Sexta-feira, 31 de Março de 2017

WP_20170331_15_19_45_Pro.jpg

   Esta semana regressámos ao Exploratório para visitar uma divertida e muito educativa exposição sobre.... pintainhos! Isso mesmo, pintainhos! Esta mostra intitula-se «Sair da Casca» e pretende dar a conhecer o processo de nascimento dos pintos. O seu desenvolvimento embrionário demora cerca de 21 dias, após o que os pintainhos estão prontos para Sair da Casca!

WP_20170331_15_18_56_Pro.jpg

   Claro que foi uma enorme emoção para todos, ninguém consegue resistir a estes simpáticos bichinhos e, mal chegámos ao Exploratório, logo nos precipitámos na direção da «maternidade» onde, de um lado, estavam uns ovos a chocar sob o calor fornecido por uma lâmpada de infravernelhos que substituía o calor da galinha. Ao lado, estavam uns pintainhos já nascidos, com poucos dias, em diferentes fases de crescimento.

WP_20170331_15_19_20_Pro.jpg

   Depois de algumas explicações dadas pelas nossas guias, quando nos convidaram a segurar entre as mãos os pequenos bicharocos, não conseguimos conter a emoção! Todos nos emocionámos com a experiência de apertar entre os dedos aqueles animais tão frágeis e com uma penugem tão macia! Tanto mais quanto, à exceção da Constança que vive numa quinta onde priva com imensos animais, a maior parte de nós vive na cidade onde, neste ambiente urbano, é raro senão impossível este contacto tão próximo com os animais.

WP_20170331_15_24_24_Pro.jpg

  À medida que íamos experimentando estas sensações inesquecíveis, lá fomos aprendendo alguma coisa sobre ovos, galinhas, pintainhos, óvulos, galos e outras coisas parecidas! Assim, quando uma galinha põe um ovo, este tem uma temperatura próxima dos 40º C. O ovo de galinha tem cerca de 4,5 cm de diâmetro, o que se pode considerar um tamanho médio, pois o ovo mais pequeno é o do beija-flor, com apenas 1 cm, sendo o da avestruz o maior, rondando os 20 cm.

WP_20170331_15_23_19_Pro.jpg

   Desde que é fertilizado, o ovo de galinha demora 21 dias até ao nascimento do pinto. A casca do ovo, que terá que ser perfurada pelo bico do pintainho a partir do interior, sendo para o efeito dotado de uma espécie de capa dura e reforçada no seu frágil bico, é muito resistente, sendo composta principalmente por carbonato de sódio. 

WP_20170331_15_16_27_Pro.jpg

   Uma galinha normal põe, em média, 300 a 325 ovos por ano. A cor da gema depende da dieta da galinha. Se a ração tiver predominante trigo, a gema será mais clara. Se a farinha tiver na sua composição mais milho, então a gema será de um amarelo mais escuro.

WP_20170331_15_21_08_Pro.jpg

   Os ovos são alimentos muito saudáveis, pois conservam os músculos fortes, ajudam o funcionamento do cérebro e da memória, bem como auxiliam o corpo a produzir energia. Além disso, também ajudam ao bom funcionamento do sistema imunitário e contribuem para uma visão com boa acuidade. Toca a comer ovos!

WP_20170331_15_20_15_Pro.jpg

   Os ovos fornecem igualmente vários tipos de vitaminas e minerais, proteínas de qualidade, gorduras não saturadas e antioxidantes. Em termos nutritivos são um alimento que somente é ultrapassado pelo leite materno, devendo fazer parte de uma dieta saudável. Vai mais um ovo? Cozido, escalfado, estrelado, mexido, em omelete, gemada ou até cru, são imensas as maneiras de os cozinhar.

WP_20170331_15_32_20_Pro.jpg

   De seguida, subimos até ao auditório para assistirmos à projeção de um filme interessantíssimo sobre o processo de gestação do pintainho, desde a fecundação até ao nascimento.

WP_20170331_15_36_21_Pro.jpg

   Igualmente divertido foi observar uma série de ovos através de um ovoscópio. Trata-se de um aparelho que emite uma luz intensa que se faz incidir na base do ovo de modo a que se torna possível observar o que se encontra no seu interior. Deste modo, podemos espreitar os pintainhos nas diferentes fases da gestação.

WP_20170331_15_55_42_Pro#1.jpg

   Por fim, já no laboratório, passámos à parte prática, realizando um conjunto de experiências. Em primeiro lugar, fizemos "autópsias" aos ovos, quer dizer, cada grupo partiu um ovo, ainda não fertiçizado, pelo que não "assassinámos" nenhum pintainho, e dividimos os óvulos (é assim que se devem designar) nos seus sete constituintes! Depois, realizámos a experiência mais divertida, a dos ovos saltitantes! Os óvulos foram previamente colocados numa imersão de vinagre. Desse modo, o ácido corroeu a casca e o que ficou parece uma bola de boracha que inclusivamente saltita quanda largada no tampo da mesa!

