Domingo, 19 de Novembro de 2017

WP_20171117_16_02_57_Pro.jpg

   O Convento de Santa Clara-a-Nova é um dos melhores exemplos da arquitetura religiosa do período da Restauração. O projeto deste convento das Clarissas é atribuído ao matemático e engenheiro da Ordem de S. Bento Frei João Turriano (1610-1679). As paredes do começaram a ser lançadas em 1649 e têm uma espessura superior a 3 metros! O convento instalou-se em 1677, embora só ficasse concluído em 1696.

WP_20171117_15_37_43_Pro.jpg

   Situado no alto da colina de Santa Clara, na margem sul do rio Mondego, oposto à Alta da cidade, daí se podendo usufruir de umas vistas magníficas.

WP_20171112_16_35_44_Pro.jpg

   Em 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, não foram admitidas mais noviças. Por isso, quando morreu a última freira, em 1886, as instalações ficaram desocupadas, sendo entregues ao cuidado da Confraria da Rainha Santa Isabel e a uma congregação religiosa que aqui pretendia instituir um colégio missionário.  

WP_20171117_15_41_28_Pro.jpg

   Em 1910, com a proclamação da República, algumas partes do complexo foram declaradas monumento nacional, enquanto as restantes dependências, nomeadamente na ala virada a norte, foram ocupadas pelo Exército - Batalhão de Serviços de Saúde - e pelo Museu Militar. Até há bem poucos anos, os mancebos da cidade e da região vinham aqui fazer as inspeções militares.

WP_20171117_15_35_33_Pro.jpg

   Em 2006, o Exército devolveu as instalações ao Estado, no decurso de uma reestruturação profunda. Desde então, esta Ala Norte tem estado ao abandono, pelo que o Estado manifestou recentemente a intenção de concessionar o edifício à iniciativa de privados. Muito se tem falado sobre a possibilidade de aqui se instalar uma unidade hoteleira, mas até agora nenhuma iniciativa se concretizou, pelo que o monumento se vai degradando a um ritmo acelerado.

WP_20171117_15_17_44_Pro.jpg

   Neste sentido, a curadoria da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, decidiu criar aqui o núcleo mais importante da 2ª edição deste evento. Sob o tema geral Curar e Reparar, o curador-geral Delfim Sardo criou um percurso que partindo da Baixa até à Alta, atravessa depois o rio, revelando este Mosteiro de Santa Clara, tão desconhecido do público. No mesmo lance, oferece-se o usufruto de um novo olhar sobre Coimbra, reparando na cidade de um outro ângulo e numa outra distância.

WP_20171117_15_18_04_Pro.jpg

 

 AnoZero’17 é a continuação de uma aventura iniciada em 2015, sob a inspiração do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC). Pretende-se criar uma mostra de arte contemporânea na nossa cidade, numa relação com o património, a cidade construída e imaterial e os seus cidadãos. 

 

   Esta edição da Bienal distribui-se por uma série de espaços, que convidamos os nossos leitores a visitar. Além de Santa Clara-a-Nova, há exposições, conferências, eventos e outras manifestações artísticas, no Convento de S. Francisco, na Sala da Cidade, Colégio das Artes, Galeria de História Natural do Museu da Ciência, nas salas do CAPC, entre outros locais onde decorrem outros eventos numa programação convergente.   

 

   Neste núcleo que visitámos, o mais relevante desta edição, há instalações e obras de artistas nacionais e estrangeiros tão importantes como Louise Bourgeois, Jimmie Durham, Julião Sarmento ou Pedro Barateiro entre tantos outros. Como o nosso tempo era escasso e não podíamos visitar tudo, concebemos um percurso que contemplou alguns artistas apenas. Convidamos assim os nossos sócios a desafiarem os seus amigos a familiares a visitarem este núcleo da Bienal.

 

 

WP_20171112_16_34_38_Pro.jpg

   Iniciámos o nosso itinerário num enorme corredor do piso térreo. Aqui, confrontámo-nos com uma instalação de luz concebida por Julião Sarmento. À medida que avançamos, no meio de uma escuridão total, o nosso movimento vai despertando uma série de sensores que ativam luzes colocadas no teto. Ritmadamente, as luzes vão-se tornando cada vez mais intensas, até culminarem num clarão final, imediatamente antes de retormarmos a realidade no final do corredor, com a sua luminosidade natural. É como se fosse um percurso iniciático, gradual e progressivo, no termo do qual adquirimos um novo estatuto e se nos revela um mundo novo. É fácil e tentador estabelecer uma analogia com o percurso da nossa vida, desde a infância até à morte, mas isso fica para a imaginação de cada um.

WP_20171117_15_25_32_Pro.jpgWP_20171117_15_26_53_Pro.jpgWP_20171117_15_28_02_Pro.jpgWP_20171117_15_28_22_Pro.jpg

   Depois, já no exterior, deliciámo-nos com as vistas sobre a cidade, antes de entrarmos uma airosa capela exterior onde conhecemos uma pintura de um jovem artista brasileiro, Lucas Arruda, que apresenta ainda outros trabalhos neste pólo da Bienal.

WP_20171117_15_35_37_Pro.jpgWP_20171117_15_33_10_Pro.jpg

   Reentrando no Convento, subimos até ao corredor do piso superior e fomos deambulando pelo enormíssimo corredor – 200 metros! – entando e saindo das antigas celas das freiras, depois adaptadas a escritórios e camaratas militares antes de serem abandonadas, e onde agora se alojam as obras de arte dos artistas desta exposição.

WP_20171117_15_48_42_Pro.jpg

   São muitos os trabalhos expostos. Nós destacámos os trabalhos de José Maçãs de Carvalho. Trata-se de um artista da nossa cidade, docente na Universidade, que tem dedicado a sua carreira artística ao filme e à fotografia. O artista produziu uma série de fotografias, projetadas em diapositivos, onde nos mostra crianças a dormir cobertas por um lençol branco, intercaladas com imagens de uma selva vegetal. Segundo o catálogo da exposição, as imagens captadas no Jardim Infantil da Maternidade Bissaya Barreto pretendem observar «o processo do sono reparador das crianças e do seu acordar.»

WP_20171117_15_51_05_Pro.jpgWP_20171117_15_55_24_Pro.jpg

   No final, a marcar o termo do nosso passeio, subimos à sala do Torreão Sul onde assistimos a uma instalação de video e audio do consagrado artista sul-africano William Kentridge. Durante 15 minutos, um conjunto de 8 projetores e 4 megafones oferecem-nos um extraordinário filme. Trata-se de uma parada, ou uma procissão, que narra a história do continente africano a partir de silhuetas que desfilam ao som de uma fanfarra. Ficamos tão atraídos, quase hipnotizados, que, no final, apetece continuar a assistir ao filme, projetado continuamente. Mas não podia ser, estava na hora de partir!

WP_20171117_16_01_18_Pro.jpg



publicado por CP às 11:15
Sábado, 11 de Novembro de 2017

WP_20171110_15_03_43_Pro.jpg

   Fomos visitar a Torre de Almedina, onde fomos recebidos pelo Dr. Vasconcelos que nos deu uma lição sobre a cidade medieval, a partir de uma maqueta aí instalada, executada pelos professores do Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências. 

  A Porta de Almedina era a entrada principal da cidade e é provável que a sua edificação remonte a épocas anteriores à reconquista cristã. No entanto, foi após a tomada definitiva de Coimbra, em 1064, pelo rei Fernando Magno, que os trabalhos de construção deram a esta robusta torre o aspeto que ainda hoje conserva.

WP_20171110_15_04_37_Pro.jpg

   Ao longo dos tempos, e depois de a Torre ter perdido a sua função militar, aqui funcionaram a Casa da Vereação e o Tribunal da Relação, obrigando a obras de remodelação. Foi construída uma escadaria interior e, no cimo, foram alteados os muros, criando um novo salão onde se reunia o senado  municipal. A Torre de Almedina era então a sede do poder municipal, até que a Câmara se transferiu para o local onde ainda hoje se situa, num edifício anexo ao Mosteiro de Santa Cruz.

WP_20171110_15_29_47_Pro.jpg

    Depois disso, a Torre teve várias funções. Aqui funcionou a Escola Livre das Artes e do Desenho e o Arquivo Histórico Municipal, sendo atualmente um dos núcleos do Museu Municipal dedicado à Cidade Muralhada. Subindo ao cimo da Torre, onde se usufruem de umas magníficas vistas sobre a cidade, deparámo-nos com um sino e, claro, não resistimos ao apelo do badalo, desatando às marteladas! Os turistas e transeuntes, surpreendidos, olhavam para cima, intrigados com o que se estaria a passar!

