Sábado, 08 de Outubro de 2016

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   Esta sexta-feira iniciámos mais um ano de atividades no nosso Clube. Temos sócios velhos, sócios novos e ainda temos seis vagas, pelo que abriremos brevemente inscrições. Para assinalar o arranque de mais um ano letivo, decidimos fazer uma brincadeira, saudando os novos elementos: o João, a Maria Inês, a Carolina, o Rafael, o Zé Pedro, a Ana João e o Rodrigo. Claro que a brincadeira também serviu para os sócios "velhos": a Diana, a Joana, o Salvador, a Ana Margarida e a Margarida.

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   Depois das apresentações e de recordarmos as regras básicas do nosso Clube, apanhámos o autocarro e dirigimo-nos à Rua da Alegria. O objetivo era dar a conhecer um local quase ignorado da nossa cidade: as Escadas do Quinchorro. Alguém sabe onde fica? Aposto que não! Trata-se de uma interminável e estreita escadaria com degraus enormes que liga a dita Rua da Alegria à Couraça de Lisboa, na zona Alta de Coimbra. E sabem o que é que nos passou pela cabeça? Exatamente, subir os degraus em passo acelerado!

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    Olhem só para o ar assustado do Salvador! O João Lima nem quer acreditar, ainda por cima trouxe uma mochila! Se repararem bem, a única que se ri é a professora Fernanda. Pudera, foi a única que não subiu o escadório! O desafio não foi em vão, procurava-se responder a uma pergunta muito importante: quantos degraus tem a escadaria?

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   Estas escadas foram mandadas abrir pela Câmara Municipal em novembro de 1884, para ligar a Alta à zona ribeirinha. Partindo da Rua da Alegria, a escadaria vence um desnível de muitos metros até atingir a Couraça, rompendo o muro por onde, na Idade Média, se erguia a velha muralha da cidade, hoje quase desaparecida. As escadas são muito íngremes, pelo que dá para ter uma ideia de como seriam inexpugnáveis as muralhas da cidade, resistindo aos ataques dos inimigos. 

Recentemente, há cerca de um par de anos, a Câmara Municipal decidiu restaurar este acesso, no âmbito de um projeto mais alargado de recuperação e reabilitação dos troços que ainda sobrevivem da antiga muralha. Foi tudo limpo e procedeu-se à pintura e iluminação, bem como à colocação de um corrimão que muito ajuda os malucos que ousam subir a escadaria!

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   Nesta fotografia ainda vão todos muito bem dispostos, pois vamos apenas no início. O Rodrigo, que estava aleijado num joelho, ficou lá em baixo com a professora, enquanto o resto do grupo se lançou por ali acima, numa cavalgada inútil mas divertida. Os moradores que por ali ainda vivem, ao ouvirem a nossa algazarra, vieram à rua e devem ter achado estranho: «mas o que é que estes doidinhos vieram para aqui fazer?» - devem ter pensado.

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    No final da escalada, sentiram-se os primeiros sinais de cansaço, mas ninguém mostrou qualquer fraqueza. Contados os degraus, chegámos a um número: 114. No entanto, o professor contou 113 apenas e, como não podemos aceitar a dúvida, só tivemos uma solução: descer a pé pela estrada e repetir tudo para confirmar.

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    Desta vez, o Rodrigo subiu com o rsto do grupo, pois a sua lesão ficou estranhamente sanada. Já a Carolina ficou um bocado farta de tanta patetice e decidiu descansar. Os vizinhos lá do bairro é que não queriam acreditar e devem ter pensado: «mas o que é que esta garotada anda para aqui a subir e a descer?»

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   114! Desta vez não havia lugar para qualquer dúvida, a escadaria tem cen-to e ca-tor-ze degraus! Nem mais um, nem menos um, são 114! Todos concordaram, já um bocado cansados. E agora que já temos a certeza.... vamos subir outra vez só pelo prazer de subir! E lá fomos nós, pela terceira vez, trepar pelos degraus acima. Os vizinhos é que devem ter ficado pasmados....

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    O André, sentado no primeiro degrau para ganhar fôlego para a terceira subida, parece estar a pensar em que raio de Clube é que se veio meter! Olha, pelo menos ficámos a saber quantos degraus têm as Escadas do Quinchorro. Só não sabemos é de onde veio este nome. E procurámos nos livros, lá isso procurámos. Se alguém souber, faça o favor de nos contar.



publicado por CP às 00:09
Os "clubeiritos" estão em forma. E o Professor António? Nem se fala!...Estão preparados para subir,a correr, a escadaria do Bom Jesus de Braga. Desafio a considerar. Gostaria de acompanhar, juntamente com a Professora Fernanda, mas, muito bem sentadinhas, no interior do elevador centenário.
Bom trabalho
Profª Conceição
Mª Conceição Ferrnandes a 18 de Outubro de 2016 às 17:34

AS ESCADAS DO QUINCHORRO.

QUINCHORRO:

“Em 28 de Maio de 1884, a Câmara Municipal de Coimbra tomou conhecimento da informação da Junta da Paróquia da Sé Velha, em que se dizia que os terrenos do Quinchorro foram sempre considerados como municipais.
A 14 de Novembro de 1884, manda abrir a direito este corredor, um vão de escadas muito íngremes, ligando a Couraça de Lisboa e a Rua da Alegria.
Em 1 de Abril de 1886, deliberou sobre reparações nos degraus do Quinchorro, à Rua da Alegria.”
Fonte: José Pinto Loureiro, "Toponímia de Coimbra", vol, II, p. 251.

Entre finais de 1953 e meados dos anos 1960, vivi numa casa que faz esquina da Couraça de Lisboa com o Beco da Pedreira.
Sempre que vinha à Baixa, descendo a Couraça, passava pela entrada das Escadas do Quinchorro, que durante muito tempo esteve encerrada.
Acho que só as desci uma vez. Subi-las? Jamé!
Convencido que Quinchorro era nome de homem, pensava na cena do Veloso do Canto V dos Lusíadas e comentava: "Quinchorro amigo, estas escadas são melhor de descer que de subir". Era uma adaptação livre do episódio em que o gabarola aventureiro Fernão Veloso resolve ir sozinho a terra na baía de Santa Helena, subindo um outeiro, mas, perseguido pelos indígenas, desce correndo e, salvo no último minuto por um batel, já na nau ocorre este diálogo (canto V, 35):

"Disse então a Veloso um companheiro
(Começando-se todos a sorrir):
«Oulá, Veloso amigo! aquele outeiro
É melhor de decer que de subir!»
«Si, é (responde o ousado aventureiro),
Mas, quando eu para cá vi tantos vir
Daqueles Cães, depressa um pouco vim,
Por me lembrar que estáveis cá sem mim»."

Tendo ido passar o Natal a Coimbra, aproveitei a bela manhã de sol do dia 25 e voltei a descer a Couraça de Lisboa, deparando com as Escadas do Quinchorro com pintura nova no muro da Couraça.
A publicação das fotografias que então tirei motivou que, com a ajuda do António Horta Pinto e Albino Matos finalmente ficasse a saber que “Quinchorro” não é nome de homem, mas significa terreno murado cultivado, cerrado, cortelho, chousa, belga, bouça.
Parece ser equivalente a “quinchoso” (provavelmente proveniente do latim “conclausus”), sendo esta última a forma mais usada pelos grandes cultores da nossa língua:
Camilo Castelo Branco: “quando Deus quer, topa a gente de noute por esses quinchosos esses marotos dos engenheiros e empreiteiros” (“A Brasileira de Prazins”).
Aquilino Ribeiro: “Ao desembocar do quinchoso, ouviram a benta e a mulher endiabrada” / “Vozes surdas cochichavam pelos quinchosos” (“Terras do Demo”).

Ferreira de Castro: “Terra fria, onde não medrava árvore de fruto nem se colhia vinho, tirante o centeio, a batata, os nabais e duas couvezitas, no quinchoso, o resto era uma pobreza” (“Terra Fria”).

Anónimo a 28 de Dezembro de 2016 às 22:13

Muito obrigado pelo seu comentário. Deve guardar boas memórias desses tempos. Bom ano de 2017!
CP a 29 de Dezembro de 2016 às 00:00

Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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