WP_20170331_16_19_00_Pro#1.jpg

   O último momento da nossa visita tinha como objetivo testar a resistência da estrutura do ovo. Para isso, colocámos o ovo numa prensa, colocando sobre a plataforma superior um conjunto de pesos, para verificar qual era o ponto de rutura. Querem acreditar que foram quase 5 Kg?

 

 Para a redação deste texto foram utilizadas as informações escritas nos diversos painéis que acompanhavam a exposição.



publicado por CP às 21:03
Quinta-feira, 30 de Março de 2017

A mãe do Tomás enviou-nos uma fotografia da visita à capela de Santa Comba. É uma bela recordação. Obrigado!

DSC06029.JPG

 



publicado por CP às 20:22
Sexta-feira, 24 de Março de 2017

WP_20170324_14_54_02_Pro.jpg

   A capela de Santa Comba é um dos mais antigos e esquecidos monumentos de Coimbra. Está em avançado estado de degradação e quase ninguém sabe onde se situa. Não é o nosso caso, aqui no Clube do Património, pois em maio de 2013 fizemos aqui uma visita. Basta seguir esta ligação e ler o nosso relato. Não é o caso também da arqueóloga Sónia Filipe, a mãe do nosso Tomás que, muito amavelmente, nos conduziu neste regresso ao recinto do Polo III, junto aos Hospitais da Universidade.

WP_20170324_14_56_39_Pro.jpg

   A capela foi implantada em tempos muito antigos, pelo menos no séc. XI, nesta zona muito afastada da cidade de Coimbra. Hoje, é muito difícil imaginar a paisagem original, pois tudo está cercado de prédios e estradas. No entanto, com algum esforço, podemos imaginar a excelente exposição deste local, rodeado de oliveiras e com vistas a perder no horizonte.

WP_20170324_15_15_04_Pro.jpg

   A mãe do Tomás ofereceu-nos uma pagela com uma fotografia de uma escultura de Santa Comba, exposta no Museu Machado de Castro, atribuída à escola de escultura do Mestre Pêro. Outra pagela contava a lenda desta santa Virginis et martir, como refere uma inscrição à entrada, isto é, virgem e mártir. A Inês leu a história que reproduzimos de seguida, recordando que são várias as lendas que se contam.

Stª Comba MNMC.jpg

   Comba era uma menina rica, filha de uma família ilustre nos tempos da dominação árabe. Como era costume na época, foi educada por uma ama, que a iniciou na fé cristã. É necessário recordar que Coimbra era uma cidade moçárabe, situada na zona de fronteira entre o norte cristão e o sul islâmico, pelo que aqui conviviam comunidades  com tradições religiosas diferentes. O pai de Comba não gostou e, com o passar dos anos, tornando-se a menina numa bela donzela, foi necessário casá-la. Não tardou, um príncipe mouro apaixonou-se por ela, sendo acordado o casamento. Comba recusou, considerando-se noiva de Cristo e desejando preservar a sua virgindade.

WP_20170324_14_55_54_Pro.jpg

    Ninguém compreendeu a sua recusa e Comba viu-se forçada a fugir para fora de portas, para aqui, para esta zona, muito afastada da cidade, com boas águas e denso matagal. O príncipe procurou-a, acabando por encontrá-la numa gruta. Persistindo na recusa do casamento, Comba - nome que vem de colomba, que em latim significa pomba - foi açoitada e morta junto ao tronco de uma oliveira, sendo o seu corpo sepultado neste local. Mais tarde, a população encontrará o cadáver e, junto a ele, uma nascente de águas límpidas, fonte que ainda hoje existe nas proximidades e que até há bem pouco tempo conservava uma escultura antiga que foi roubada.

WP_20170324_15_15_48_Pro.jpg

    Da capela original já quase nada resta, pois foram muitos os acrescentos e os danos. Ao longo dos tempos, a capela foi muito transformada, foram vários os donos e as utilizações, servindo inclusivamente como palheiro. Os azulejos, datados do séc. XVI, foram roubados e recolocados em casas e jardins de gente importante da nossa cidade! Longe iam os tempos da devoção e das romarias. A fotografia que reproduzimos abaixo, retirada da página do facebook de um grupo dinamizado pela nossa guia e que se dedica à preservação da memória e recuperação da capela, mostra como era no séc. XIX.

Capeta StA Comba.jpg

   No interior, para evitar mais saques, conservam-se as colunas que, outrora, sustentavam um telheiro, conforme se observa na fotografia. No interior, visitámos a parte mais curiosa, rara e preservada da capela, a cripta, onde se julga que terão sido depositados os restos mortais da mártir, antes de serem, no século XII, levados para a antiga igreja de Santa Justa, já desparecida, localizada no atual Terreiro da Erva. Mais tarde, as ossadas da santa foram trasladadas para a igreja de S. João das Donas, atual café de Santa Cruz, e só no século XIII são depositadas na igreja de Santa Cruz, onde hoje se conservavam numa pequena e discreta urna.