WP_20171110_15_31_45_Pro.jpg

   Depois, mais calmos, lá ouvimos o Dr. Vasconcelos a explicar-nos que aquele sino era usado para emitir diversos alertas das autoridades municipais à população da Almedina e dos arrabaldes. Havia toques para as mais diversas situações, alertando para perigos diversos, ataques, celebrando ocasiões festivas, anunciando procissões, ou até para advertir para o surgimentos de casos de peste e outras doenças na cidade.

WP_20171110_15_32_28_Pro.jpg

   Concluída esta parte mais instrutiva da nossa visita, eis que chegou a ocasião para um momento de diversão. Fomos conduzidos para uma sala anexa à Torre, onde fomos recebidos pela Andreia. Ela tinha um jogo para nos propor: forneceu-nos catapultas em miniatura, feitas com elásticos, paus de gelado e rolhas de plástico, com as respetivas munições, projéteis feitos de folha de alumínio amassada!

WP_20171110_15_39_42_Pro.jpg

   Cada um recebeu a sua catapulta. Depois, organizámo-nos em grupos. Cada grupo tinha a sua torre, construída em cartolina. O objetivo era assaltar a torre, submetendo-a aos nossos tiros. Para isso, a Andreia concedeu-nos um breve período para treinarmos, afinal não estamos habituados a este tipo de armamento! E lá ficámos, disparando bolas prateadas com paus de gelado amarrados com elásticos, tentando acertar numa torre de cartolina!

WP_20171110_15_37_26_Pro.jpg

   Esgotado o período de treino, passámos à ofensiva. As regras eram claras: o grupo que conseguisse arremessar o maior número de projéteis para o interior da Torre seria o vencedor. Agora que a "guerra" era a sério, o nervosismo tomou conta dos assaltantes e o resultado não foi lá muito famoso! Foram poucos os que conseguiram acertar no alvo. Foi tão mau que se o D. Afonso Henriques, no seu tempo, se tivesse que defender do ataque de mouros como nós, com tão fraca pontaria, teria levado uma vida descansada! Temos que treinar mais!

WP_20171110_15_37_18_Pro.jpg



publicado por CP às 10:40
Sábado, 04 de Novembro de 2017

WP_20171103_15_18_46_Pro.jpg

   «Por um Fio» é o título dado pela equipa pedagógica do Convento de S. Francisco à visita guiada e dramatizada que percorre as instalações deste grandioso edifício, dando a conhecer a longa e rica história do Convento. A Catarina foi a nossa brilhante e simpática anfitriã, acolhendo-nos no átrio da bilheteira de forma inesperada, trazendo um novelo que foi lançando pelas galerias e que nós seguimos sempre embrenhados nas suas histórias. Este fio é afinal o fio da História e da Memória que importa preservar e transmitir. 

WP_20171103_15_21_33_Pro.jpg

   Não se sabe exatamente qual o ano da chegada dos frades franciscanos à nossa cidade, mas foi nas primeiras décadas do séc. XIII, poucos anos após a fundação da ordem, em Itália. 

   A Catarina contou-nos uma breve biografia desta estranha personagem, uma das mais marcantes da História da Europa. Nascido em Itália, nos finais do séc. XII, era filho de um rico comerciante de tecidos, facto que terá, como veremos, uma curiosa relação com a história deste convento. Após uma juventude de aventuras e boémia, combateu como soldado e teve uma vida muito intensa. Até que, a dado momento da sua vida, parece que setiu um chamamento interior que o levou a mudar de vida, dedicando-se aos leprosos, aos pobres e miseráveis, fazendo votos de pobreza. A sua vida e o seu exemplo alcançaram um enorme impacto por toda a Europa, colhendo numerosos seguidores.

WP_20171103_15_19_36_Pro.jpg

   Portugal não ficou alheio à difusão dos ideais franciscanos e, nos meados do séc. XIII, temos notícia da existência de um núcleo em Coimbra, uma pequena comunidade instalada junto à atual ponte de Stª. Clara, num desaparecido Convento que ficou na memória da cidade como Convento de S. Francisco da Ponte. A presença destes frades associa-se normalmente ao episódio dos chamados Mártires de Marrocos, que tanto impressionaram Fernando de Bulhões que, abandonou os estudos em Santa Cruz e abraçou o ideal de vida franciscano, passando a ser conhecido como Santo António.

WP_20171103_15_22_11_Pro.jpg

   As cheias do Mondego obrigaram os frades a mudar para um novo edifício no sopé da colina de Santa Clara, sendo o Convento abandonado nos finais do século XVI, acabando demolido nos meados do século seguinte. 

   Os franciscanos instalaram-se neste local nos inícios do século XVII, ainda que as obras a decorressem durante algumas décadas. Os corredores que atravessámos foram rasgados na sequência de obras de adaptação do Convento a outras funções, sendo destruídas as antigas celas, das quais só já restam alguns vestígios.

WP_20171103_15_35_34_Rich.jpg

 

No refeitório, uma das mais bonitas salas do edifício  e uma das mais bem preservadas, a Catarina contou-nos como, no âmbito das invasões napoleónicas, nos inícios do século XIX, a história do Convento conheceu um dos seus momentos mais conturbados. Na verdade, os franceses instalaram-se aqui, transformando estas salas num quartel onde os feridos descansavam, recebendo tratamentos e aguardando transporte. O saque e a devastação causada pelas tropas invasoras deixou marcas ainda hoje muito visíveis no património português e muito especialmente na nossa região, onde se travaram combates decisivos. Após a Batalha do Buçaco, foi a vez dos ingleses se instalarem na cidade. Arthur Wellesley, o Duque de Wellington, comandante das tropas luso-britânicas, alojou-se na Quinta das Lágrimas, enquanto as suas tropas acamparam nos terrenos próximos do Convento, zona da cidade ainda hoje conhecida como Guarda Inglesa.

   Durante os trabalhos de recuperação e reabilitação do edifício, recentemente empreendidas, foram detetados vários vestígios arqueológicos na zona onde atualmente se localiza a bilheteira. Chamados os arqueólogos, os rabalhos de escavação acabaram por identificar um espólio diverso que deve ter pertencido aos soldados franceses (medalhas, fivelas e botões), para além de diversas ossadas que estão atualmente a ser estudados pelo Departamento de Antropologia da Universidade.

WP_20171103_15_35_54_Rich.jpg

   O claustro é um dos espaços mais emblemáticos e belos do Convento. Foi muito bem recuperado pela equipa liderada pelo arquiteto Carrilho da Graça. Em 1986, o edifício foi comprado pela Câmara, iniciando-se as obras em 2010, sendo ainda notório que decorrem ainda trabalhos, bem como se discute a ocupação a dar aos diferentes espaços.

WP_20171103_15_30_15_Pro.jpg

    Antes, a nossa guia já nos tinha contado como é que o Convento se transformara numa fábrica de lanifícios. Na verdade, na sequência da extinção das Ordens Religiosas, em 1834, o espaço foi ocupado para outros fins. A igreja foi desanexada, sendo aí instalada uma fábrica de bolachas e massas alimentícias. Hoje, já resolvido o conflito com a Igreja, é uma sala de espetáculos onde se fazem concertos musicais, além de outras sessões solenes, como quando o Presidente da República aqui recebeu o chefe de Estado da Grécia. É uma bela igreja que nós contemplámos a partir do coro alto.

WP_20171103_15_46_09_Pro.jpg

   Quanto ao Convento propriamente dito, foi adquirido em 1842 por um industrial chamado José Mello Soares Albergaria que aqui instalou uma fábrica a vapor para a fiação, torcedura, tecelagem e tinturaria de algodão, lã e seda. Era a Companhia de Fiação e Tecidos de Coimbra. Porém, teve pouca duração esta empresa, já que poucos anos após se extinguiu e mudou de dono.

WP_20171103_15_43_29_Pro.jpg

   Em 1888 foi criada nova unidade têxtil - a Fábrica Planas - que laborou praticamente até aos nossos dias. Os seus tecidos eram de grande qualidade e apreciados em todos os mercados. Os últimos trabalhadores da fábrica viram os seus rostos pintados pelo artista Samina numa das paredes, a pedido da Câmara Municipal. É assim que podemos contemplar o retrato de Vitorino Planas, filho do fundador, ou da D. Ana Cruz, uma das cerzideiras, ou ainda do sr. Armando Guimarães, o debuxador, responsável pela tecelagem. A Catarina contou-nos uma história de uma contabilista que, quase a entrar em trabalho de parto, não abandonou o seu posto enquanto não processou os salários dos trabalhadores para que pudessem receber o dinheiro. Só depois de concluído esse trabalho, já em estado muito avançado, esta zeloza funcionária foi transportada para a Maternidade!

