parque de Santa Cruz, mas antes reparámos no estado de degradação em que se encontram algumas bonitas vivendas desta rua.

 

O Jardim da Sereia pertencia aos frades  de Santa Cruz. A sua construção deve-se a Frei Gaspar da Encarnação, reitor da Universidade e ministro do rei D. João V que, no séc. XVIII, reformou o mosteiro, construindo um parque que ia desde a Praça 8 de Maio até à actual rua de Tomar, com o objectivo de criar um espaço para os frades se dedicarem à reflexão e contemplação da natureza. Após a extinção das ordens religiosas, o jardim foi desintegrado da Quinta de Santa Cruz e adquirido pela Câmara em 1885.

 

O Duarte Mendes tirou esta bela fotografia onde se pode observar a beleza da vegetação.

 

 

 

A fonte da Sereia deu o nome ao parque. A sua designação original era Fonte da Nogueira.

 

Infelizmente, como mostra a fotografia da Ângela, a Sereia já perdeu a cabeça. Ficámos muito impressionados pelo estado de abandono em que se encontra o parque, quer os canteiros, árvores e restante vegetação, quer as esculturas e cantarias, os azulejos e os caminhos.

 

 

Demos um passeio pelo parque, percorrendo os lagos e a escadaria, e tivemos o privilégio de admirar a pose do nosso amigo Bernardo. Quem sabe se o parque não vai mudar de nome outra vez, passando a chamar-se agora «Jardim do Sereio»!

 

 

No final da escadaria, chegámos ao antigo recinto do jogo da péla, um jogo muito popular no séc. XVIII e que era assim uma espécie de antepassado do ténis.

 

Ao cimo e ao centro da cascata, ergue-se a estátua de Nossa Senhora da Conceição, madrinha da Nossa Senhora Professora!

 

Os painéis de azulejos retratam duas cenas bíblicas: Sara, esposa infértil de Abraão, e a escrava egípcia, Agar, que concebeu  Ismael, o filho do Patriarca. O outro painel mostra a cena em que o profeta Eliseu lança sal nas águas impróprias de uma fonte da cidade de Jericó, tornando-as potáveis. As figuras que ladeiam os azulejos são os evangelistas: S. Lucas, S. João, S. Marcos e S. Mateus.

 

 

(continua)



publicado por CP às 10:49
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