WP_20170324_15_12_06_Pro.jpg

   Os pais do Tomás recriaram-nos um cenário muito propício, pois iluminaram tudo com velas, tentando reproduzir o ambiente medieval, e colocaram mesmo uma réplica da escultura de Santa Comba, impressa em cartão a partir de uma fotografia, no altar construído sobre a cripta. Esta mostra sinais de vandalização, pois foi profanada, sendo quebradas as lages da cobertura, apesar de nada se encontrar no local. Descer à cripta foi uma experiência emocionante, pois é um espaço muito exíguo, subterrâneo e que, apesar dos estragos, conserva uma memória muito forte dos tempos remotos em que foi alvo de peregrinações e profunda devoção.

WP_20170324_15_18_22_Pro.jpg

   Nas paredes conservam-se ainda inscrições a lápis de peregrinos que assinalam com rabiscos, ainda legíveis, a sua passagem por esta ermida.

WP_20170324_15_19_33_Pro.jpg

   Regressados ao piso térreo, a Sónia mostrou-nos algumas fotografias da capela, bem como dos trabalhos de prospeção, os estudos e as atividades já desenvolvidos, desde que a Universidade de Coimbra adquiriu estes terrenos para aqui instalar os edifícios das Faculdades de Medicina e de Farmácia, bem como outras infraestruturas de apoio aos estudantes, sendo que a recuperação deste monumento é uma prioridade. O pai do Tomás contou-nos como se processam os trabalhos de prospeção com uma geringonça que permite ver o que está enterrado no solo, permitindo assim orientar a escavação.

WP_20170324_14_59_17_Pro.jpg

   Demos ainda uma volta pelo exterior para constatar como se observam ainda algums frestas, bem como vestígios de outras aberturas e que foram tapadas com a construção de uma dupla parede interior. Aos arqueólogos compete "ler" estes sinais com o objetivo de estabelecer limites da reconstrução e restauro.

WP_20170324_15_27_02_Pro.jpg

   Muitas coisas mais foram ditas. Porém, este texto já vai longo. Resta-nos convidar todos os nossos leitores a visitar esta ignorada ermida, bem como a participar nas festividades que, todos os anos, no dia 20 de julho, são organizadas para manter vivas as tradições deste local.



publicado por CP às 22:42
Sexta-feira, 17 de Março de 2017

WP_20170317_15_10_43_Pro.jpg

   Inaugurou na Sala da Cidade uma exposição intitulada 700+25 Arquitectura na UniverCidade. O título precisa de alguma explicação, pois refere-se à comemoração dos 725 anos da Universidade de Coimbra e ao 25º aniversário da criação do Departamento de Arquitetura (DARQ). Com esta exposição - com a curadoria  de Désirée Pedro, José António Bandeirinha e Nuno Grande - pretende-se assinalar, para além destas efemérides, as muitas obras que marcaram o perfil da cidade nas últimas décadas e que se deveram ao traço de importantes arquitetos, sendo que muitas dessas foram encomendadas pela Universidade para os seus novos pólo, para os Institutos de investigação associados e para residências de estudantes. 

WP_20170317_15_12_01_Pro.jpg

   O lugar central da exposição é uma enorme maqueta da cidade colocada numa grande mesa. A toda a volta, dispunham-se uma série de dossiês alusivos aos diversos empreendimentos, como por exemplo, os edifícios dos diversos departamentos de engenharia, no pólo II, ou os do pólo das ciências da saúde, bem como o Instituto Pedro Nunes, o Museu da Ciência, ou as residências de estudantes espalhadas pela cidade.

WP_20170317_15_11_23_Pro.jpg

   Além destes trabalhos, destaque ainda para outras obras encomendadas pelo município, como a Casa da Escrita, o Convento de S. Francisco ou o Centro de Artes Visuais (CAV). O Pavilhão Centro de Portugal, que visitámos recentemente, tal como o Parque Verde do Mondego com a ponte pedonal Pedro e Inês. Bem vistas as coisas, são muitas e de excelente qualidade as intervenções arquitetónicas em Coimbra nas últimas décadas. Talvez sejam é pouco reconhecidas, sendo importante visitar e valorizar essas construções.

WP_20170317_15_12_21_Pro.jpg

   São muitos e muito afamados os arquitetos portugueses contemporâneos que deixaram a sua marca na nossa cidade. Qualquer listagem deve começar pelo arq. Fernando Távora, um dos nomes mais marcantes da arquitetura portuguesa do último século, responsável pelo arranjo da Praça 8 de maio, entre outras obras, e que exerceu uma enorme influência em muitas gerações de arquitetos, pois que se destacou pela sua brilhante carreira académica, no Porto e em Coimbra.

WP_20170317_15_09_55_Pro.jpg

   Refiram-se então os nomes de Gonçalo Byrne, João Mendes Ribeiro, Aires Mateus e Francisco Mateus, Carrilho da Graça, Siza Vieira e Souto Moura, ou Manuel Tainha, entre outros. vale a pena partir à procura das suas obras na nossa cidade. Visitar esta exposição, patente até ao dia 22 de abril, é uma boa maneira de iniciar esse itinerário de descoberta.

WP_20170317_15_27_35_Pro.jpg



publicado por CP às 21:11
Sexta-feira, 10 de Março de 2017

WP_20170310_15_29_40_Pro.jpg

   Após uma semana de interrupção por causa das visitas de estudo do Dia do Agrupamento, regressámos aos nossos passeios semanais, contando com um novo sócio, o Heitor, que foi muito bem recebido, adaptando-se tão bem que até parecia que já cá andava desde o início do ano letivo. Desta vez, fomos até ao Exploratório, no Parque Verde. Saímos do autocarro e atravessámos a ponte pedonal, estava um dia tão quente que nem parecia inverno, de maneira que o caminho custou um bocado, pois ainda não estamos habituados a este calor que, embora agradável, é muito estranho!

WP_20170310_15_12_31_Pro.jpg

   O nosso objetivo era o Hemispherium, uma sala de cinema muito especial, pois os filmes são projetados no teto em forma de cúpula, a 360º,  e nós assistimos deitados nuns pufes muito confortáveis, sendo mesmo necessária alguma cautela para não adormecermos quando a sala é escurecida.

WP_20170310_15_15_58_Pro.jpg

   O filme que fomos ver, produzido pela Universidade de Granada, em Espanha, intitula-se O Universo de M. C. Escher. Em aproximadamente meia hora, o filme retrata a vida e obra de Mauritz Cornelis Escher, um artista holand~es nascido em 1898 e falecido em 1972. Este artista é bastante original, destacando-se, entre outros aspetos, pela relação estreita entre a arte e a ciência.

WP_20170310_15_36_50_Pro.jpg

    Escher estudou artes gráficas, mas nunca escondeu o seu interesse pela matemática, geometria, astronomia e a ciência de uma maneira geral. Os seus desenhos refletem estes interesses e são muito famosos pela representação de espaços e construções impossíveis. O artista explora a repetição de figuras, recorrendo a técnicas de translação e rotação de imagens obtidas a partir de formas geométricas básicas, como o quadrado, o triângulo equilátero ou o losango. Depois de produzir figuras estilizadas a partir do recorte dessass formas, desdobra-os inúmeras vezes,  obtendo padrões muito bonitos e enigmáticos.

WP_20170310_15_27_17_Pro.jpg

   O artista holandês despertou para este processo depois de uma visita ao Alhambra de Granada. Aí, os arabescos decorativos dos azulejos e dos estuques desse magnífico palácio impressionaram Escher, levando-o a explorar esse processo de obter simetrias geométricas e padrões repetitivos.

WP_20170310_15_28_42_Pro.jpg

   Como sabem, a religião muçulmano não permite a representação figurativa, mas isso não impediu M. C. Escher de desenvolver os seus padrões a partir de imagens de lagartos, peixes, aves e figuras humanas.

WP_20170310_15_29_25_Pro.jpg

   Ainda que o artista não tenha desenvolvido estudos académicos na área da matemática, manteve contacto muito estreito com alguns cientistas seus contemporâneos, lendo e discutindo as mais recentes conquistas do conhecimento nesses domínios, interessando-se especialmente pela Teoria da Relatividade. os seus trabalhos gráficos refletem esses estudos, essas preocupações e conhecimentos.

WP_20170310_15_34_38_Pro.jpg

    Depois de assistirmos ao filme, ainda nos divertimos com os quebra-cabeças que a equipa do Exploratório produziu a partir dos padrões de Escher. Não foi muito difícil de os encaixar de modo a produzirmos belos padrões, replicando as técnicas de Escher. Mas, mesmo assim, foi muito divertido, foi uma excelente maneira de concluir a nossa visita.

WP_20170310_15_50_07_Pro.jpg



publicado por CP às 23:18
Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

WP_20170224_15_47_48_Pro.jpg

    Hoje, tínhamos agendada uma visita a umas escavações arqueológicas. No entanto, por razões que não controlamos, não foi possível realizar esse passeio. Fica prometido para o 3º período. Como estava um lindo dia de sol, decidimos pôr em prática o nosso plano B  e seguimos para o Parque Verde do Mondego. Além do mais, como estamos nas véspera do Carnaval, foi uma boa oportunidade para nos divertirmos. Ora vejam lá a Constança e a Inês disfarçadas:

WP_20170224_15_10_54_Pro.jpg

   O Parque Verde do Mondego é um projeto do arquiteto Camilo Cortesão, situado na margem direita do rio, ocupando uma área enorme, de mais de 400 mil metros2. Foi inaugurado em 2004 e foi uma tentativa de recuperar as margens do Mondego, até então desprezadas, convidando as pessoas a frequentarem uma frente ribeirinha preenchida com bares, restaurantes e esplanadas, bem como um parque infantil e extensos relvados, dando continuidade ao Parque Dr. Manuel Braga, mais conhecido como Parque da Cidade.

WP_20170224_15_33_37_Pro.jpg

   Pouco mais de uma dezena de anos passada sobre a inauguração, é desolador passear por esta zona. O projeto foi um fracasso total! Gastou-se muito dinheiro para nada! As esplanadas estão ao abandono e a destruição tomou conta dos espaços. Tudo porque as infraestruturas foram edificadas no leito de cheia pelo que, regularmente, o Mondego transborda e os prejuízos são enormes. Ao fundo, um conjunto de prédios abandonados contribuem para o ambiente desolador. Tudo se degrada lentamente, mesmo o urso, que em tempos já foi de relva natural, apresenta sinais de deterioração, ainda que aguente pacientemente as brincadeiras dos visitantes.

WP_20170224_15_27_40_Pro.jpg

   Depois de umas brincadeiras e correrias, prosseguimos o nosso passeio pela beira rio. Claro que a ponte pedonal nos chamou a atenção, apesar de muito grafitada e com muitos dos seus vidros coloridos estilhaçados, é uma obra que marcou a cidade, unindo as duas margens e permitindo longos passeios, bem como vistas agradáveis sobre as margens do rio e a colina da universidade. A ponte foi projetada pelo engenheiro António Adão da Fonseca e pelo arquiteto Cecil Balmond. Tem uma extensão de quase 275 metros, possuindo ao meio uma esécie de uma praceta central que lembra a memória da célebre Ponte do Ó que, no reinado de D. Manuel I, uniu as duas margens do rio.

WP_20170224_15_37_42_Pro.jpg

   Cheios de sede, por causa das correrias e deste estranho inverno tão solarengo, fizemos uma pausa num bebedouro para matar a sede. 

WP_20170224_15_37_57_Pro.jpg

   O Pavilhão Centro de Portugal foi projetado pelos arquitetos Souto Moura e Siza Vieira para a Expo 2000, realizada em Hannover, na Alemanha. Depois foi remontado aqui no Parque Verde do Mondego para acolher exposições, concertos e outros eventos culturais. Recentemente, o Pavilhão foi cedido pela Câmara Municipal à Orquestra Clássica do Centro, sendo atualmente a sua sede, aqui realizando os seus ensaios e concertos.

WP_20170224_15_48_30_Pro.jpg

   Os arquitetos utilizaram para a construção do pavilhão os materiais tradicionais do nosso país: a cortiça, o mármore rosado de Estremoz e os azulejos. No entanto, uma vez que a manutenção do edifício tem sido pouca ou nenhuma, esta obra destes dois arquitetos - os mais famosos arquitetos portugueses, ambos agraciados com o famoso Pémio Pritzker, considerado assim como uma espécie de Prémio Nobel da Arquitetura - está muito mal tratada, apresentando sinais de degradação e desprezo: a cortiça está cheia de manchas , o mármore grafitado, os azulejos caídos, os canteiros por cultivar e o lixo acumulado em todos os recantos!

WP_20170224_15_52_33_Pro.jpg

   Como a porta estava aberta, entrámos para ver o interior, o espaço de ensaio da Orquestra Clássica do Centro. A sala é ampla e luminosa, mas tudo tem o mesmo ar de desprezo, parece que o tempo parou. Os expositores estão cheios com as mesmas memórias já gastas e repisadas: o fado de Coimbra, as vistas do Mondego, a Torre da Universidade, um painel do pintor Mário Silva e outro de Pedro Olayo, tudo já visto e revisto, com estudantes e tricanas.

WP_20170224_15_56_25_Pro.jpg



publicado por CP às 17:46
Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

WP_20170217_15_12_46_Pro.jpg

    Esta semana tínhamos agendada uma visita ao Museu Municipal. Porém, por razões imprevistas, tivemos que adiar o passeio e improvisar outro. Como estava um lindo dia de sol, e porque eram poucos os que conheciam o Penedo da Saudade, decidimos rumar a este lindo miradouro da nossa cidade, que até fica relativamente próximo da nossa escola.

WP_20170217_15_06_29_Pro.jpg

    Este parque foi construído em 1849 e está ligado à cultura e às tradições coimbrãs, pois é aqui, por entre uma bela e diversificada vegetação, que encontramos inúmeras placas comemorativas dos cursos, com versos de fraca qualidade poética, assinalando os aniversários da conclusão das licenciaturas. Na verdade, alguns estudantes instituiram o costume de, anos após a sua passagem por Coimbra, marcarem reencontros na cidade onde passaram a juventude, assinalando essas reuniões com a colocação de lápides neste local. A mais antiga data de 1855, podendo ler-se outras de há dois ou três anos.

WP_20170217_15_06_52_Pro.jpg

   A Sala dos Cursos e a Sala dos Poetas são os dois espaços mais largos onde se concentram as lápides com os poemas lavrados:

WP_20170217_15_07_49_Pro.jpg

    O local é tão mitificado que vale a pena transcrever o texto publicado numa obra editada nos anos 40 do século passado, o Guia de Portugal. Trata-se de um roteiro que foi idealizado escrito pelo escritor Raúl Proença que, no entanto, não o conclui por ter falecido precocemente. A obra, que dedicava um volume a cada uma das províncias do país, foi terminada graças à iniciativa de um grupo de escritores amigos, destacando-se Sant'Anna Dionísio que tomou a seu cargo a tarefa da redação. O 3º volume é dedicado à Beira Litoral, destacando-se naturalmente a região de Coimbra e dos seus arredores. Transcrevemos, a acompanhar as fotos captadas durante o nosso passeio, o excerto dedicado ao Penedo:

WP_20170217_15_13_05_Pro.jpg

   «[Vindo da Rua dos Combatentes] Seguindo para os Olivais, em breve os olhos se perdem e embevecem na contemplação do panorama que se abre do lado sul e do nascente. É a encantadora vista do Penedo da Saudade que principia a desdobrar-se, na sua placidez e amplidão de cenário romântico. Enquanto, ao longe, se desenham os vastos horizontes das montanhas, emerge a dois passos, entre um tufo de arvoredo, a cabeça de António Nobre.» Infelizmente, não tirámos uma fotografia ao busto do poeta, por isso, mostramos uma vista da panorâmica que daí se desfruta.