WP_20171103_15_23_25_Pro.jpg

   O auditório do Convento de S. Francisco é uma das melhores e mais modernas salas de espetáculo do país, estando preparado para receber todo o género de eventos. Aqui se realizam congressos científicos, concertos musicais, teatro, bailado ou outro tipo de eventos. O auditório tem uma grande versatilidade, além de características únicas que a Catarina destacou, antes de se despedir. Claro que adorámos esta visita, não apenas porque ficámos a conhecer o edifício, como as histórias empolgantes da Catarina. Obrigado!

WP_20171103_15_57_56_Pro.jpg



publicado por CP às 20:59
Domingo, 29 de Outubro de 2017

 

WP_20171027_15_52_31_Pro.jpg

   A Companhia de Jesus é uma ordem religiosa fundada em 1534, por dez estudantes da Universidade de Paris, incluindo Inácio de Loyola, o mentor da nova congregação, e Simão Rodrigues, o único português do grupo. Os Jesuítas, designação por que são habitualmente referidos, distinguiram-se por se colocarem sob a obediência direta do Papa e disponíveis para cumprirem missões onde quer que fossem enviados. A missionação e a educação foram as áreas onde mais se distinguiram.

WP_20171027_15_28_47_Pro.jpgWP_20171027_15_29_02_Pro.jpg

Inácio de Loyola e Francisco Xavier

 

   A pedido do rei D. João III, o fundador da ordem enviou para Portugal, em 1540, dois dos seus companheiros: Francisco Xavier e Simão Rodrigues. O primeiro partiu no ano seguinte para a Índia, enquanto o segundo ficou na Europa, lançando as bases da Província de Portugal, a primeira da Companhia. Em 1542, já a ordem tinha conhecido um rápido crescimento, foi fundado o Colégio de Jesus em Coimbra. Este foi a mais importante instituição das Jesuítas em todo o mundo, aqui permaneceram até 1759, ano em que foram expulsos pelo Marquês de Pombal. Portugal foi, deste modo, o primeiro reino a acolher os Jesuítas e também o primeiro a expulsá-los!

WP_20171027_15_28_30_Pro.jpg

   A exposição que nós visitámos ocupa o espaço do antigo refeitório dos padres da Companhia, sendo atualmente o Museu da Ciência, depois de ter sido, desde os tempos pombalinos, um laboratório destinado ao ensino da química. A mostra intiitula-se Visto de Coimbra, sendo que, como lembrou a mãe do Tomás, a Dr.ª Sónia Filipe, a designação encerra um duplo sentido: por um lado o Mundo e o Universo vistos a partir da nossa cidade e, por outro, Coimbra como um ponto de partida dos missionários aqui formados e que aqui recebiam ordem para abalarem para as mais distantes paragens, cumprindo a sua vontade de missionar os gentios das terras distantes.

WP_20171027_15_33_35_Pro.jpg

   Christophoro Borri (1583-1632) foi um italiano de Milão, professor de astronomia no Colégio das Artes que veio para Coimbra depois de ter passado muitos anos no Oriente. Impedido de regressar a Roma por ter ensinado as ideias de Galileu, veio para Coimbra. Aqui fez observações astronómicas, utilizando um telescópio emprestado por um lente de Teologia da Universidade. Observou o aspeto da Lua nova em julho de 1627, descrevendo as crateras lunares. Foi a segunda vez na história, após os registos de Galileu, que se representou uma observação astronómica.   

WP_20171027_15_28_11_Pro.jpg

   O Curso Conimbricense é como normalmente são referidos os comentários às obras de Aristóteles, publicados em Coimbra nos finais do séc. XVI. O título exato era Comentarii Collegii Conimbricencis Societatis Iesu, e destinava-se a orientar o estudo dos alunos do Colégio das Artes, passando depois a ser utilizados em todos os colégios jesuítas. O curso foi publicado em 8 tomos e resultou de um trabalho de tradução e comentário, sob a coordenação dos padres Manuel de Góis, Sebastião do Couto e Baltazar Álvares.

WP_20171027_15_34_00_Pro.jpg

   Os azulejos didáticos exibidos nesta mostra são provenientes de uma coleção do Museu Machado de Castro que inclui outros exemplares e serviam para ilustrar as aulas, demonstrando teoremas matemáticos, bem como outras matérias, como a astronomia.

WP_20171027_15_44_43_Pro.jpg

   Além do ensino, a evangelização era, como já foi dito, a principal missão dos padres da Companhia. Além de S. Francisco Xavier, o Apóstolo do Oriente, muitos outros missionários se destacaram. Nesta exposição é possível admirar um objeto muito curioso, nada mais do que a bota do santo!

WP_20171027_16_05_24_Pro.jpg

   A bota foi trazida de Goa, onde Francisco Xavier se encontra sepultado, por Francisco Aguiar, alcunhado o piloto das botas, que assistiu ao enterro dos santo em 1577, apropriando-se de uma das botas que foi conservada como relíquia. A bota esteve em Lisboa no séc. XVII, sendo exibida em 1925 no Vaticano e guardada atualmente em Coimbra. Encontra-se muito estragada por lhe terem sido cortadas muitas tiras pelos devotos que ambicionavam possuir relíquias.

WP_20171027_15_46_18_Pro.jpg

   Outra história curiosa é a do padre Bernardo de Kagoshima, nascido no Japão em data incerta e falecido em Coimbra em 1577. Foi o primeiro japonês a estudar na Europa. Era um Samurai, de condição modesta que foi batizado por S. Francisco, conforme nos contou o nosso guia, o Dr. Carlos Serra. Foi, portanto, um dos primeiros católicos do Japão. Em 1552, Bernardo partiu para Goa, onde ingressou na Companhia. Veio para Portugal poucos anos após, onde frequentou o Colégio dos Jesuítas. Falecido na nossa cidade, foi sepultado na atual Sé Nova onde, ainda hoje, é procurado por muitos turistas nipónicos!

WP_20171027_15_49_41_Pro.jpg

   Foi precisamente na igreja da Sé Nova que, em outubro de 1759, na sequência da ordem de expulsão proferida por Pombal, o padre António de Vasconcelos, que aguardava sob prisão na sua cela o momento de abandonar para sempre o Colégio de Jesus, conseguiu aceder ao altar da Virgem da Assunção e esconder um conjunto de cartas manuscritas e um crucifixo no interior de uma coluna. Em 2016, contou-nos a Dr.ª Sónia, por ocasião de uma ação de conservação, os técnicos descobriram um embrulho que continha mais de 1000 páginas de documentos, bem como o crucifixo.

WP_20171027_15_41_32_Pro.jpg

   Ao longo do séc. XIX e durante a 1ª República, os Jesuítas foram responsabilizados por todos os males. A chamada Lenda Negra atribuía aos padres da Companhia de Jesus a culpa pelo estado de atraso em que se encontrava o nosso país. Agora, esta exposição parece reabilitar o seu papel, destacando a importância que tiveram nos vários domínios, com especial destaque no ensino e investigação. Vale a pena visitar a sala de exposições temporárias do Museu da Ciência para testemunhar o papel desempenhado por estes padres.

WP_20171027_15_52_15_Pro.jpg



publicado por CP às 15:25
Domingo, 22 de Outubro de 2017

WP_20171020_15_01_47_Pro.jpg

   Patricia Garrido é uma artista plástica nascida em Lisboa em 1963, já com uma longa obra. Formada em pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, tem uma já longa e reconhecida carreira, com inúmeras exposições, estando representada em importantes museus e coleções, como Museu Nacional de Arte Contemporânea de Lisboa (Museu do Chiado), a Fundação de Serralves no Porto, ou a Coleção da Fundação EDP, por exemplo. Apesar de estudiosa da pintura, esta artista tem-se notabilizado pela produção de instalações.

WP_20171020_15_03_06_Pro.jpg

   Por isso, esta mostra de Patrícia Garrido no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) - Sereia é um pouco fora da rota recentemente trilhada por esta artista, uma vez que é exclusivamente de pinturas a óleo. A exposição  intitula-se Pinturas e Esculturas Pequenas de 2017 e Ainda Alguns Desenhos de 2009 e distribui-se por dois núcleos, incluindo as peças que estão patentes na outra sala do CAPC, no edífico sede, ao fundo das Escadas Monumentais. Por limitações de tempo, fomos apenas ao núcleo do Jardim da Sereia, onde fomos recebidos pela Ricardina, que nos guiou nesta visita.

WP_20171020_15_03_22_Pro.jpg

   A nossa guia disse-nos que a artista tem uma predileção especial pela pintura renascentista, o que pode explicar a utilização do óleo sobre tela. Na primeira sala, observámos as únicas telas figurativas deste roteiro expositivo, um conjunto de cãezinhos muito estranhos e coloridos. Estranhos não apenas por serem coloridos mas também porque não possuem boca. Parece que foram pintados a partir de modelos de pequenos objetos decorativos adquiridos numa qualquer loja de recordações. 

WP_20171020_15_04_43_Pro.jpg

   As restantes obras são geométricas e muito coloridas, cativando a atenção dos nossos sócios. A Ricardina pediu que atentássemos nas sombras dos estranhos objetos poliédricos, pois a forma como eles projetam a sombra constitui uma espécie de linha condutora da lógica da exposição. Na verdade, nas primeiras telas, os objetos projetam sombras impossíveis, uma vez que o modo como são iluminados na pintura não consentem a projeção daqueles sombreados. Digamos que há um absurdo quase imperceptível que dá coerência e sequência ao percurso.

WP_20171020_15_06_52_Pro.jpg

   A pouco e pouco, à medida que avançamos, as sombras vão-se tornando possíveis e coerentes com a iluminação. Algumas telas suscitaram uma reação imediata, como aquela que o António achou ser uma estilização de uma mão:

WP_20171020_15_05_09_Pro.jpg

  No entanto, a polémica instalou-se quando chegámos junto de uma pintura muito sugestiva. Alguns interpretaram aquele estranho objeto como sendo um pudim, outros contrapunham que se tratava de uma gelatina de limão! A Ricardina desfez a polémica, dizendo que em arte não há interpretações erradas, cada um pode ter a sua leitura. Porém, sempre adiantou que a Patrícia Garrido, numa dada altura da sua carreira, se ocupou a fotografar todos os alimentos que ingeria, dando algum destaque à gelatina. Isto não significa que os adeptos desta "corrente" estejam certos, serve só para notar como é que os artistas, nas diferentes fases, acabam por retomar temas e reatualizar situações anteriores.

WP_20171020_15_08_13_Pro.jpg

   No meio de uma das salas, pudemos contemplar uma mesa com uma série de esculturas de bronze, numa relação óbvia com as formas pintadas. São muito curiosas, convidando-nos a estabelecer relações, como se as obras dialogassem umas com as outras, relacionando as formas esculpidas e pintadas, as faces coloridas das pinturas e o monocromatismo do bronze, ou o volume tridimensional das objetos metálicos com a bidimensionalidade dos poliedros pintados.

WP_20171020_15_09_07_Pro.jpg

   Depois de uma interessante conversa com a Ricardina, demos mais umas voltas pelas salas, fotografámos e observámos pormenores que nos escaparam na primeira passagem. Depois, despedimo-nos e fomos brincar às escondidas no Jardim da Sereia, pelo meio das obras do Rui Chafes, que um dia visitaremos com mais atenção.

WP_20171020_15_11_38_Pro.jpg



publicado por CP às 20:57
Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

WP_20171013_15_50_34_Pro.jpg

    «Está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história! (...) Abolir a morte legal, deixando à morte divina todo o seu direito e todo o seu mistério é um progresso augusto entre todos. Felicito o vosso parlamento, os vossos pensadores, os vossos escritores e os vossos filósofos! Felicito a vossa nação. Portugal dá o exemplo à Europa (...) A liberdade é uma cidade imensa da qual todos nós somos cidadãos. Aperto-vos a mão como a um compatriota na humanidade e saúdo o vosso generoso espírito.» Foi com estas emocionadas palavras que o grande escritor francês Victor Hugo, há exatamente 150 anos, felicitou os deputados e a nação portugueses por terem abolido a pena capital. Portugal foi uma nação pioneira, o que muito nos deve orgulhar, pelo que faz todo o sentido comemorar esta efeméride. 

   Tanto mais se justifica esta comemoração, quanto ainda há países que mantêm este castigo e alguns pensam mesmo em reintroduzi-lo, como nos explicou a Cristiana, uma jovem e simpática estudante de Direito que nos guiou nesta visita à exposição 150 da Abolição da Pena de Morte em Portugal, patente no Colégio da Trindade até ao final deste mês. Esta mostra insere-se num conjunto de iniciativas promovidas pela Faculdade de Direito. Naturalmente que o Clube do Património não podia deixar de se associar a este evento. Apesar de  os nossos alunos serem muito jovens, ouvem frequentemente vozes adultas, em momentos de indignação na sequência de crimes horrendos, defender a reintrodução deste castigo máximo. Que esta visita tenha servido para que os nossos sócios compreendam que em circunstância alguma se pode admitir a condenação à morte! Não há nenhuma justificação para retirar a vida a quem quer que seja!

WP_20171013_15_04_36_Pro.jpg

   Cesare Beccaria foi um jurista e filósofo italiano do séc. XVIII que pela primera vez se insurgiu contra a pena de morte. Durante este período, que ficou conhecido por Iluminismo, muitos foram os pensadores e filósofos que se dedicaram a refletir sobre um novo conceito de Humanidade, defendendo os direitos dos indivíduos e a sua Dignidade, fundando uma nova ética. Beccaria, a quem é dedicado o primeiro painel deste itinerário expositivo, escreveu: «Que direito podem os homens atribuir-se de trucidarem os seus semelhantes? Se eu demonstrar que a morte não é útil nem necessária, terei ganho a causa da humanidade.»

WP_20171013_15_10_58_Pro.jpg

   No lado oposto a este painel que divulga os ideais das Luzes, na parte escura das traseiras, esboça-se uma tentativa de retratar a realidade que se vivia em Portugal. Em longos painéis negros, a letras brancas, escrevem-se os nomes dos condenados à morte desde os finais do séc. XVIII e durante o seguinte, descrevendo-se brevemente as acusações. A Santa Casa da Misericóridia era a instituição que assumia a responsabilidade de dar sepultura aos executados que caminhavam para a morte rodeados pelo carrasco, por um padre e por um irmão da Misericórida tocando uma sineta e outro pedindo esmola. Chegados à forca, rodeados por uma multidão que apreciava este tipo de espetáculo e que não raras vezes se juntava aos milhares, o condenado era exalçado para a forca e o carrasco encarregava-se de o empurrar, muito frequentemente pondo-se às suas cavalitas para que com o acréscimo de peso o processo fosse mais rápido.

WP_20171013_15_11_41_Pro.jpg

   Na paragem seguinte, a ilha, assim foram designadas pelos organizadores os diversos pontos de paragem no circuito, é dedicado à memória de António Ribeiro dos Santos (1745 - 1818), professor da Faculdade de Cânones, eminente jurista e bibliotecário da Universidade e que publicou o primeiro ensaio a defender a abolição da pena de morte para crimes civis.

WP_20171013_15_17_02_Pro.jpg

   A ilha seguinte é reservada aos últimos condenados à morte em Portugal. Foi o painel que os alunos gostaram mais. Vá-se lá saber porquê, as crianças sentem uma atração irresistível pelo macabro. Por mais que a nossa guia mentisse, na tentativa de não chocar os alunos com a dura realidade, dizendo que a cabeça que se encontrava embebida num líquido transparente dentro de um frasco era um modelo, a verdade é que os nossos sócios não se deixaram iludir. Aquela cabeça era, de facto, autêntica! Ninguém ficou arrepiado nem traumatizado, a não ser os adultos, claro!

WP_20171013_15_44_27_Pro.jpg

   O crânio, do lado esquerdo da imagem, pertenceu a Mattos Lobo, condenado por ter esfaqueado a tia, o primo e a prima. O desgraçado negou sempre o crime, mas de nada lhe valeu, sendo executado em 1842, quando contava apenas 27 anos. A cabeça dentro do frasco com formol pertenceu ao mais famoso serial killer (assassino em série) português: Diogo Alves, mais conhecido como o Assassino do Aqueduto. Este criminoso foi condenado pelo homicídio de um médico, embora fosse suspeito de ter provocado a morte de cerca de 70 pessoas, lançando-as do cimo do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, crimes que nunca ficaram provados. 

WP_20171013_15_09_06_Pro.jpg

   Foi no reinado de D. Luís I (1861-1889) que finalmente foi abolida a pena de morte. Este reinado ficou marcado por algumas medidas muito importantes, como a abolição da escravatura e a publicação do primeiro Código Civil, além da abolição da pena de morte. Não se pense porém que a abolição da pena máxima foi para todos os crimes. Em 1867, a pena de morte foi apenas para os crimes civis, mantendo-se para os crimes políticos e militares. Infelizmente, esta Carta de Lei não chegou a tempo de salvar o último condenado, executado no dia 22 de abril de 1846.

WP_20171013_15_46_36_Pro.jpg

   A execução teve lugar em Lagos, no Algarve. A vítima chamava-se José Joaquim Grande e foi condenado por ter violado, roubado e assassinado, no verão de 1833, uma criada de um oficial militar. A execução ocorreu na Praça das Armas, com uma enorme multidão a assistir. O corpo, após a execução, foi retirado da forca pelos irmãos da Misericórdia e conduzido ao cemitério da freguesia. Antes, moldou-se a sua máscara funerária em gesso, derramado sobre a face de modo a tentar captar a sua última expressão, pois era esse o objetivo dos cientistas da época: determinar qual era o derradeiro sentimento dos condenados no momento em que deixavam o mundo dos vivos. É esta máscara que se apresenta nesta exposição e se reproduz na fotografia acima.

WP_20171013_16_04_36_Pro.jpg

   A última paragem apresenta um friso cronológico com os momentos mais importantes da abolição da pena de morte em Portugal. Depois dos crimes civis, a pena capital foi abolida para crimes políticos e militares. Porém, com a entrada de Portugal na 1ª Guerra Mundial, a pena de morte foi fugazmente reintroduzida. Só em 1976 é que o nosso país colocou na Constituição um compromisso com a abolição total deste castigo. Apesar disso, conforme se pode observar no mapa, ainda há muitos países que a mantêm, como a Bielorrússia, o único país europeu que conserva este castigo. Outros há, como o Brasil, que discutem a sua reintrodução. Outros ainda, como a China, condenam anualmente muitas pessoas à morte. Tudo isto mostra que ainda há um longo caminho a percorrer!

WP_20171013_15_04_43_Pro.jpg



publicado por CP às 19:33
Sábado, 07 de Outubro de 2017

WP_20171006_14_50_21_Pro.jpg

   Mais um ano letivo e mais uma temporada do Clube do Património. Este ano sofremos uma grande renovação, pois que só três sócios permanecem do ano passado. São muitas as caras novas e ainda nem todos marcaram presença na nossa primeira saída. Assim, o primeiro objetivo é integrar os recém-chegados no espírito do Clube. Para isso, contámos com a ajuda da nossa sócia "veterana", a Constança, que deu as boas-vindas a todos, iniciando as apresentações junto à estátua de Avelar Brotero, no Jardim Botânico, onde iniciámos o nosso primeiro passeio.

WP_20171006_15_13_33_Pro.jpg

   Estava um dia de calor intenso, muito pouco normal para esta estação outonal, pelo que o bebedouro no início do nosso percurso na Mata do Botânico foi muito concorrido, e poucos se preocuparam com as magníficas vistas panorâmicas que daqui podemos usufruir. Esta Mata esteve encerrada durante décadas, tendo sido recentemente objeto de um plano de recuperação da responsabilidade da Universidade e da Câmara Municipal com a ajuda de fundos europeus, sendo inaugurada no início do mês de julho.

WP_20171006_15_13_05_Pro.jpg

    "O património vegetal desta área de mais de 9 hectares é composto maioritariamente por árvores centenárias, vegetação em crescimento livre e o bambuzal, sendo possível ainda encontrar património edificado, do qual se destacam a Estufa-fria, a Capela de São Bento e a Fonte dos Três Bicos. É também possível ver o antigo Reservatório de águas da cidade e vestígios da Muralha de Coimbra. Com a abertura da Mata, a Baixa e a Alta da cidade de Coimbra ficam ligadas não só por um caminho pedonal, mas também pela Linha do Botânico, servida por um autocarro híbrido que fará o percurso ascendente entre o portão da Rua da Alegria e o Portão da Rua do Arco da Traição." (1)

WP_20171006_15_18_02_Pro.jpg

    Pelo caminho, gozando da sombra refrescante e do silêncio que nos faz esquecer que nos encontramos no coração da cidade, sempre podemos apreciar belas flores. Nem todos os percuros se encontram abertos à circulação dos transeuntes, pois não podemos esquecer que este local tem zonas muito sensíveis e destinadas ao estudo dos cientistas. Descendo até à Rua da Alegria, lá nos cruzámos com um pequeno autocarro que faz o percurso desde a Porta do Arco da Traição, local onde outrora se localizava uma das portas do antigo castelo destruído no séc. XVIII. Nós optámos por realizar o percurso a descer, nem é preciso explicar porquê....

WP_20171006_15_31_49_Pro.jpg

   O Jardim Botânico da Universidade de Coimbra foi criado em 1772, no âmbito da Reforma Pombalina, para acolher uma coleção de plantas vivas que auxiliasse o ensino das ciências médicas. Atualmente, a investigação científica, a conservação da biodiversidade e a educação são os pilares da missão deste Jardim. Pelo seu valor patrimonial, edificado e vegetal. este Jardim Botânico está inscrito na lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO.

WP_20171006_15_26_12_Pro.jpg

   A nossa primeira paragem foi no reservatório de água, a primeira cisterna para abastecimento da cidade, construída nos finais do séc. XIX. O primeiro projeto de captação e canalização de água para abastecimento urbano surgiu da iniciativa de Augusto da Costa Simões (1819-1903), que foi reitor da Universidade, administrador dos Hospitais e presidente do Município. As águas eram elevadas do rio Mondego, junto ao porto da Ínsua dos Bentos, por um tubo aspirador colocado a 3 metros de profundidade. Para as elevar até este depósito, muito acima do rio, era usada uma máquina a vapor, importada de Paris.

WP_20171006_15_37_34_Pro.jpg

   Um pouco mais abaixo, encontramos a capela de S. Bento. Esta pequena construção data do séc. XVII. É uma espécie de ermida que pertenceu à ordem beneditina, antiga proprietária destes terrenos, destinada ao recolhimento e oração, aproveitando uma fonte existente no interior, onde se encontra uma estátua de S. Bento, o fundador e patrono desta ordem religiosa.

WP_20171006_15_39_03_Pro.jpg

   Já quanto ao bambuzal, a sua plantação iniciou-se em 1890 e foi conduzida por Júlio Henriques, botânico e diretor deste Jardim durante 40 anos. Atualmente, o bambuzal ocupa  cerca de um hectare da Mata, sendo dominado pela espécie Phyllostachys bambusoides, estranho nome científico para o Bambu-gigante! Esta planta atravessa várias fases de desenvolvimento que passam pelo crescimento e endurecimento da cana ao desenvolvimento de ramos e folhas. Em condições ideais podem crescer até 5 cm por hora e atingir os 8 metros de altura!

WP_20171006_15_38_16_Pro.jpg

    Já próximo do final do percurso pedonal, podemos ainda encontrar um belo fontanário, a Fonte dos Três Bicos, atualmente seca e a necessitar de algumas obras de conservação, bem como de um painel explicativo. Terminámos o nosso passeio no portão de ferro forjado na Rua da Alegria. Vale a pena lançar um último olhar a esta obra, antes de nos dirigirmos à paragem de autocarro, na Ínsua dos Bentos, para regressarmos à nossa escola.

WP_20171006_15_55_13_Pro.jpg

 (1) Para a redação deste texto foram utilizados excertos do sítio eletrónico da Universidade de Coimbra, bem como dos painéis informativos disposto no itinerário que visitámos. (https://www.uc.pt/jardimbotanico/noticias_01/abertura_mata)



publicado por CP às 09:59
Sexta-feira, 09 de Junho de 2017

WP_20170609_15_28_23_Pro.jpg

Aproximamo-nos do final do ano letivo, muitos sócios farejam já as férias, outros amedrontam-se com as provas de aferição e recolhem mais cedo a casa, pelo que o nosso grupo ficou hoje muito reduzido. Ainda assim, não desmobilizámos e fomos até ao Parque Dr. Manuel Braga passar a tarde na Feira Cultural de Coimbra.

WP_20170609_15_02_21_Pro.jpg

   Em tempos, foi uma tradição do nosso clube, vínhamos cá todos os anos. Depois, já não sabemos bem porquê, perdemos esse hábito. A verdade é que, se bem que esta feira seja a herdeira da antiga feira do livro, poucos são já os pavilhões expositivos dedicados aos livros. Há de tudo, artesanato mais ou menos genuíno, discos, artistas plásticos um pouco obscuros à procura de um lugar ao sol, escolas e, acima de tudo, barraquinhas de comes e bebes!

WP_20170609_15_26_33_Pro.jpg

   Logo à entrada, tivemos uma agradável surpresa, a Mariana e os seus meninos da APPACDM propiciaram-nos um agradável espetáculo, uma espécie de «exercício da imaginação», conforme anunciou o Paulo, o mestre de cerimónias deste excelente grupo de animação de rua.

WP_20170609_15_14_13_Pro.jpg

   Um pouco mais à frente encontrámos a Adriana com outro grupo de meninos especiais que nos envolveram numa atividade de promoção do espetáculo que vão levar à cena.

WP_20170609_15_21_14_Pro.jpg

   Passeámos pelos pavilhões de livros, com representantes de livrarias, editores, alfarrabistas, a Imprensa da Universidade, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, e outros representantes institucionais. A Feira oferece sessões de autógrafos com escritores, bem como preços especiais. 

WP_20170609_15_23_18_Pro.jpg

   A gastronomia, no entanto, é o "prato" forte desta feira. Sendo um modo privilegiado de expressão cultural e afirmação da identidade de um povo, os diversos petiscos - doces e salgados - são muito procurados pelos visitantes. E, claro, os nossos sócios não fogem à regra. 

WP_20170609_15_29_28_Pro.jpg

   As barracas dedicadas ao artesanato são também muito concorridas. São muitas. Aí podemos encontrara artesãos que se dedicam ao fabrico de instrumentos musicais, mas também latoeiros, oleiros, cesteiros, tecelões, bordadeiras, etc. Vale a pena visitar a feira e observar estes artistas a trabalhar ao vivo.

WP_20170609_15_42_53_Pro.jpg



publicado por CP às 21:28
Domingo, 04 de Junho de 2017

WP_20170602_15_08_09_Pro.jpg

   Após um interregno de várias semanas por causa da greve, do ensaio para o sarau e ainda por causa da visita do Papa, regressámos às nossas atividades com um safari fotográfico no Museu Nacional Machado de Castro. A ideia foi aproveitada a partir de uma sugestão da Dr.ª Fernanda Alves, técnica superior do Museu. Nós pusemos em prática uma versão simplificada dessa sugestão, com poucas regras: 1. Os alunos organizam-se em pares e cada par deve fotografar o maior número de animais  nas diversas coleções do Museu; 2. Cada "tiro" vale um ponto; 3. Se uma foto apanhar mais do que um animal, só conta um ponto. 3. Animais mitológicos não contam, pois se são imaginários não se caçam; 4. Quem for apanhado a gritar ou a correr nas galerias do Museu sofre uma penalização de 2 pontos; 5. Quem tocar nas peças perde 5 pontos.

WP_20170602_15_10_27_Pro.jpg

   Organizados os pares, telemóveis em riste, lá iniciámos a nossa caçada. À partida, deram-nos logo uma ajuda preciosa: não vale a pena descer ao criptopórtico, aí não há bichos! Trata-se de uma informação valiosa, pois, além de todas as regras, havia um limite de tempo: às 16:00 ninguém poderia disparar nem mais um tiro, todos se deveriam concentrar no pátio central para proceder à contagem dos troféus! Quem somasse mais pontos seria o grande campeão do Safari.

WP_20170602_15_09_14_Pro.jpgWP_20170602_15_08_40_Pro.jpgWP_20170602_15_38_09_Pro.jpg

   Alguns animais são fáceis de apanhar, como os bois e as vacas, por exemplo. Não só porque são muito grandes e se avistam facilmente, como se encontram em sítios previsíveis. Ou alguém ignora que não há presépio sem boi? Assim, identificada uma Natividade - pintada, esculpida ou gravada, tanto faz - caça-se logo um bovino, um asinino e, com sorte, três ou quatro ovelhas, sem contar com as aves que os artistas muito gostam de acrescentar aos cenários para melhor adornar a cena. Apesar de tudo, há surpresas agradáveis, como uma manteigueira em forma de vaca que caçámos na coleção de porcelanas.

WP_20170602_15_22_11_Pro.jpgWP_20170602_15_22_28_Pro.jpgWP_20170602_15_23_17_Pro.jpg

   Outro "inocente" muito fácil de capturar é o manso cordeirinho. Pudera, o S. João Batista está sempre abraçado a um anho, e como ele é uma das figuras mais representadas na iconografia cristã, não surpreende que o vejamos em todo o lado, esculpido, pintado, repuxado em prata dourada, ou esmaltado. O Cordeiro de Deus, ou Agnus Dei como se diz em latim, é igualmente um símbolo de Cristo e, também por isso, imensamente representado e fácil de fotografar.

WP_20170602_15_38_14_Pro.jpg

   Outros animas metem-se mesmo a jeito para levar um tiro, como esta terrina em forma de cabeça de porco, enormíssima, que encontrámos ao virar uma esquina, toda sorridente na vitrina iluminada. 

WP_20170602_15_40_58_Pro.jpgWP_20170602_15_38_55_Pro.jpgWP_20170602_15_37_43_Pro.jpgWP_20170602_15_37_36_Pro.jpg

   De resto, esta secção é o paraíso dos caçadores. Há animais em todo o lado, basta apontar e ficamos logo com um bicho na mira. Seja caça ligeira, como os patos e cisnes, papagaios e pavões, coelhos e outros que tais; seja caça grossa, como os elefantes e javalis.

WP_20170602_15_35_05_Pro.jpgWP_20170602_15_36_23_Pro.jpg

   É necessário estar sempre como o olhar atento e não é por ser uma atividade perigosa que nos organizámos em pares, mas sim porque quatro olhos vêem melhor do que dois. É que, por vezes, há animais que se escondem no emaranhado decorativo, estando completamente camuflados, como o pássaro que mostramos abaixo. Já o leão deve ter pensado que escaparia assim estilizado, mas não. Frágeis passarinhos camuflados ou ferozes leões estilizados, nada escapa aos tiros dos nossos caçadores.

WP_20170602_15_35_12_Pro.jpgWP_20170602_15_34_45_Pro.jpg

  Às vezes, é preciso pousar a espingarda e usar outras armas para capturar certos animais, como por exemplo, este peixe que também não escapou às malhas estreitas da nossa concentração de exploradores experimentados.

WP_20170602_15_34_52_Pro.jpg

   Com o papo já cheio por estas paragens, partimos para outros territórios com os olhos bem abertos. Nas salas de pintura, os cavalos são os mais fáceis de apanhar, não oferecem resitência nenhuma, estão em todo o lado e às manadas. Há cavalos de todas as cores e tamanhos, raças e arreios. Basta apontar e apanhar:

 

WP_20170602_15_09_42_Pro.jpgWP_20170602_15_11_09_Pro.jpg

WP_20170602_15_10_47_Pro.jpg

   Às vezes, há uns disparos que sabem melhor do que outros. Por exemplo, quando vislumbramos no topo superior de uma pintura, muito disfarçado entre a moldura e o fundo nevoento, um cisne com contornos difusos. «Olha ali um pato, apanha-o!», grita o nosso parceiro. E logo um disparo certeiro capta o indefeso pato. Mais um troféu! Ora vejam lá se conseguem identificar o "pato":

WP_20170602_15_13_56_Pro.jpg

   Observem agora a perícia do nosso caçador, de telemóvel em punho, no exato momento em que apanhou o "pato" que afinal era um cisne, com a sua "arma" sem flash, claro:

WP_20170602_15_11_50_Pro.jpg

  As pombas são as mais fáceis de capturar, pois como a iconografia cristã representa o Espírito Santo sob a forma de pomba, elas estão em todo o lado, como neste óleo da grande pintora Josefa de Óbidos, um famoso Pentecostes, cena religiosa em que o Espírito Santo desce sobre os apóstolos e sobre a Virgem.  Nós apanhámos a pomba, bem gorduchinha, diga-se:

WP_20170602_15_14_36_Pro.jpg

   Uma tábua de Vicente Gil, o mais importante representante da escola regional de pintura de Coimbra no século XVI, escondia, num dos cantos inferiores, este enigmático mocho que poucos notaram. Reparem como nos fita frontalmente, parecendo que nos questiona, ou censura o nosso comportamento:

WP_20170602_15_10_17_Pro.jpg

    No segundo plano dos quadros, encontramos muitos bichos. Alguns parecem surpreendidos pelo nosso olhar, pois estão tão desenquadrados relativamente às cenas centrais que não é fácil entender o que fazem ali, discretos, senão quase ocultos. Parece mesmo que estão à espera de ser apanhados pelo nosso olhar. Normalmente, evidenciam um desenho bem traçado, atestando a qualidade dos artistas, ou dos seus ajudantes ansiosos por mostrar o seu talento. Reparem neste galgo que brinca com um cavalo no meio de uma floresta, posta a servir de pano de fundo a uma cena sagrada:

WP_20170602_15_13_11_Pro.jpg

   Na coleção de escultura, além dos habituais cavalos e ovelhas, pombas e outros que tais, encontramos surpresas interessantes, como este passarinho, tão gracioso, pintado num friso de um retábulo:

WP_20170602_15_52_32_Pro.jpg

   Na escultura, encontramos os bichos mais expostos ao olhar dos visitantes. Na maior parte das vezes, os animais assumem um lugar importante, como o cão que lambe a ferida no joelho de S. Roque, ou a ovelha que salta para o colo de Santa Inês. São tão evidentes que não escaparam a ninguém. No retábulo de Tobias, um peixe enorme disputa mesmo o lugar central. Foi boa a caçada por estas paragens. Para atestar a nossa pontaria, deixamos uma bela águia em pedra de Ançã que se escondia numa esquina discreta:

WP_20170602_15_52_55_Pro.jpg

   Os desafios maiores, no entanto, surgiram na secção de ourivesaria. Num corredor escurecido, só os olhares mais atentos, e foram tão poucos, conseguiram apanhar os animais camuflados nas filigranas e nos rendilhados das pratas repuxadas e lavradas. Claro que não falamos dos leões postos na base do relicário da Rainha Santa Isabel, esses todos caçaram, não passam despercebidos a nenhum visitante:

WP_20170602_15_17_09_Pro.jpg

    Referimo-nos sim a estes que reproduzimos de seguida. São tão discretos que nenhum caçador os viu. Desafiamos mesmo os nossos leitores, apenas a título de exemplo, a pôr à prova a acutilância do seu olhar de caçador, identificando os animais nas figuras. Se não os conseguirem ver nestas fotos, talvez não seja má ideia visitar o museu e fazer o teste in loco. Se, no local, não conseguir vislumbrá-los, aconselhamos uma ida ao oftalmologista:

WP_20170602_15_19_22_Pro.jpgWP_20170602_15_16_00_Pro.jpg

   Um dos animais mais fáceis de apanhar, mas um dos mais surpreendentes, foi o caranguejo que agarra uma cruz nas suas pinças. Aqui, vale a pena contar a história associada a esta peça, pois está relacionada com um presumível milagre de S. Francisco Xavier no Oriente, mais precisamente nas ilhas Molucas. Conta-se que o padre jesuíta, missionando nessas longínquas paragens, confrontou-se com uma enorme tempestade. No navio em que seguia, todos os tripulantes se viraram para si, exigindo-lhe que apaziguasse a fúria dos elementos que ameaçava naufragar a embarcação. Foi assim que Francisco, posto à prova pelos gentios, apontou a cruz que trazia às ondas do mar e logo elas se acalmaram. Porém, deixou escorregar a cruz que se perdeu nas profundezas oceânicas. Alguns dias após, já com todos a salvo, passeando na praia, eis então que um caranguejo emerge das águas trazendo nas pinças erguidas ao céu a cruz que o Santo deixara escorregar.

WP_20170602_15_20_57_Pro.jpg

   Nas salas reservadas aos têxteis e mobiliário, encontrámos igualmente muita matéria para fotografar: galos e cães, lobos e lagartos, pássaros e muitos outros. Ficam alguns exemplares:

WP_20170602_15_43_58_Pro.jpgWP_20170602_15_47_21_Pro.jpgWP_20170602_15_47_33_Pro.jpg

WP_20170602_15_47_41_Pro.jpg

    Um dos momentos mais empolgantes do nosso safari foi exatamente na sala dos têxteis, onde pudemos apreciar uma magnífica colcha chinesa com lindíssimos pássaros bordados. Ainda bem que os bichos que caçamos são obras de arte e as nossas "espingardas" são máquinas fotográficas digitais, caso contrário seríamos péssimos caçadores, pois seríamos incapazes de disparar! Será que algum dos nossos leitores dispararia sobre pássaros destes? A colcha foi recentemente doada por particulares e foi acrescentada ao espólio do Museu Machado de Castro.

WP_20170602_15_48_21_Pro.jpgWP_20170602_15_48_16_Pro.jpgWP_20170602_15_48_12_Pro.jpg

      E que dizer desta lindíssima corça? Alguém seria capaz de disparar sobre esta colcha sem se lembrar do Bambi?

WP_20170602_15_49_48_Pro.jpg

    Aproximando-nos do final da nossa expedição, ainda houve tempo, na sala das coleções orientais, para caçar mais uns insetos (ainda não tinham aparecido!), uma tartaruga, patos e outros que tais!

WP_20170602_15_50_20_Pro.jpgWP_20170602_15_50_25_Pro.jpgWP_20170602_15_50_52_Pro.jpgWP_20170602_15_51_05_Pro.jpg

   No final, reunidos no pátio central, conforme combinado, fizemos o balanço final. Foi muito positivo: ninguém gritou, não houve correrias e nenhum caçador tocou nas obras expostas. Nenhum usou o flash e não houve penalizações. Procedemos à contagem dos bichos capturados e.... os grandes vencedores, com uns incríveis 173 pontos, foram.... o Heitor e o Lima! Parabéns!

WP_20170602_16_02_39_Pro.jpg 



publicado por CP às 20:47
Sexta-feira, 05 de Maio de 2017

WP_20170505_16_23_26_Pro.jpg

   Já uma vez, há muitos anos, o nosso Clube promoveu uma visita ao Jardim Botânico. Quem quiser ler o relato, apreciar as fotografias e conhecer os sócios de então, pode seguir esta hiperligação. Agora, regressámos de uma maneira diferente, pois fomos recebidos muito amavelmente, mais uma vez, pela mãe do Tomás, a arqueóloga Sónia Filipe, além da eng.ª Carina Monteiro que nos propiciaram uma visita inesquecível. Depois de umas palavras introdutórias de boas-vindas, ficámos a saber um pouco mais sobre a história deste verdadeiro Museu Vivo.

WP_20170505_14_55_54_Pro.jpg

   Criado no âmbito da Reforma da Universidade promovida pelo Marquês de Pombal em 1772, o Jardim foi uma das realizações mais importantes desse plano, pois inaugura uma nova forma de estudar e de entender a Natureza. O seu primeiro responsável foi o reputado sábio italiano Domingos Vandelli, vindo para a nossa cidade do Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa, onde trabalhava. O Jardim ocupa uma área que corresponde aproximadamente a 14 campos de futebol e que pertencera anteriormente aos frades beneditinos. Para a construção dos socalcos e dos diversos patamares foram utilizados os destroços e o entulho resultantes da demolição do castelo e da cerca dos jesuítas, bem como de outros prédios que o Marquês mandou deitar abaixo para edificar o observatório astronómico. Por isso, é muito frequente, quando se fazem obras na atualidade, encontrar uma pedra da muralha medieval, do castelo, ou um qualquer vestígio de outro período histórico, exigindo-se a presença da arqueóloga.

WP_20170505_15_01_53_Pro.jpg

   Após esta introdução, iniciámos um percurso com o objetivo de conhecermos algumas plantas, selecionadas pela eng.ª Carina, e algumas curiosidades sobre a arquitetura do Jardim, fornecidas pela arqueóloga Sónia, que é a mãe do nosso Tomás, como devem estar recordados. A primeira paragem foi junto a uma sequóia. Trata-se do maior ser vivo terrestre que existe no nosso planeta. É uma árvore originária da América do Norte, onde chegam a viver séculos e séculos e a atingir os 100 metros de altura! O seu nome científico é Sequoia sempervirens, pois mantém sempre a sua folhagem verde, embora seja mais frequentemente designada como sequoia verrmelha. Curiosa é a sua pinha, muito pequenina para uma árvore tão grande.

WP_20170505_15_04_34_Pro.jpg

   Um pouco adiante deparamos com uma curiosíssima árvore que, na nossa cidade é designada por árvore do ponto, uma vez que as belíssimas flores despontam nesta altura do ano, lembrando aos estudantes que se aproximam os exames, pelos que é hora de estudar mais afincadamente.

WP_20170505_15_12_13_Pro.jpg

   Como essas flores se assemelham a tulipas, a árvore é também conhecida como Tulipeiro da Virgínia, pois é originária da América do Norte, tendo um uso ornamental muito frequente no nosso país.

WP_20170505_15_11_20_Pro.jpg

    Logo ao lado, fica a estátua de Avelar Brotero (1744-1828), da autoria do escultor Soares dos Reis. Brotero foi um distinto cientista da Universidade de Coimbra que, depois de estudar com sucesso em França, foi nomeado lente da Universidade, distinguindo-se nos estudos botânicos. Dedicou-se ainda à actividade política, tendo sido eleito deputado às Cortes Constituintes em 1820. Suicidou-se em 1828 e em 1887 a Universidade decidiu homenageá-lo com a inauguração desta estátua. Podemos ainda apreciar o portão principal em ferro forjado, da autoria de Manuel Galinha e datado de 1844.

WP_20170505_15_19_16_Pro.jpg

   Na direção oposta, gozamos uma vista privilegiada sobre o quadrado central. É o coração do Jardim. Foi concluído em 1791, já no reinado de D. Maria I, sendo por isso o pórtico que lhe dá acesso conhecido pelo nome dessa rainha.

WP_20170505_15_14_10_Pro.jpg

   Neste terraço, de cada um dos lados da estátua, encontramos duas magníficas gingko bilobas, famosas pelos seus usos medicinais. Experimentem digitar o nome desta árvore no Google e reparem na sua popularidade e nas suas inúmeras aplicações medicinais e cosméticas. Mas a Carina contou-nos uma outra história que pouca gente sabe: as fêmeas desta árvore exalam um cheiro tão fedorento que é frequentemente descrito como lembrando um animal morto. Por isso, são raramente plantadas e há notícias de, em tempos, na nossa cidade, a população ter solicitado o abate de uma árvore destas, pois o seu cheiro era insuportável!

WP_20170505_15_22_28_Pro.jpg

   Prosseguindo para odores muito mais agradáveis, conhecemos um muito bem cheiroso eucalipto-limão, que afinal não é um eucalipto, pois a sua classificação científica foi corrigida há uns anos, depois de se ter chegado à conclusão que as suas características não se encaixarem na classificação que então possuía. Basta olhar para a semente de um eucalipto (na mão direita da Carina) e comparar com o desta árvore.

WP_20170505_15_39_02_Pro.jpg

   Cientificamente, em latim, é então designada como corymbia citriodora. A sua característica mais importante é o intenso cheiro a limão, utilizado pelos fabricantes de detergentes para que os seus produtos exalem este odor. Uma vez que o seu tronco, que pode atingir altura muito elevada, tem uma manchas brancas e cinzentas, também é por vezes referida como árvore fantasma.

WP_20170505_15_32_04_Pro.jpg

A árvore mais alta do Jardim Botânico é proveniente da Nova Caledónia, colónia francesa do Pacífico, e chama-se araucaria rulei. Foi plantada pelo Dr. Júlio Henriques, antigo diretor do jardim, dando assim o seu contributo para evitar a extinção desta  árvore que se encontra ameaçada. Tem 43 metros de altura e é visível da zona ribeirinha, onde se tem uma perceção melhor da sua dimensão.

WP_20170505_15_44_48_Pro.jpg

   Outr araucaria se encontra nas proximidades, embora de um género diferente, designada como araucaria bidwillii. Embora não seja tão alta, tem uma característica muito engraçada, é que produz umas pinhas enormes, que chegam a atingir 10 kG, obrigando os responsáveis do Jardim a adotarem medidas de prevenção. para evitar acidentes que podem ser fatais, na altura em que se deteta uma pinha madura a ameaçar desprender-se!

WP_20170505_15_48_30_Pro.jpg

   A Avenida das Tílias é um dos locais mais apreciados pelos visitantes, pois a alameda, plantada nos finais do século XIX, fornece uma moldura idílica, sombria, refrescante e propícia a longos passeios românticos. Na altura da floração o aroma é muito agradável e relaxante. A tília é utilizada para produzir infusões que possuem, segundo se crê, capacidades calmantes. Por isso, quando se sentirem nervosos, venham para aqui correr e respirar este ar e, no final, se não se sentirem mais relaxados, estarão pelo menos mais cansados!

WP_20170505_15_51_44_Pro.jpg

   Chegados ao Quadrado Central, ficámos a saber que é um jardim geométrico, construído ao gosto francês, também chamado de estilo romântico. Aqui chega a água canalizada a partir de minas subterrâneas, que são visitáveis, e que trazem, num fluxo constante e a uma temperatura sempre igual, da zona arenítica situada sob a zona da Avenida Dias da Silva, nas proximidades da Escola Secundária José Falcão. O arenito funciona como uma esponja gigantesca que retém a água e a vai libertando lentamente, sendo o caudal canalizado para regar as plantas e os canteiros do Jardim. Em alguns locais existem tampos de pedra que dão acesso a esse emaranhado de túneis que, por vezes, são abertos ao público em visitas sempre muito concorridas.

WP_20170505_16_08_25_Pro.jpg

   A fonte central foi aqui colocada nos meados do século XX e funciona como um tanque de retenção dessas águas. Esta parte do Jardim é a mais fotografada pelos turistas e visitantes. Ainda hoje, e desde há muitos anos, jovens noivos, estudantes, namorados, turistas e outros visitantes não resistem a apontar as suas objetivas e a registar a beleza deste espaço. Por isso, numa ideia muito original, os responsáveis decidiram lançar um convite à população: procurem fotografias antigas deste quadrado central e tragam-nas para a exposição. Participe! Para saber mais siga esta ligação.

  Muito curiosa é uma árvore designada corticeira, mas cujo nome científico é erythrina crista-galli, foi plantada por Brotero, é pois bicentenária. Está muito velhinta, está oca, mas ainda está viva!

WP_20170505_16_04_57_Pro.jpg

   Uma das árvores mais famosas do Botânico, senão mesmo a mais famosa, é a impressionante figueira estrangualdora, assim chamada porque os seus frutos, não comestíveis, se assemelham a figos e porque as suas raízes serpenteiam por todo o espaço em redor, abraçando todos os obstáculos. A sua copa tem uma largura de 37 metros! Imaginem bem, 37 metros!

WP_20170505_16_13_56_Pro.jpg

   Por fim, aproximando-se o final da nossa visita, porque o tempo escoava e não porque não houvesse muitas coisas mais para visitar e conhecer, dirigimo-nos até à estufa grande. Trata-se de um magnífico exemplar da chamada arquitetura do ferro e do vidro. O projeto foi apresentado por um engenheiro chamado Pedro Pezerat e, 1854, sendo a obra concluída cerca de uma década após. A mãe do Tomás mostrou-nos algumas fotografias antigas.

WP_20170505_16_18_54_Pro.jpg

   Depois de ter atingido um estado de degradação, recentemente, aproveitando a classificação do Jardim Botânico como Património da Humanidade, a Universidade encetou obras de recuperação, a cargo do arquiteto conimbricense João Mendes Ribeiro. O projeto de restauro, que já foi premiado, devolveu à estufa a sua beleza original. Nós tivemos o privilégio de a visitar, pois ainda não está aberta ao público, nem as plantas estão instaladas. Apreciem então, em exclusivo, as fotografias.

WP_20170505_16_16_59_Pro.jpg

WP_20170505_16_22_48_Pro.jpg

WP_20170505_16_23_14_Pro.jpg

WP_20170505_16_26_50_Pro.jpg

   No final, o momento mais ansiado, aquelas plantas que suscitam a curiosidade de todas as crianças que visitam o Jardim Botânico: as plantas carnívoras! «Onde estão as plantas carnívoras?» foi a pergunta mais ouvida ao longo de toda a visita. Ei-las:

WP_20170505_16_27_31_Pro.jpg



publicado por CP às 22:29
Blogue oficial do Clube do Património da Escola Básica Eugénio de Castro - Coimbra
mais sobre mim
Novembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16
17
18

20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO