Sexta-feira, 09 de Junho de 2017

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Aproximamo-nos do final do ano letivo, muitos sócios farejam já as férias, outros amedrontam-se com as provas de aferição e recolhem mais cedo a casa, pelo que o nosso grupo ficou hoje muito reduzido. Ainda assim, não desmobilizámos e fomos até ao Parque Dr. Manuel Braga passar a tarde na Feira Cultural de Coimbra.

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   Em tempos, foi uma tradição do nosso clube, vínhamos cá todos os anos. Depois, já não sabemos bem porquê, perdemos esse hábito. A verdade é que, se bem que esta feira seja a herdeira da antiga feira do livro, poucos são já os pavilhões expositivos dedicados aos livros. Há de tudo, artesanato mais ou menos genuíno, discos, artistas plásticos um pouco obscuros à procura de um lugar ao sol, escolas e, acima de tudo, barraquinhas de comes e bebes!

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   Logo à entrada, tivemos uma agradável surpresa, a Mariana e os seus meninos da APPACDM propiciaram-nos um agradável espetáculo, uma espécie de «exercício da imaginação», conforme anunciou o Paulo, o mestre de cerimónias deste excelente grupo de animação de rua.

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   Um pouco mais à frente encontrámos a Adriana com outro grupo de meninos especiais que nos envolveram numa atividade de promoção do espetáculo que vão levar à cena.

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   Passeámos pelos pavilhões de livros, com representantes de livrarias, editores, alfarrabistas, a Imprensa da Universidade, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, e outros representantes institucionais. A Feira oferece sessões de autógrafos com escritores, bem como preços especiais. 

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   A gastronomia, no entanto, é o "prato" forte desta feira. Sendo um modo privilegiado de expressão cultural e afirmação da identidade de um povo, os diversos petiscos - doces e salgados - são muito procurados pelos visitantes. E, claro, os nossos sócios não fogem à regra. 

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   As barracas dedicadas ao artesanato são também muito concorridas. São muitas. Aí podemos encontrara artesãos que se dedicam ao fabrico de instrumentos musicais, mas também latoeiros, oleiros, cesteiros, tecelões, bordadeiras, etc. Vale a pena visitar a feira e observar estes artistas a trabalhar ao vivo.

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publicado por CP às 21:28
Domingo, 04 de Junho de 2017

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   Após um interregno de várias semanas por causa da greve, do ensaio para o sarau e ainda por causa da visita do Papa, regressámos às nossas atividades com um safari fotográfico no Museu Nacional Machado de Castro. A ideia foi aproveitada a partir de uma sugestão da Dr.ª Fernanda Alves, técnica superior do Museu. Nós pusemos em prática uma versão simplificada dessa sugestão, com poucas regras: 1. Os alunos organizam-se em pares e cada par deve fotografar o maior número de animais  nas diversas coleções do Museu; 2. Cada "tiro" vale um ponto; 3. Se uma foto apanhar mais do que um animal, só conta um ponto. 3. Animais mitológicos não contam, pois se são imaginários não se caçam; 4. Quem for apanhado a gritar ou a correr nas galerias do Museu sofre uma penalização de 2 pontos; 5. Quem tocar nas peças perde 5 pontos.

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   Organizados os pares, telemóveis em riste, lá iniciámos a nossa caçada. À partida, deram-nos logo uma ajuda preciosa: não vale a pena descer ao criptopórtico, aí não há bichos! Trata-se de uma informação valiosa, pois, além de todas as regras, havia um limite de tempo: às 16:00 ninguém poderia disparar nem mais um tiro, todos se deveriam concentrar no pátio central para proceder à contagem dos troféus! Quem somasse mais pontos seria o grande campeão do Safari.

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   Alguns animais são fáceis de apanhar, como os bois e as vacas, por exemplo. Não só porque são muito grandes e se avistam facilmente, como se encontram em sítios previsíveis. Ou alguém ignora que não há presépio sem boi? Assim, identificada uma Natividade - pintada, esculpida ou gravada, tanto faz - caça-se logo um bovino, um asinino e, com sorte, três ou quatro ovelhas, sem contar com as aves que os artistas muito gostam de acrescentar aos cenários para melhor adornar a cena. Apesar de tudo, há surpresas agradáveis, como uma manteigueira em forma de vaca que caçámos na coleção de porcelanas.

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   Outro "inocente" muito fácil de capturar é o manso cordeirinho. Pudera, o S. João Batista está sempre abraçado a um anho, e como ele é uma das figuras mais representadas na iconografia cristã, não surpreende que o vejamos em todo o lado, esculpido, pintado, repuxado em prata dourada, ou esmaltado. O Cordeiro de Deus, ou Agnus Dei como se diz em latim, é igualmente um símbolo de Cristo e, também por isso, imensamente representado e fácil de fotografar.

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   Outros animas metem-se mesmo a jeito para levar um tiro, como esta terrina em forma de cabeça de porco, enormíssima, que encontrámos ao virar uma esquina, toda sorridente na vitrina iluminada. 

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   De resto, esta secção é o paraíso dos caçadores. Há animais em todo o lado, basta apontar e ficamos logo com um bicho na mira. Seja caça ligeira, como os patos e cisnes, papagaios e pavões, coelhos e outros que tais; seja caça grossa, como os elefantes e javalis.

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   É necessário estar sempre como o olhar atento e não é por ser uma atividade perigosa que nos organizámos em pares, mas sim porque quatro olhos vêem melhor do que dois. É que, por vezes, há animais que se escondem no emaranhado decorativo, estando completamente camuflados, como o pássaro que mostramos abaixo. Já o leão deve ter pensado que escaparia assim estilizado, mas não. Frágeis passarinhos camuflados ou ferozes leões estilizados, nada escapa aos tiros dos nossos caçadores.

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  Às vezes, é preciso pousar a espingarda e usar outras armas para capturar certos animais, como por exemplo, este peixe que também não escapou às malhas estreitas da nossa concentração de exploradores experimentados.

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   Com o papo já cheio por estas paragens, partimos para outros territórios com os olhos bem abertos. Nas salas de pintura, os cavalos são os mais fáceis de apanhar, não oferecem resitência nenhuma, estão em todo o lado e às manadas. Há cavalos de todas as cores e tamanhos, raças e arreios. Basta apontar e apanhar:

 

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   Às vezes, há uns disparos que sabem melhor do que outros. Por exemplo, quando vislumbramos no topo superior de uma pintura, muito disfarçado entre a moldura e o fundo nevoento, um cisne com contornos difusos. «Olha ali um pato, apanha-o!», grita o nosso parceiro. E logo um disparo certeiro capta o indefeso pato. Mais um troféu! Ora vejam lá se conseguem identificar o "pato":

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   Observem agora a perícia do nosso caçador, de telemóvel em punho, no exato momento em que apanhou o "pato" que afinal era um cisne, com a sua "arma" sem flash, claro:

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  As pombas são as mais fáceis de capturar, pois como a iconografia cristã representa o Espírito Santo sob a forma de pomba, elas estão em todo o lado, como neste óleo da grande pintora Josefa de Óbidos, um famoso Pentecostes, cena religiosa em que o Espírito Santo desce sobre os apóstolos e sobre a Virgem.  Nós apanhámos a pomba, bem gorduchinha, diga-se:

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   Uma tábua de Vicente Gil, o mais importante representante da escola regional de pintura de Coimbra no século XVI, escondia, num dos cantos inferiores, este enigmático mocho que poucos notaram. Reparem como nos fita frontalmente, parecendo que nos questiona, ou censura o nosso comportamento:

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    No segundo plano dos quadros, encontramos muitos bichos. Alguns parecem surpreendidos pelo nosso olhar, pois estão tão desenquadrados relativamente às cenas centrais que não é fácil entender o que fazem ali, discretos, senão quase ocultos. Parece mesmo que estão à espera de ser apanhados pelo nosso olhar. Normalmente, evidenciam um desenho bem traçado, atestando a qualidade dos artistas, ou dos seus ajudantes ansiosos por mostrar o seu talento. Reparem neste galgo que brinca com um cavalo no meio de uma floresta, posta a servir de pano de fundo a uma cena sagrada:

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   Na coleção de escultura, além dos habituais cavalos e ovelhas, pombas e outros que tais, encontramos surpresas interessantes, como este passarinho, tão gracioso, pintado num friso de um retábulo:

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   Na escultura, encontramos os bichos mais expostos ao olhar dos visitantes. Na maior parte das vezes, os animais assumem um lugar importante, como o cão que lambe a ferida no joelho de S. Roque, ou a ovelha que salta para o colo de Santa Inês. São tão evidentes que não escaparam a ninguém. No retábulo de Tobias, um peixe enorme disputa mesmo o lugar central. Foi boa a caçada por estas paragens. Para atestar a nossa pontaria, deixamos uma bela águia em pedra de Ançã que se escondia numa esquina discreta:

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   Os desafios maiores, no entanto, surgiram na secção de ourivesaria. Num corredor escurecido, só os olhares mais atentos, e foram tão poucos, conseguiram apanhar os animais camuflados nas filigranas e nos rendilhados das pratas repuxadas e lavradas. Claro que não falamos dos leões postos na base do relicário da Rainha Santa Isabel, esses todos caçaram, não passam despercebidos a nenhum visitante:

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    Referimo-nos sim a estes que reproduzimos de seguida. São tão discretos que nenhum caçador os viu. Desafiamos mesmo os nossos leitores, apenas a título de exemplo, a pôr à prova a acutilância do seu olhar de caçador, identificando os animais nas figuras. Se não os conseguirem ver nestas fotos, talvez não seja má ideia visitar o museu e fazer o teste in loco. Se, no local, não conseguir vislumbrá-los, aconselhamos uma ida ao oftalmologista:

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   Um dos animais mais fáceis de apanhar, mas um dos mais surpreendentes, foi o caranguejo que agarra uma cruz nas suas pinças. Aqui, vale a pena contar a história associada a esta peça, pois está relacionada com um presumível milagre de S. Francisco Xavier no Oriente, mais precisamente nas ilhas Molucas. Conta-se que o padre jesuíta, missionando nessas longínquas paragens, confrontou-se com uma enorme tempestade. No navio em que seguia, todos os tripulantes se viraram para si, exigindo-lhe que apaziguasse a fúria dos elementos que ameaçava naufragar a embarcação. Foi assim que Francisco, posto à prova pelos gentios, apontou a cruz que trazia às ondas do mar e logo elas se acalmaram. Porém, deixou escorregar a cruz que se perdeu nas profundezas oceânicas. Alguns dias após, já com todos a salvo, passeando na praia, eis então que um caranguejo emerge das águas trazendo nas pinças erguidas ao céu a cruz que o Santo deixara escorregar.

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   Nas salas reservadas aos têxteis e mobiliário, encontrámos igualmente muita matéria para fotografar: galos e cães, lobos e lagartos, pássaros e muitos outros. Ficam alguns exemplares:

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    Um dos momentos mais empolgantes do nosso safari foi exatamente na sala dos têxteis, onde pudemos apreciar uma magnífica colcha chinesa com lindíssimos pássaros bordados. Ainda bem que os bichos que caçamos são obras de arte e as nossas "espingardas" são máquinas fotográficas digitais, caso contrário seríamos péssimos caçadores, pois seríamos incapazes de disparar! Será que algum dos nossos leitores dispararia sobre pássaros destes? A colcha foi recentemente doada por particulares e foi acrescentada ao espólio do Museu Machado de Castro.

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      E que dizer desta lindíssima corça? Alguém seria capaz de disparar sobre esta colcha sem se lembrar do Bambi?

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    Aproximando-nos do final da nossa expedição, ainda houve tempo, na sala das coleções orientais, para caçar mais uns insetos (ainda não tinham aparecido!), uma tartaruga, patos e outros que tais!

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   No final, reunidos no pátio central, conforme combinado, fizemos o balanço final. Foi muito positivo: ninguém gritou, não houve correrias e nenhum caçador tocou nas obras expostas. Nenhum usou o flash e não houve penalizações. Procedemos à contagem dos bichos capturados e.... os grandes vencedores, com uns incríveis 173 pontos, foram.... o Heitor e o Lima! Parabéns!

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publicado por CP às 20:47
Sexta-feira, 05 de Maio de 2017

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   Já uma vez, há muitos anos, o nosso Clube promoveu uma visita ao Jardim Botânico. Quem quiser ler o relato, apreciar as fotografias e conhecer os sócios de então, pode seguir esta hiperligação. Agora, regressámos de uma maneira diferente, pois fomos recebidos muito amavelmente, mais uma vez, pela mãe do Tomás, a arqueóloga Sónia Filipe, além da eng.ª Carina Monteiro que nos propiciaram uma visita inesquecível. Depois de umas palavras introdutórias de boas-vindas, ficámos a saber um pouco mais sobre a história deste verdadeiro Museu Vivo.

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   Criado no âmbito da Reforma da Universidade promovida pelo Marquês de Pombal em 1772, o Jardim foi uma das realizações mais importantes desse plano, pois inaugura uma nova forma de estudar e de entender a Natureza. O seu primeiro responsável foi o reputado sábio italiano Domingos Vandelli, vindo para a nossa cidade do Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa, onde trabalhava. O Jardim ocupa uma área que corresponde aproximadamente a 14 campos de futebol e que pertencera anteriormente aos frades beneditinos. Para a construção dos socalcos e dos diversos patamares foram utilizados os destroços e o entulho resultantes da demolição do castelo e da cerca dos jesuítas, bem como de outros prédios que o Marquês mandou deitar abaixo para edificar o observatório astronómico. Por isso, é muito frequente, quando se fazem obras na atualidade, encontrar uma pedra da muralha medieval, do castelo, ou um qualquer vestígio de outro período histórico, exigindo-se a presença da arqueóloga.

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   Após esta introdução, iniciámos um percurso com o objetivo de conhecermos algumas plantas, selecionadas pela eng.ª Carina, e algumas curiosidades sobre a arquitetura do Jardim, fornecidas pela arqueóloga Sónia, que é a mãe do nosso Tomás, como devem estar recordados. A primeira paragem foi junto a uma sequóia. Trata-se do maior ser vivo terrestre que existe no nosso planeta. É uma árvore originária da América do Norte, onde chegam a viver séculos e séculos e a atingir os 100 metros de altura! O seu nome científico é Sequoia sempervirens, pois mantém sempre a sua folhagem verde, embora seja mais frequentemente designada como sequoia verrmelha. Curiosa é a sua pinha, muito pequenina para uma árvore tão grande.

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   Um pouco adiante deparamos com uma curiosíssima árvore que, na nossa cidade é designada por árvore do ponto, uma vez que as belíssimas flores despontam nesta altura do ano, lembrando aos estudantes que se aproximam os exames, pelos que é hora de estudar mais afincadamente.

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   Como essas flores se assemelham a tulipas, a árvore é também conhecida como Tulipeiro da Virgínia, pois é originária da América do Norte, tendo um uso ornamental muito frequente no nosso país.

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    Logo ao lado, fica a estátua de Avelar Brotero (1744-1828), da autoria do escultor Soares dos Reis. Brotero foi um distinto cientista da Universidade de Coimbra que, depois de estudar com sucesso em França, foi nomeado lente da Universidade, distinguindo-se nos estudos botânicos. Dedicou-se ainda à actividade política, tendo sido eleito deputado às Cortes Constituintes em 1820. Suicidou-se em 1828 e em 1887 a Universidade decidiu homenageá-lo com a inauguração desta estátua. Podemos ainda apreciar o portão principal em ferro forjado, da autoria de Manuel Galinha e datado de 1844.

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   Na direção oposta, gozamos uma vista privilegiada sobre o quadrado central. É o coração do Jardim. Foi concluído em 1791, já no reinado de D. Maria I, sendo por isso o pórtico que lhe dá acesso conhecido pelo nome dessa rainha.

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   Neste terraço, de cada um dos lados da estátua, encontramos duas magníficas gingko bilobas, famosas pelos seus usos medicinais. Experimentem digitar o nome desta árvore no Google e reparem na sua popularidade e nas suas inúmeras aplicações medicinais e cosméticas. Mas a Carina contou-nos uma outra história que pouca gente sabe: as fêmeas desta árvore exalam um cheiro tão fedorento que é frequentemente descrito como lembrando um animal morto. Por isso, são raramente plantadas e há notícias de, em tempos, na nossa cidade, a população ter solicitado o abate de uma árvore destas, pois o seu cheiro era insuportável!

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   Prosseguindo para odores muito mais agradáveis, conhecemos um muito bem cheiroso eucalipto-limão, que afinal não é um eucalipto, pois a sua classificação científica foi corrigida há uns anos, depois de se ter chegado à conclusão que as suas características não se encaixarem na classificação que então possuía. Basta olhar para a semente de um eucalipto (na mão direita da Carina) e comparar com o desta árvore.

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   Cientificamente, em latim, é então designada como corymbia citriodora. A sua característica mais importante é o intenso cheiro a limão, utilizado pelos fabricantes de detergentes para que os seus produtos exalem este odor. Uma vez que o seu tronco, que pode atingir altura muito elevada, tem uma manchas brancas e cinzentas, também é por vezes referida como árvore fantasma.

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A árvore mais alta do Jardim Botânico é proveniente da Nova Caledónia, colónia francesa do Pacífico, e chama-se araucaria rulei. Foi plantada pelo Dr. Júlio Henriques, antigo diretor do jardim, dando assim o seu contributo para evitar a extinção desta  árvore que se encontra ameaçada. Tem 43 metros de altura e é visível da zona ribeirinha, onde se tem uma perceção melhor da sua dimensão.

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   Outr araucaria se encontra nas proximidades, embora de um género diferente, designada como araucaria bidwillii. Embora não seja tão alta, tem uma característica muito engraçada, é que produz umas pinhas enormes, que chegam a atingir 10 kG, obrigando os responsáveis do Jardim a adotarem medidas de prevenção. para evitar acidentes que podem ser fatais, na altura em que se deteta uma pinha madura a ameaçar desprender-se!

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   A Avenida das Tílias é um dos locais mais apreciados pelos visitantes, pois a alameda, plantada nos finais do século XIX, fornece uma moldura idílica, sombria, refrescante e propícia a longos passeios românticos. Na altura da floração o aroma é muito agradável e relaxante. A tília é utilizada para produzir infusões que possuem, segundo se crê, capacidades calmantes. Por isso, quando se sentirem nervosos, venham para aqui correr e respirar este ar e, no final, se não se sentirem mais relaxados, estarão pelo menos mais cansados!

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   Chegados ao Quadrado Central, ficámos a saber que é um jardim geométrico, construído ao gosto francês, também chamado de estilo romântico. Aqui chega a água canalizada a partir de minas subterrâneas, que são visitáveis, e que trazem, num fluxo constante e a uma temperatura sempre igual, da zona arenítica situada sob a zona da Avenida Dias da Silva, nas proximidades da Escola Secundária José Falcão. O arenito funciona como uma esponja gigantesca que retém a água e a vai libertando lentamente, sendo o caudal canalizado para regar as plantas e os canteiros do Jardim. Em alguns locais existem tampos de pedra que dão acesso a esse emaranhado de túneis que, por vezes, são abertos ao público em visitas sempre muito concorridas.

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   A fonte central foi aqui colocada nos meados do século XX e funciona como um tanque de retenção dessas águas. Esta parte do Jardim é a mais fotografada pelos turistas e visitantes. Ainda hoje, e desde há muitos anos, jovens noivos, estudantes, namorados, turistas e outros visitantes não resistem a apontar as suas objetivas e a registar a beleza deste espaço. Por isso, numa ideia muito original, os responsáveis decidiram lançar um convite à população: procurem fotografias antigas deste quadrado central e tragam-nas para a exposição. Participe! Para saber mais siga esta ligação.

  Muito curiosa é uma árvore designada corticeira, mas cujo nome científico é erythrina crista-galli, foi plantada por Brotero, é pois bicentenária. Está muito velhinta, está oca, mas ainda está viva!

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   Uma das árvores mais famosas do Botânico, senão mesmo a mais famosa, é a impressionante figueira estrangualdora, assim chamada porque os seus frutos, não comestíveis, se assemelham a figos e porque as suas raízes serpenteiam por todo o espaço em redor, abraçando todos os obstáculos. A sua copa tem uma largura de 37 metros! Imaginem bem, 37 metros!

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   Por fim, aproximando-se o final da nossa visita, porque o tempo escoava e não porque não houvesse muitas coisas mais para visitar e conhecer, dirigimo-nos até à estufa grande. Trata-se de um magnífico exemplar da chamada arquitetura do ferro e do vidro. O projeto foi apresentado por um engenheiro chamado Pedro Pezerat e, 1854, sendo a obra concluída cerca de uma década após. A mãe do Tomás mostrou-nos algumas fotografias antigas.

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   Depois de ter atingido um estado de degradação, recentemente, aproveitando a classificação do Jardim Botânico como Património da Humanidade, a Universidade encetou obras de recuperação, a cargo do arquiteto conimbricense João Mendes Ribeiro. O projeto de restauro, que já foi premiado, devolveu à estufa a sua beleza original. Nós tivemos o privilégio de a visitar, pois ainda não está aberta ao público, nem as plantas estão instaladas. Apreciem então, em exclusivo, as fotografias.

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   No final, o momento mais ansiado, aquelas plantas que suscitam a curiosidade de todas as crianças que visitam o Jardim Botânico: as plantas carnívoras! «Onde estão as plantas carnívoras?» foi a pergunta mais ouvida ao longo de toda a visita. Ei-las:

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publicado por CP às 22:29
Segunda-feira, 01 de Maio de 2017

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   A sala de exposições temporárias do Museu Nacional Machado de Castro exibe, até ao próximo dia 6 de junho, no âmbito da atividade designada Tesouros Partilhados, que já nos levou a conhecer um pouco mais sobre os tapetes de Kashan, uma série de 26 esmaltes pertencentes ao Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, e que, outrora, pertenceram ao Mosteiro de Santa Cruz. Aceitem o nosso conselho: não percam esta oportunidade única de conhecer estas peças únicas.

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   O esamlte pintado sobre cobre é uma arte do fogo que obteve especial apuro no séc. XVI, na região de Limoges, em França. Aí se estabeleceram numerosas oficinas que adquiriram fama. É de uma dessas oficinas que provém esta série que representa cenas da Paixão de Cristo. O conjunto pertenceu ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, tendo passado para a posse do Estado em 1834, na sequência da extinção das ordens religiosas. Os esmaltes foram levados para o Porto, integrando a coleção do então Museu Portuense, cujo espólio passaria depois para o Soares dos Reis.

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   As peças não apresentam hoje qualquer estrutura de suporte, mas é provável que formassem uma espécie de retábulo, constituindo um conjunto único em Portugal. Aliás, mesmo a nível internacional, subsistem 24 placas esmaltadas na Wallace Collection de Londres, além de outras 27 avulsas que pertencem a coleções do Ermitage, do British Museum, do Metropolitan de Nova Iorque, e de outros museus em Los Angeles, Lyon ou Paris. Todas estas peças replicam cenas das 36 gravuras que constituem o ciclo da Pequena Paixão de Albrecht Durer, de 1511.

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   Esta série agora exposta é mencionada por um frade do Mosteiro, chamado D. José de São Bernardino, num manuscrito em que descreve o trono das relíquias, isto é, um monumento em que, no séc. XVIII, estavam colocados os muitos relicários que os frades possuíam.

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   As placas esmaltadas fixam com um detalha e um pormenor impressionantes os passos do martírio e morte de Cristo, iniciando-se com a Queda do Homem e a Expulsão do Paraíso. 

 

 

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Este texto foi adaptado a partir da folha de sala facultada aos visitantes à entrada da exposição, intitulada Pintar com Fogo / Cenas da Paixão de Cristo nos esmaltes de Santa Cruz.



publicado por CP às 19:26
Sexta-feira, 31 de Março de 2017

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   Esta semana regressámos ao Exploratório para visitar uma divertida e muito educativa exposição sobre.... pintainhos! Isso mesmo, pintainhos! Esta mostra intitula-se «Sair da Casca» e pretende dar a conhecer o processo de nascimento dos pintos. O seu desenvolvimento embrionário demora cerca de 21 dias, após o que os pintainhos estão prontos para Sair da Casca!

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   Claro que foi uma enorme emoção para todos, ninguém consegue resistir a estes simpáticos bichinhos e, mal chegámos ao Exploratório, logo nos precipitámos na direção da «maternidade» onde, de um lado, estavam uns ovos a chocar sob o calor fornecido por uma lâmpada de infravernelhos que substituía o calor da galinha. Ao lado, estavam uns pintainhos já nascidos, com poucos dias, em diferentes fases de crescimento.

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   Depois de algumas explicações dadas pelas nossas guias, quando nos convidaram a segurar entre as mãos os pequenos bicharocos, não conseguimos conter a emoção! Todos nos emocionámos com a experiência de apertar entre os dedos aqueles animais tão frágeis e com uma penugem tão macia! Tanto mais quanto, à exceção da Constança que vive numa quinta onde priva com imensos animais, a maior parte de nós vive na cidade onde, neste ambiente urbano, é raro senão impossível este contacto tão próximo com os animais.

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  À medida que íamos experimentando estas sensações inesquecíveis, lá fomos aprendendo alguma coisa sobre ovos, galinhas, pintainhos, óvulos, galos e outras coisas parecidas! Assim, quando uma galinha põe um ovo, este tem uma temperatura próxima dos 40º C. O ovo de galinha tem cerca de 4,5 cm de diâmetro, o que se pode considerar um tamanho médio, pois o ovo mais pequeno é o do beija-flor, com apenas 1 cm, sendo o da avestruz o maior, rondando os 20 cm.

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   Desde que é fertilizado, o ovo de galinha demora 21 dias até ao nascimento do pinto. A casca do ovo, que terá que ser perfurada pelo bico do pintainho a partir do interior, sendo para o efeito dotado de uma espécie de capa dura e reforçada no seu frágil bico, é muito resistente, sendo composta principalmente por carbonato de sódio. 

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   Uma galinha normal põe, em média, 300 a 325 ovos por ano. A cor da gema depende da dieta da galinha. Se a ração tiver predominante trigo, a gema será mais clara. Se a farinha tiver na sua composição mais milho, então a gema será de um amarelo mais escuro.

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   Os ovos são alimentos muito saudáveis, pois conservam os músculos fortes, ajudam o funcionamento do cérebro e da memória, bem como auxiliam o corpo a produzir energia. Além disso, também ajudam ao bom funcionamento do sistema imunitário e contribuem para uma visão com boa acuidade. Toca a comer ovos!

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   Os ovos fornecem igualmente vários tipos de vitaminas e minerais, proteínas de qualidade, gorduras não saturadas e antioxidantes. Em termos nutritivos são um alimento que somente é ultrapassado pelo leite materno, devendo fazer parte de uma dieta saudável. Vai mais um ovo? Cozido, escalfado, estrelado, mexido, em omelete, gemada ou até cru, são imensas as maneiras de os cozinhar.

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   De seguida, subimos até ao auditório para assistirmos à projeção de um filme interessantíssimo sobre o processo de gestação do pintainho, desde a fecundação até ao nascimento.

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   Igualmente divertido foi observar uma série de ovos através de um ovoscópio. Trata-se de um aparelho que emite uma luz intensa que se faz incidir na base do ovo de modo a que se torna possível observar o que se encontra no seu interior. Deste modo, podemos espreitar os pintainhos nas diferentes fases da gestação.

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   Por fim, já no laboratório, passámos à parte prática, realizando um conjunto de experiências. Em primeiro lugar, fizemos "autópsias" aos ovos, quer dizer, cada grupo partiu um ovo, ainda não fertiçizado, pelo que não "assassinámos" nenhum pintainho, e dividimos os óvulos (é assim que se devem designar) nos seus sete constituintes! Depois, realizámos a experiência mais divertida, a dos ovos saltitantes! Os óvulos foram previamente colocados numa imersão de vinagre. Desse modo, o ácido corroeu a casca e o que ficou parece uma bola de boracha que inclusivamente saltita quanda largada no tampo da mesa!

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   O último momento da nossa visita tinha como objetivo testar a resistência da estrutura do ovo. Para isso, colocámos o ovo numa prensa, colocando sobre a plataforma superior um conjunto de pesos, para verificar qual era o ponto de rutura. Querem acreditar que foram quase 5 Kg?

 

 Para a redação deste texto foram utilizadas as informações escritas nos diversos painéis que acompanhavam a exposição.



publicado por CP às 21:03
Quinta-feira, 30 de Março de 2017

A mãe do Tomás enviou-nos uma fotografia da visita à capela de Santa Comba. É uma bela recordação. Obrigado!

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publicado por CP às 20:22
Sexta-feira, 24 de Março de 2017

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   A capela de Santa Comba é um dos mais antigos e esquecidos monumentos de Coimbra. Está em avançado estado de degradação e quase ninguém sabe onde se situa. Não é o nosso caso, aqui no Clube do Património, pois em maio de 2013 fizemos aqui uma visita. Basta seguir esta ligação e ler o nosso relato. Não é o caso também da arqueóloga Sónia Filipe, a mãe do nosso Tomás que, muito amavelmente, nos conduziu neste regresso ao recinto do Polo III, junto aos Hospitais da Universidade.

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   A capela foi implantada em tempos muito antigos, pelo menos no séc. XI, nesta zona muito afastada da cidade de Coimbra. Hoje, é muito difícil imaginar a paisagem original, pois tudo está cercado de prédios e estradas. No entanto, com algum esforço, podemos imaginar a excelente exposição deste local, rodeado de oliveiras e com vistas a perder no horizonte.

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   A mãe do Tomás ofereceu-nos uma pagela com uma fotografia de uma escultura de Santa Comba, exposta no Museu Machado de Castro, atribuída à escola de escultura do Mestre Pêro. Outra pagela contava a lenda desta santa Virginis et martir, como refere uma inscrição à entrada, isto é, virgem e mártir. A Inês leu a história que reproduzimos de seguida, recordando que são várias as lendas que se contam.

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   Comba era uma menina rica, filha de uma família ilustre nos tempos da dominação árabe. Como era costume na época, foi educada por uma ama, que a iniciou na fé cristã. É necessário recordar que Coimbra era uma cidade moçárabe, situada na zona de fronteira entre o norte cristão e o sul islâmico, pelo que aqui conviviam comunidades  com tradições religiosas diferentes. O pai de Comba não gostou e, com o passar dos anos, tornando-se a menina numa bela donzela, foi necessário casá-la. Não tardou, um príncipe mouro apaixonou-se por ela, sendo acordado o casamento. Comba recusou, considerando-se noiva de Cristo e desejando preservar a sua virgindade.

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    Ninguém compreendeu a sua recusa e Comba viu-se forçada a fugir para fora de portas, para aqui, para esta zona, muito afastada da cidade, com boas águas e denso matagal. O príncipe procurou-a, acabando por encontrá-la numa gruta. Persistindo na recusa do casamento, Comba - nome que vem de colomba, que em latim significa pomba - foi açoitada e morta junto ao tronco de uma oliveira, sendo o seu corpo sepultado neste local. Mais tarde, a população encontrará o cadáver e, junto a ele, uma nascente de águas límpidas, fonte que ainda hoje existe nas proximidades e que até há bem pouco tempo conservava uma escultura antiga que foi roubada.

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    Da capela original já quase nada resta, pois foram muitos os acrescentos e os danos. Ao longo dos tempos, a capela foi muito transformada, foram vários os donos e as utilizações, servindo inclusivamente como palheiro. Os azulejos, datados do séc. XVI, foram roubados e recolocados em casas e jardins de gente importante da nossa cidade! Longe iam os tempos da devoção e das romarias. A fotografia que reproduzimos abaixo, retirada da página do facebook de um grupo dinamizado pela nossa guia e que se dedica à preservação da memória e recuperação da capela, mostra como era no séc. XIX.

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   No interior, para evitar mais saques, conservam-se as colunas que, outrora, sustentavam um telheiro, conforme se observa na fotografia. No interior, visitámos a parte mais curiosa, rara e preservada da capela, a cripta, onde se julga que terão sido depositados os restos mortais da mártir, antes de serem, no século XII, levados para a antiga igreja de Santa Justa, já desparecida, localizada no atual Terreiro da Erva. Mais tarde, as ossadas da santa foram trasladadas para a igreja de S. João das Donas, atual café de Santa Cruz, e só no século XIII são depositadas na igreja de Santa Cruz, onde hoje se conservavam numa pequena e discreta urna.

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   Os pais do Tomás recriaram-nos um cenário muito propício, pois iluminaram tudo com velas, tentando reproduzir o ambiente medieval, e colocaram mesmo uma réplica da escultura de Santa Comba, impressa em cartão a partir de uma fotografia, no altar construído sobre a cripta. Esta mostra sinais de vandalização, pois foi profanada, sendo quebradas as lages da cobertura, apesar de nada se encontrar no local. Descer à cripta foi uma experiência emocionante, pois é um espaço muito exíguo, subterrâneo e que, apesar dos estragos, conserva uma memória muito forte dos tempos remotos em que foi alvo de peregrinações e profunda devoção.

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   Nas paredes conservam-se ainda inscrições a lápis de peregrinos que assinalam com rabiscos, ainda legíveis, a sua passagem por esta ermida.

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   Regressados ao piso térreo, a Sónia mostrou-nos algumas fotografias da capela, bem como dos trabalhos de prospeção, os estudos e as atividades já desenvolvidos, desde que a Universidade de Coimbra adquiriu estes terrenos para aqui instalar os edifícios das Faculdades de Medicina e de Farmácia, bem como outras infraestruturas de apoio aos estudantes, sendo que a recuperação deste monumento é uma prioridade. O pai do Tomás contou-nos como se processam os trabalhos de prospeção com uma geringonça que permite ver o que está enterrado no solo, permitindo assim orientar a escavação.

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   Demos ainda uma volta pelo exterior para constatar como se observam ainda algums frestas, bem como vestígios de outras aberturas e que foram tapadas com a construção de uma dupla parede interior. Aos arqueólogos compete "ler" estes sinais com o objetivo de estabelecer limites da reconstrução e restauro.

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   Muitas coisas mais foram ditas. Porém, este texto já vai longo. Resta-nos convidar todos os nossos leitores a visitar esta ignorada ermida, bem como a participar nas festividades que, todos os anos, no dia 20 de julho, são organizadas para manter vivas as tradições deste local.



publicado por CP às 22:42
Sexta-feira, 17 de Março de 2017

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   Inaugurou na Sala da Cidade uma exposição intitulada 700+25 Arquitectura na UniverCidade. O título precisa de alguma explicação, pois refere-se à comemoração dos 725 anos da Universidade de Coimbra e ao 25º aniversário da criação do Departamento de Arquitetura (DARQ). Com esta exposição - com a curadoria  de Désirée Pedro, José António Bandeirinha e Nuno Grande - pretende-se assinalar, para além destas efemérides, as muitas obras que marcaram o perfil da cidade nas últimas décadas e que se deveram ao traço de importantes arquitetos, sendo que muitas dessas foram encomendadas pela Universidade para os seus novos pólo, para os Institutos de investigação associados e para residências de estudantes. 

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   O lugar central da exposição é uma enorme maqueta da cidade colocada numa grande mesa. A toda a volta, dispunham-se uma série de dossiês alusivos aos diversos empreendimentos, como por exemplo, os edifícios dos diversos departamentos de engenharia, no pólo II, ou os do pólo das ciências da saúde, bem como o Instituto Pedro Nunes, o Museu da Ciência, ou as residências de estudantes espalhadas pela cidade.

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   Além destes trabalhos, destaque ainda para outras obras encomendadas pelo município, como a Casa da Escrita, o Convento de S. Francisco ou o Centro de Artes Visuais (CAV). O Pavilhão Centro de Portugal, que visitámos recentemente, tal como o Parque Verde do Mondego com a ponte pedonal Pedro e Inês. Bem vistas as coisas, são muitas e de excelente qualidade as intervenções arquitetónicas em Coimbra nas últimas décadas. Talvez sejam é pouco reconhecidas, sendo importante visitar e valorizar essas construções.

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   São muitos e muito afamados os arquitetos portugueses contemporâneos que deixaram a sua marca na nossa cidade. Qualquer listagem deve começar pelo arq. Fernando Távora, um dos nomes mais marcantes da arquitetura portuguesa do último século, responsável pelo arranjo da Praça 8 de maio, entre outras obras, e que exerceu uma enorme influência em muitas gerações de arquitetos, pois que se destacou pela sua brilhante carreira académica, no Porto e em Coimbra.

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   Refiram-se então os nomes de Gonçalo Byrne, João Mendes Ribeiro, Aires Mateus e Francisco Mateus, Carrilho da Graça, Siza Vieira e Souto Moura, ou Manuel Tainha, entre outros. vale a pena partir à procura das suas obras na nossa cidade. Visitar esta exposição, patente até ao dia 22 de abril, é uma boa maneira de iniciar esse itinerário de descoberta.

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publicado por CP às 21:11
Sexta-feira, 10 de Março de 2017

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   Após uma semana de interrupção por causa das visitas de estudo do Dia do Agrupamento, regressámos aos nossos passeios semanais, contando com um novo sócio, o Heitor, que foi muito bem recebido, adaptando-se tão bem que até parecia que já cá andava desde o início do ano letivo. Desta vez, fomos até ao Exploratório, no Parque Verde. Saímos do autocarro e atravessámos a ponte pedonal, estava um dia tão quente que nem parecia inverno, de maneira que o caminho custou um bocado, pois ainda não estamos habituados a este calor que, embora agradável, é muito estranho!

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   O nosso objetivo era o Hemispherium, uma sala de cinema muito especial, pois os filmes são projetados no teto em forma de cúpula, a 360º,  e nós assistimos deitados nuns pufes muito confortáveis, sendo mesmo necessária alguma cautela para não adormecermos quando a sala é escurecida.

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   O filme que fomos ver, produzido pela Universidade de Granada, em Espanha, intitula-se O Universo de M. C. Escher. Em aproximadamente meia hora, o filme retrata a vida e obra de Mauritz Cornelis Escher, um artista holand~es nascido em 1898 e falecido em 1972. Este artista é bastante original, destacando-se, entre outros aspetos, pela relação estreita entre a arte e a ciência.

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    Escher estudou artes gráficas, mas nunca escondeu o seu interesse pela matemática, geometria, astronomia e a ciência de uma maneira geral. Os seus desenhos refletem estes interesses e são muito famosos pela representação de espaços e construções impossíveis. O artista explora a repetição de figuras, recorrendo a técnicas de translação e rotação de imagens obtidas a partir de formas geométricas básicas, como o quadrado, o triângulo equilátero ou o losango. Depois de produzir figuras estilizadas a partir do recorte dessass formas, desdobra-os inúmeras vezes,  obtendo padrões muito bonitos e enigmáticos.

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   O artista holandês despertou para este processo depois de uma visita ao Alhambra de Granada. Aí, os arabescos decorativos dos azulejos e dos estuques desse magnífico palácio impressionaram Escher, levando-o a explorar esse processo de obter simetrias geométricas e padrões repetitivos.

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   Como sabem, a religião muçulmano não permite a representação figurativa, mas isso não impediu M. C. Escher de desenvolver os seus padrões a partir de imagens de lagartos, peixes, aves e figuras humanas.

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   Ainda que o artista não tenha desenvolvido estudos académicos na área da matemática, manteve contacto muito estreito com alguns cientistas seus contemporâneos, lendo e discutindo as mais recentes conquistas do conhecimento nesses domínios, interessando-se especialmente pela Teoria da Relatividade. os seus trabalhos gráficos refletem esses estudos, essas preocupações e conhecimentos.

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    Depois de assistirmos ao filme, ainda nos divertimos com os quebra-cabeças que a equipa do Exploratório produziu a partir dos padrões de Escher. Não foi muito difícil de os encaixar de modo a produzirmos belos padrões, replicando as técnicas de Escher. Mas, mesmo assim, foi muito divertido, foi uma excelente maneira de concluir a nossa visita.

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publicado por CP às 23:18
Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

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    Hoje, tínhamos agendada uma visita a umas escavações arqueológicas. No entanto, por razões que não controlamos, não foi possível realizar esse passeio. Fica prometido para o 3º período. Como estava um lindo dia de sol, decidimos pôr em prática o nosso plano B  e seguimos para o Parque Verde do Mondego. Além do mais, como estamos nas véspera do Carnaval, foi uma boa oportunidade para nos divertirmos. Ora vejam lá a Constança e a Inês disfarçadas:

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   O Parque Verde do Mondego é um projeto do arquiteto Camilo Cortesão, situado na margem direita do rio, ocupando uma área enorme, de mais de 400 mil metros2. Foi inaugurado em 2004 e foi uma tentativa de recuperar as margens do Mondego, até então desprezadas, convidando as pessoas a frequentarem uma frente ribeirinha preenchida com bares, restaurantes e esplanadas, bem como um parque infantil e extensos relvados, dando continuidade ao Parque Dr. Manuel Braga, mais conhecido como Parque da Cidade.

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   Pouco mais de uma dezena de anos passada sobre a inauguração, é desolador passear por esta zona. O projeto foi um fracasso total! Gastou-se muito dinheiro para nada! As esplanadas estão ao abandono e a destruição tomou conta dos espaços. Tudo porque as infraestruturas foram edificadas no leito de cheia pelo que, regularmente, o Mondego transborda e os prejuízos são enormes. Ao fundo, um conjunto de prédios abandonados contribuem para o ambiente desolador. Tudo se degrada lentamente, mesmo o urso, que em tempos já foi de relva natural, apresenta sinais de deterioração, ainda que aguente pacientemente as brincadeiras dos visitantes.

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   Depois de umas brincadeiras e correrias, prosseguimos o nosso passeio pela beira rio. Claro que a ponte pedonal nos chamou a atenção, apesar de muito grafitada e com muitos dos seus vidros coloridos estilhaçados, é uma obra que marcou a cidade, unindo as duas margens e permitindo longos passeios, bem como vistas agradáveis sobre as margens do rio e a colina da universidade. A ponte foi projetada pelo engenheiro António Adão da Fonseca e pelo arquiteto Cecil Balmond. Tem uma extensão de quase 275 metros, possuindo ao meio uma esécie de uma praceta central que lembra a memória da célebre Ponte do Ó que, no reinado de D. Manuel I, uniu as duas margens do rio.

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   Cheios de sede, por causa das correrias e deste estranho inverno tão solarengo, fizemos uma pausa num bebedouro para matar a sede. 

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   O Pavilhão Centro de Portugal foi projetado pelos arquitetos Souto Moura e Siza Vieira para a Expo 2000, realizada em Hannover, na Alemanha. Depois foi remontado aqui no Parque Verde do Mondego para acolher exposições, concertos e outros eventos culturais. Recentemente, o Pavilhão foi cedido pela Câmara Municipal à Orquestra Clássica do Centro, sendo atualmente a sua sede, aqui realizando os seus ensaios e concertos.

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   Os arquitetos utilizaram para a construção do pavilhão os materiais tradicionais do nosso país: a cortiça, o mármore rosado de Estremoz e os azulejos. No entanto, uma vez que a manutenção do edifício tem sido pouca ou nenhuma, esta obra destes dois arquitetos - os mais famosos arquitetos portugueses, ambos agraciados com o famoso Pémio Pritzker, considerado assim como uma espécie de Prémio Nobel da Arquitetura - está muito mal tratada, apresentando sinais de degradação e desprezo: a cortiça está cheia de manchas , o mármore grafitado, os azulejos caídos, os canteiros por cultivar e o lixo acumulado em todos os recantos!

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   Como a porta estava aberta, entrámos para ver o interior, o espaço de ensaio da Orquestra Clássica do Centro. A sala é ampla e luminosa, mas tudo tem o mesmo ar de desprezo, parece que o tempo parou. Os expositores estão cheios com as mesmas memórias já gastas e repisadas: o fado de Coimbra, as vistas do Mondego, a Torre da Universidade, um painel do pintor Mário Silva e outro de Pedro Olayo, tudo já visto e revisto, com estudantes e tricanas.

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publicado por CP às 17:46
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
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