WP_20170217_15_07_27_Pro.jpg

   Continuado como o Guia de Portugal: «Em baixo, é uma formosa e vasta concha de olivais. E como o Poeta do Só, quantos adolescentes não penaram, à hora do crepúsculo, as suas indefinidas e surdas ansiedades diante deste cenário! E quantos, nas suas noites de aturdimento (...) não vieram para aqui, no desalinho da sua alegria angustiada, esperar o nascer do sol!»

WP_20170217_15_12_06_Pro.jpg

   «O flanco do maravilhoso miradouro, excessivamente aformoseado - e irreconhecível mesmo para os que o visitavam há um quarto de século - é cortado de veredas e escadinhas artificiais, ladeadas de sofás de cimento e globos de iluminação, tufos de canas da Índia, numerosas lápides de maus versos e outras inscrições ainda piores, com triviais lembranças de reuniões de cursos.»

WP_20170217_15_13_49_Pro.jpg

    «Mas, abstraindo de todas essas expressões de menos bom gosto, em que poderemos incluir algumas vivendas invasoras do seu recolhimento, o sítio será sempre grato pela beleza e harmonia dos seus horizontes.»

WP_20170217_15_07_35_Pro.jpg



publicado por CP às 15:40
Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

WP_20170210_15_16_11_Pro.jpg

   Alexandre Estrela nasceu em Lisboa em 1971. Desde meados da década de 90 que o trabalho deste artista se tem distinguido pelo modo original como sobrepõe diferentes domínios, técnicas e géneros na sua produção: desde estudos sobre o modo como percepcionamos a realidade, até à ficção científica, cinema ou diversas manifestações da cultura popular.

WP_20170210_15_19_09_Pro.jpg

    O Centro de Artes Visuais (CAV) exibe, até 12 de março, uma exposição de Alexandre Estrela, com a curadoria de Sérgio Mah. Nós fomos lá na sexta-feira, guiados pela Catarina, e recomendamos. O título é Baklite, aglutinação das palavras baquelite e backlight, e reune 7 obras produzidas em 2016. Em comum têm o facto de terem origem em fotografias, sempre manipuladas, por vezes conjugadas com sons e completamente comprometidas com as condições físicas e espaciais, como os materiais em que as imagens são projetadas ou os elementos arquitetónicos.

WP_20170210_15_49_32_Pro.jpg

    A primeira instalação do percurso intitula-se Self-standing shadow. Trata-se de uma escultura metálica executada a partir de uma sombra projetada de uns óculos 3D. isto é, o artista fez passar um foco de luz através de uns óculos usados para ver filmes em 3 dimensões e depois recortou numa chama metálica essa sombra que assim adquiriu tridimensionalidade, autonomia e durabilidade.

WP_20170210_15_21_22_Pro.jpg

   Rabidd Tuck é impossível de fotografar, pois é uma projeção video, sem som, de duas imagens em loop contínuo, isto é, alternando rapidamente a fotografia de um coelho e de um pássaro, e daí um nome. As duas formas projetadas em rápida sucessão produzem um efeito hipnótico, criando na mente do observador uma imagem mostruosa, porque híbrida, de um ser que não existe senão na nossa retina e na nossa mente.

WP_20170210_15_29_15_Pro.jpg

   Lazy Susan é o título da terceira obra da mostra, O título refere-se às bandejas giratórias colocadas nos centros das mesas de jantar, muito comuns por exemplo nos restaurantes chineses. A peça funciona como um motor perpétuo feito a partir de um video em  loop que ativa e ilude o modo como captamos a imagem. O trabalho é composto por uma imagem estática de um tijolo que é projetada sobre uma estrutura de madeira que contém dois relevos circulares. A imagem é animada por dois círculos giratórios sincronizados coms os discos pregados no ecrã.

WP_20170210_15_32_08_Pro.jpg

    Escondendo-se atrás de uma parede, dois olhos fixam-nos através de uma erva em movimento. O video desta instalação, intitulada Ikebana, que designa uma técnica japonesa de arranjo floral, é composto por uma sucessão de fotografias, produzindo uma ilusão de tridimensionalidade. No ecrã, os olhos coincidem com dois furos feitos na superfície de projeção e que sugerem um espaço através do plano em que a imagem é projetada. Dessa superfície sai um arranjo floral, uma erva semelhante à que é visível no video, mas agora real e tridimensional.

WP_20170210_15_34_18_Pro.jpg

   Balastro é o nome técnico dos arrancadores de certas lâmpadas elétricas e desta instalação. Um video manipulado pelo artista mostra várias tentativas de arranque de uma lâmpada fluorescente. uma imagem irrompe, desaparece e explode sempre sobre uma mancha permanente pintada na superfície de projecção.

WP_20170210_15_40_31_Pro.jpg

    Baquelite /Backlight é a peça mais marcante. É uma dupla projeção de video sobre um ecrã que divide dois espaços. Um dos lados recebe e materializa a imagem de uma superfície cortada e desgastada. Do outro lado é projetado um video onde se ouve o som ambiente de um concerto. Ao passar através das ranhuras abertas no ecrã, a luz forma um desenho na parede.

WP_20170210_15_44_50_Pro.jpg

   Traveling Light mostra um monitor de televisão com uma imagem parada de um espaço interno composto por um aglomerado de materiais. Este interior é intersetado por cabos elétricos de cor que realçam o potencial elétrico do aparelho.

WP_20170210_15_53_32_Pro.jpg

    Concluído o itinerário, a Catarina ainda nos conduziu ao piso superior do CAV, onde está patente uma segunda exposição. do designer Filipe Alarcão, intitulada A espessura do plano.

 

   Este texto foi redigido com transcrições da folha de sala da exposição, complementadas com informações recolhidas durante a visita orientada por Catarina Portelinha, a quem agradecemos.



publicado por CP às 18:47
Quarta-feira, 01 de Fevereiro de 2017

WP_20170127_15_11_25_Pro.jpg

  Este relato da nossa visita da passada sexta-feira já vai um bocado tarde, mas ainda a tempo de recomendar os nossos leitores, particularmente os que se interessam pela história e pela memória desaparecida da nossa cidade, a não perderem esta mostra de fotografias patente na Sala da Cidade, o antigo refeitório de Santa Cruz, na rua Olímpio Nicolau Fernandes, até ao dia 27 de fevereiro. Vale a pena!

WP_20170127_15_13_10_Pro.jpg

   «David de Almeida Carvalho (1911-1991) nasceu em São Julião, Figueira da Foz, mas foi em Coimbra que passou a sua vida, tendo-se estabelecido na Praça do Comércio com atividade de relojoaria e ótica. Cedo revelou grande apetência e curiosidade pela fotografia, tendo acompanhado de perto o trabalho de outros fotógrafos da cidade e integrado o famoso Grupo Câmara

WP_20170127_15_23_13_Pro.jpg

Máquina fotográfica de David Carvalho

«O seu trabalho como fotógrafo manifesta elevada sensibilidade artística. Procurava estar presente nos principais salões e concursos de fotografia, nacionais e internacionais, tendo sido distinguido com vários prémios.»

WP_20170127_15_13_28_Pro.jpg

    «A exposição resulta de uma seleção feita a partir dos cerca de dez mil registos fotográficos doados pela família do fotógrafo figueirense ao Município de Coimbra. Trata-se de um legado que documenta as transformações urbanísticas da cidade e do seu quotidiano, onde aparecem registadas algumas figuras carismáticas, quase sempre captadas em momentos de forte espontaneidade e que, seguramente, serão um precioso contributo para a preservação da memória imagética da cidade de Coimbra, nas décadas de 40 a 60 do séc. XX.»

WP_20170127_15_24_23_Pro.jpg

   A fotografia acima reproduzida mostra precisamente uma das figuras mais típicas de Coimbra. Os nossos leitores mais velhos recordam seguramente esta personagem, o Teixeira, um vendedor de jornais, adotado por várias gerações de estudantes, que deambulava pelas ruas da cidade, cravando sempre um cigarro e ralhando, com a sua voz grossa muito característica, aos que o recusavam.

WP_20170127_15_20_23_Pro.jpg

Deixamos algumas imagens curiosas, como esta que ilustra a antiga igreja de S. José, já demolida, na década de 50 do séc. XX, podendo ver-se ao lado o atual templo ainda em fase de construção. Em baixo, mostramos outro instantâneo de David Carvalho, onde se pode observar a Escola Secundária Avelar Brotero, também em construção, na zona do Calhabé, bem perto da nossa escola, que, poucas décadas mais tarde, viria a ocupar uns terrenos próximos dos que aparecem no canto superior esquerdo. Reparem ainda no velhinho estádio do Calhabé!

WP_20170127_15_19_16_Pro.jpg

    São muitas as fotografia, cerca de quatro dezenas. Interessantes são igualmente as que captam edifícios já desaparecidos, como os que foram demolidos na Alta de Coimbra para a construção da cidade universitária. Outras mostram as lavadeiras do Mondego ou as margens do rio alagadas pelas cheias, antes das obras de regularização do leito. Cenas da Queima das Fitas de há 70 anos permitem ainda verificar como evoluiram as tradições académicas. Enfim, é possível encontrar muitas razões para visitar esta exposição. O melhor é ir!

WP_20170127_15_18_05_Pro.jpg



publicado por CP às 00:41
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

WP_20170120_15_47_29_Pro.jpg

   Hoje fomos ao Museu Machado de Castro apreciar dois raríssimos tapetes! «Trata-se de dois excecionais tapetes persas do século XVI que integram um exclusivo grupo de 16 tapetes existentes em Museus e coleções de todo o Mundo, saídos de oficinas da cidade de Kashan», cidade da Pérsia, atual Irão. «De pequeno formato, ainda que com ligeiras variações, todos foram fabricados em seda, usando o nó assimétrico [ver a imagem} e apresentando um colorido vivo (...), obtidos a partir de corantes de origem animal e vegetal.»

nós.png

    Dos 16 tapetes existentes em todo o Mundo, dois estão em Portugal, estes que hoje visitámos. Um pertence à coleção da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo sido propositadamente emprestado para esta iniciativa chamada Tesouros Partilhados, e o outro pertence à coleção do nosso Museu. Normalmente, as secções de artes decorativas dos museus, nomeadamente as de têxteis, recebem pouca atenção por parte dos visitantes, o que é injusto. Na verdade, esta foi uma excelente oportunidade para nos sensibilizar para estas valiosíssimas peças.

   «Os tapetes mais caros e apreciados foram sempre os turcos e os persas. Usavam-se, na Europa, para cobrir o chão, as paredes e os móveis ou ainda para adorno das janelas em dias de procissão ou festas de rua.

De tudo isso nos deixaram fantásticos registos os pintores que, entre os séculos XV e XX, reproduziram esses tapetes e orgulhosamente os exibiam para afirmação do elevado estatuto social e da riqueza de quem os possuía.

Os ambientes do exótico e longínquo Oriente também seriam captados nas telas de alguns pintores europeus.» 

  Abaixo, apresentamos alguns exemplos de tapetes representados com grande destaque e pormenor, em pinturas de grandes artistas europeus:

Josefa.pngMetsu.png

esq.: Josefa de Óbidos: Lactação de S. Bernardo; séc. XVII; MNMC; Coimbra

dir.: Gabriel Metsu; Homem escrevendo uma carta; séc. XVII; National Gallery of Ireland, Dublin

 

conferência.png

A Conferência da Casa de Somerset

[Tapete de padrão ‘Holbein’ de origem turca | Anatólia]

Século XVI

  

   «Nos tapetes de nós a teia é, em geral, de algodão e a trama é feita com lã, algodão ou seda, por vezes enriquecida com fios de ouro e prata. O desenho é feito com nós, formados por um fio atado em torno de um ou dois fios da teia, em fileiras apertadas pelos fios da trama.»

mulher.png

Mulher tecendo um grande tapete numa armação vertical. Oficina de Iṣfahan | Irão

   «Regra geral, os motivos decorativos são geométricos, florais e caligráficos, mas no séc. XVI a Pérsia criou esplêndidos desenhos de animais domésticos e selvagens. Na estrutura do tapete distinguem-se o campo, que apresenta o desenho principal; as barras; as cercaduras; os cantos; o padrão. A cor base dominante é a que se encontra no campo.»

NY.png

Tapete com medalhão central 

Séc. XVI [2ª metade]

Oficina de Kashan, Pérsia

New York, The Metropolitan Museum of Art

 

  «O tapete do Museu Gulbenkian é uma obra de arte extraordinária e singular, empregando no campo do tapete um modelo de medalhão central, ilustrado com motivos florais e cenas zoomórficas de combates entre diversos animais. Especialmente bem delineados são esses grupos de diferentes felinos caçando as suas presas, bem assim como as sinuosas linhas da colorida plumagem de faisões dourados nas barras.»

WP_20170120_15_08_23_Pro.jpg

   «Já no tapete do Museu Machado de Castro dominam os motivos de carácter floral. Nesse jardim eterno, o quadrilobado medalhão central é enquadrado por uma moldura ondulada, de onde se destacam grandes e estilizadas palmetas. A cada um dos cantos do campo surgem medalhões fragmentados preenchidos por nuvens. Palmetas e pequenas flores, juntamente com inúmeras nuvens chinesas (tchi), povoam o espaço da barra de maiores dimensões.»

WP_20170120_15_08_44_Pro.jpg

   «Muito apreciadas por todas as cortes europeias, estas dispendiosas obras de arte eram importadas pelos portugueses com o objetivo de embelezar palácios, igrejas e outras habitações de ricos mercadores. Com toda a probabilidade, os tapetes datam do reinado do xá Tahmsap I [1524-1576] e, se não forem tidos em consideração alguns pormenores, ambos apresentam semelhanças com exemplares descritos no inventário do 5º Duque de Bragança, D. Teodósio [1520-1563].»

WP_20170120_15_48_36_Pro#1.jpg

  Resta-nos recomendar uma visita ao Museu Machado de Castro, onde estes tapetes permanecerão expostos até ao dia 26 de fevereiro. No próximo mês, anuncia-se já uma conferência de Jessica Hallet, uma estudiosa da tapeçaria, nomeadamente dos tapetes persas. Por fim, agradecemos ao Dr. Pedro Ferrão, conservador do Museu Nacional Machado de Castro, que nos forneceu todas as informações que serviram de base à redação deste texto.

WP_20170120_15_49_31_Pro#1.jpg

 



publicado por CP às 18:11
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
mais sobre mim
Março 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
15
16
18

19
20
21
22
23
25

26
27
28
29


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO